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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Documentário elucida fatos sobre o Voo 447 da Air France

Com a participação de vários especialistas em física, pilotagem e aeronáutica em geral, o documentário "Lost: The Mystery of Flight 447" mostra o que pode ter acontecido no fatídico acidente que vitimou os passageiros que iam do Rio para Paris, em 2009.
O documentário não está legendado, mas receio que até quem não fala inglês vai entender boa parte do que é mostrado, principalmente pelo fato do vídeo conter várias animações gráficas feitas em computador e reconstituições, além de muitos experimentos de laboratório.
Em uma das experiências, é demonstrado com o Pitot, a peça do avião que serve para medir a velocidade do vento pode ter sido congelada em altas temperaturas na altitude em que o avião voava.

Vídeo na íntegra-57 minutos:


Dicas:
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Opiniões, mentes e peixes

Artigo de Eli Vieira


Buscar pela verdade absoluta, ou seja, algo 100% objetivo, inatacável, irrefutável, indubitável, é pura perda de tempo.

Simplesmente não temos ferramentas de estabelecer certezas absolutas sobre nada. Os atributos epistemológicos “objetividade” e “subjetividade” estão sempre presentes em algum grau em tudo o que for proposto como conhecimento.

Se eu proponho que Angelina Jolie é bela (ou seja, agrada a meus olhos), isso é altamente subjetivo, entretanto, certas razões pelas quais Angelina Jolie agrada meus olhos podem ser objetivamente estudadas: as proporções de seu corpo e de seu rosto, sua postura, seu comportamento. Essas razões servirão para alguma mínima objetividade que unirá a minha apreciação de Angelina Jolie a outras pessoas que também a apreciam.

Nossa objetividade máxima corresponde à nossa subjetividade mínima. Nossa subjetividade mínima inevitável está demonstrada no teorema da incompletude de Gödel, que formaliza matematicamente a auto-referência do conhecimento objetivo. (Fonte: Curry. Foundations of Mathematical Logic. Dover, 1976.)

Isso NÃO DÁ ESPAÇO para o relativismo epistemológico (que eu achar Angelina Jolie bonita seria uma proposição tão certa quanto eu afirmar que existe um esquilo planador). Pois existem, como dizia Asimov, gradações de erro (dizer que a Terra é esférica é errado, mas não é mais errado que dizer que a Terra tem formato de pizza), ou seja, gradações de subjetividade e de objetividade, que são indiretamente proporcionais.

Vale a pena conhecer, então, se tudo tem uma porção de subjetividade? SIM!
Primeiro, porque conhecendo mais, investigando mais, o conhecimento se torna funcional, ou seja, conseguimos fazer previsões sobre o que ocorre no mundo que nos cerca, dadas as variáveis envolvidas nos eventos que queiramos prever.

ISSO SALVA VIDAS.

O conhecimento de que as entidades biológicas evoluem fará com que eu seja mais cuidadoso em administrar antibióticos e drogas antivirais para as pessoas. SALVANDO VIDAS.

O conhecimento de que deuses e sacis situam-se no mesmo campo que carece de evidências mostra que não vale a pena morrer esperando ter certeza de que encontrará Jesus, e não Anúbis ou Hades, no além. SALVANDO VIDAS.

O conhecimento de que a parte da Bíblia em que Jesus diz para brincarmos com cobras foi provavelmente adicionada posteriormente por um escriba, injustificando a prática de alguns pentecostais que ficam manipulando cobras peçonhentas, SALVA VIDAS.

CONHECER serve para RESOLVER PROBLEMAS.

Resolver problemas é funcionar. E a Ciência é um conhecimento funcional. A tal ponto que muitas vezes suas teorias se sobrepõem ao conhecimento empírico imediato, e são tão críveis quanto este.

Se há a Verdade, não vejo por que outras atividades cognitivas não-racionais estariam mais próximas dela do que a razão.

Se há a Verdade no mundo sensível, não vejo maneira melhor para atingi-la do que a empiria.

Se a ciência está vulnerável para ser concebida como maquinação do Gênio Maligno (de Descartes [Fonte: “Meditações...” de Descartes]), sim, está. Mas Popper tem toda a razão quanto a isso não ser tão importante quanto os famintos pela Verdade pensam que é. (Fonte: Karl Popper. Conjeturas e Refutações)

Funcionar é maravilhoso por si só. Se não compreendo todas as línguas para conhecer toda a literatura produzida, posso fazer a amostragem de ler apenas o que foi feito nas línguas que domino, o que inclui traduções.
Se não posso sair de casa para correr e fortalecer meu corpo, correr em círculos dentro de casa é melhor que se deixar consumir pelo ócio.

Então, se não há Verdade ou Certeza, é suficiente que eu tenha um conhecimento funcional.
É difícil que fundamentos últimos permaneçam de pé quando até mesmo a Lógica é questionada e classificada como mera parte integral dos “jogos de linguagem” (como faz Wittgenstein em suas últimas obras Fonte: Ludwig Wittgenstein. Da certeza), ou classificada como auto-referente pelo teorema de Gödel.

Se não há fundamentos universais em conformidade com a Verdade ou a Certeza (se elas “são”), é suficiente que os fundamentos sejam construídos sobre as nossas incertezas e possamos regrá-las mais ainda.

Se não há alicerce para o edifício do conhecimento, que ele seja então uma nave flutuando sobre o caos.

E nessa nave que flutua sobre o caos, já adquirimos conhecimentos sobre o que são mentes. Nosso conhecimento neurofisiológico já versa sobre como funciona a aquisição de crenças pouco referenciadas no mundo sensível (como Curupira, sacis, fadas, gnomos, deuses), e já compreendemos a mente como uma entidade histórica, improvável e contingente (por causa da evolução). (Ver referências de meu amigo Camilo em “Eis o mistério da fé” )

Mas isso diz respeito à mente humana moderna. E sobre suas origens?

Sabemos que existe uma espécie batizada de Homo sapiens, que somos nós, dotada de mente. Esta mente faz criações, esta mente estabelece propósitos e teleologias (finalidades) em suas criações.

A história começa cerca de 500+ milhões de anos atrás, quando surgiram os primeiros sistemas nervosos. Segundo hipóteses modernas (que não são concebidas em sonho ou em imaginação desenfreada, mas baseadas em evidência), como a hipótese de Placula (Schierwater, B. et al. PLoS Biol. 7, 2009), os sistemas nervosos tiveram duas origens. Mas não está mais em disputa uma coisa: as homologias entre o sistema nervoso humano e dos outros animais são claras, e com a maioria deles evidencia ancestralidade comum.

Os primeiros neurônios permitiram um repertório maior de fenótipos. Por exemplo, detectam movimentos, moléculas, luz, permitindo uma regulação mecanística do movimento do ser vivo de acordo com esses estímulos. (Fonte: Alberts et al. Molecular Biology of The Cell. Garland Science, 2002)

Aliás, nem é preciso ter neurônios para manifestar esse “comportamento”. Várias algas, como as do gênero Volvox, são capazes de, por seus mecanismos moleculares internos, nadar em direção à luz. (Fonte: Raven. Biologia Vegetal [qualquer edição])

Sistemas celulares e moleculares quase tão simples quanto os das algas Volvox permitem que sistemas nervosos extremamente simples, como o sistema nervoso difuso das águas-vivas (Fonte: Ruppert & Barnes. Zoologia dos Invertebrados [qualquer edição]), executem esse comportamento. Preciso dizer por que o comportamento de nadar em direção à luz ou longe da luz, em direção à fonte de moléculas voláteis, ou para longe da fonte de moléculas voláteis, é nada mais que uma adaptação?
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Creio estar claro por que seria uma adaptação. Uma vez que surjam canais iônicos e outras proteínas em células que se tornam excitáveis (como neurônios e músculos), terão mais sucesso reprodutivo aquelas variedades de sistemas nervosos/musculares que permitam ao organismo fugir dos predadores e achar alimentos e parceiros de cópula.
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Como isso diz algo sobre a mente humana? O nosso cérebro é feito praticamente do mesmo tipo de célula dos sistemas nervosos difusos das águas-vivas e pólipos. As sinapses acontecem da mesma forma, os potenciais de ação (impulsos nervosos propagados ao longo do neurônio) acontecem da mesma forma também. (Fonte: Roberto Lent. Cem Bilhões de Neurônios / Wong & Wong (ed.). Neuro-Signals - Invertebrate Neural Networks. Karger, 2004.)
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Como já está estabelecido, sempre que houver uma relação ecológica desarmônica entre duas espécies, elas tenderão a evoluir do modo “corrida armamentista”. Já evidenciamos inclusive passos da corrida armamentista entre pulgas dágua e seus parasitas (Fonte: Gee, Howlett & Campbell. 15 joias da evolução. Nature, 2009 ).

Então, entre vários motivos que temos para os sistemas nervosos terem ficado mais complexos, um deles é a corrida armamentista adaptativa.

Entre os períodos pré-cambriano e cambriano, várias pressões seletivas (fatores que promovem seleção natural) agiram sobre sistemas nervosos simples, originando modelos que sobrevivem até os dias atuais. Temos, por exemplo, o modelo de sistema nervoso dos platelmintos, em que gânglios e nervos se alternam numa estrutura parecida com uma escada de corda (em planárias). E esse sistema explica vários comportamentos e características dos platelmintos, como as planárias, que podem se regenerar depois de despedaçadas - não há um centro nervoso único como um 'cérebro' que precise ser protegido pela planária. (Fonte: Ruppert & Barnes. Idem.)

O que isso tem a ver com a mente humana? Nós temos um cérebro que recebe informações dos sentidos (exceto de nervos que partem dos olhos, do ouvido interno e da mucosa nasal) principalmente por via da convergência de fibras nervosas para a medula espinhal (cordão nervoso). Esse cordão nervoso, quando surge no desenvolvimento embrionário, é adjacente a uma estrutura chamada notocorda. A notocorda foi achada em fósseis do cambriano, como o Pikaia (Fonte: Thomas et al. Evolutionary Exploitation of Design Options by the First Animals with Hard Skeletons. Science, 2000). Existem comportamentos humanos completamente dependentes da medula espinhal, como o reflexo da patela, e boa parte da propriocepção (existem descritos muito mais que 5 sentidos, propriocepção é um deles - ou uma modalidade contendo alguns deles). (Fonte: Roberto Lent. Idem.)

Entre os vertebrados, além de termos uma ancestralidade comum bem estabelecida, vemos uma estrutura cerebral comum, de peixes a mamíferos, de répteis a aves, se repetindo sempre: cordão nervoso dorsal, tronco cerebral, telencéfalo, lobos do telencéfalo entre os quais se distribui o córtex cerebral. Repito: isso existe em peixes, mamíferos, répteis, aves (Fonte: qualquer livro de anatomia animal, como Romer & Parsons. Anatomia Comparada dos Vertebrados. Atheneu, 1985). Outros animais executam comportamentos tão complexos quanto os dos vertebrados, sem terem essa estrutura nervosa. Aranhas, por exemplo, têm uma capacidade notável de aprendizado.(Fonte: Nakamura & Yamashita. Learning and discrimination of colored papers in jumping spiders (Araneae, Salticidae). Journal of Comparative Physiology, 2000)

O que isso tem a ver com a mente humana? Podemos vislumbrar claramente uma emergência de qualidades mentais que hoje temos através de mecanismos evolutivos. Assim como peixes, temos um lobo olfatório que se liga diretamente aos tecidos onde acontece a recepção dos estímulos olfatórios. Nosso lobo olfatório se situa na mesma posição em que está nos peixes: anterior, ventral.

Assim como répteis, temos um tronco cerebral coordenando atividades vitais do nosso corpo, como respiração e modulação da frequência cardíaca. Também são notáveis as semelhanças entre os sonos dos animais, e aqueles que compartilham mais homologias conosco têm fases do sono parecidas com as nossas. (Fonte: Sidarta Ribeiro. Comunicação pessoal - palestra na Universidade de Brasília, 2008.)

Assim como o resto dos mamíferos, temos um telencéfalo bem desenvolvido. E assim como os outros primatas, temos áreas específicas do hemisfério cerebral esquerdo que se ativam quando executamos a comunicação. Pronto, chegamos a uma característica distintiva do ser humano, que é a comunicação pela linguagem, mais complexa que a comunicação por vários gritos diferentes em macacos como Cebus apella, que são capazes de coisas complexas como enganar e ocultar informação. (Fonte: Mitchel & Anderson. Pointing, Withholding Information, and Deception in Capuchin Monkeys (Cebus apella). Journal of Comparative Physiology, 1997.)

Como diriam os behavioristas na Psicologia, a parte mais cientificamente tratável da mente é o comportamento. E vemos o comportamento humano se alterar quando áreas cerebrais são lesionadas. Phineas Gage, um caso clássico, lesou seu lobo frontal e passou a agir imoralmente e passou a ser incapaz de fazer planejamentos a longo prazo. H.M., outro caso clássico, também lesionou o cérebro, e passou a ser incapaz de fixar memórias de longo prazo, retendo apenas as que tinha antes da lesão.(Fonte: Carl Sagan. Dragões do Éden.)

Não precisamos de muito mais que isso para perceber que a navalha de Occam respeita a afirmação de que o cérebro é responsável pela mente. É simplesmente a hipótese mais consistente. (Fonte: Kandel et al. (ed.) Principles of Neural Science)

Onde eu quis chegar com essa história? Que a mente humana dependeu de vários acontecimentos históricos contingentes, emergentes, para surgir: determinadas proteínas que delimitam canais de sódio e de potássio nos neurônios, pressões seletivas e corridas armamentistas entre animais que adquiriam comportamentos cada vez mais complexos, até atingir, cerca de 100 mil anos atrás, a sua forma moderna - de uma mente dotada de linguagem, planejamento, auto-consciência, intencionalidade de alto nível (graus de empatia e teoria da mente), sem contar nas bases sensoriais sobre as quais ela se apóia para crescer durante o desenvolvimento das crianças: habilidade manual, olhos que têm lentes (cuja história evolutiva é também bem compreendida), um corpo com órgãos de propriocepção, nocicepção, tato, etc. Tudo isso claramente acumulado durante bilhões de anos de um processo lento, intermitente, gradativo, cumulativo. Se há alguém que queira duvidar disso, e propor outras coisas envolvidas no surgimento da mente humana, o ônus da evidência cabe a essa pessoa.

Eu destaquei “contingente” porque é uma parte importante e pobremente compreendida até entre muitos entendedores de evolução.

Vou ilustrar com uma analogia o que quero dizer com contingente.

Imaginem uma panela contendo água fervente. Existem condições necessárias para fazer a água ferver: temperatura certa, pressão certa, e, é claro, água. Para dizermos que a água está em fervura, outra condição necessária é que ela esteja borbulhando. E uma condição necessária para que as bolhas surjam, é que haja no recipiente os chamados pontos de nucleação. Se observarem de perto uma fervura, perceberão que as bolhas de vapor surgem aproximadamente sempre no mesmo lugar. No ponto de nucleação, as moléculas de água, devido à sua energia cinética adquirida no aumento da temperatura, reorganizam suas interações moleculares, mudando o estado físico visível de líquido para vapor. (Fonte: qualquer livro de química do ensino médio.)

O que é contingente para a fervura da água? Aí falamos em casos particulares: uma única bolha que observamos surgindo, subindo e se mesclando ao ar, com dado volume e posição na panela, não é necessária para o que está acontecendo no sistema. Ela é um resultado contingente, ou seja, outra bolha poderia estar no lugar dela. Tanto quanto uma bolha em particular é contingente para a fervura da água, a mente humana é contingente para os processos históricos que geraram a vida terrestre.

Cogito ergo sum: penso, logo sou, diz Descartes. Isso significa que se há alguma convicção universal, é que temos mentes, que pensam, que duvidam. Atos de criação são igualmente conhecidos por nós em nosso mundo particular, porque mentes humanas criam.

Se somos capazes de criar, é porque nossa mente computacional é capaz de fazer previsões científicas sobre o trabalho possível de ser feito com nossas mãos sobre a matéria prima.

Se somos capazes de estabelecer teleologias, é por causa de nossa intencionalidade de alto nível, postura intencional, atribuição de estados mentais.

Como então, depois de tudo o que falei, mentes divinas podem ser conhecidas como responsáveis pela origem do universo? Quando o que conhecemos sobre mentes é praticamente isso aí? Não achamos sequer mentes que evoluíram em outros planetas ainda, que podemos nós dizer sobre mentes sintonizando constantes físicas para, com propósito, intenção, teleologia, CRIAR universos?

Uma dicotomia comumente proposta, de que a origem do universo ou é criação ou é acaso, é falsa, porque muitas outras hipóteses podemos conceber sobre as origens do universo. O argumento criacionista, ou do design inteligente, ou do desígnio divino (seja aplicado aos seres vivos, ou ao universo como um todo), é, como dizia Hume, infértil. Infértil por ser apenas uma hipótese num mar de hipóteses concebíveis. Infértil porque pouco parcimonioso (postula instâncias inacessíveis, mentes necessárias - ao contrário do que sabemos sobre a contingência das mentes no universo), por postular uma ou mais MENTES em lugares que NADA TÊM A VER com as circunstâncias em que nossa própria mente, que é a única que conhecemos, EVOLUIU.

Que diz Hume? (Fonte: David Hume. Dialogues Concerning Natural Religion.)

Hume dizia que o argumento do desígnio (hoje conhecido como argumento do design inteligente) é apenas uma analogia do mundo: escolhe-se algo humano, uma atividade humana, que é a criação, para aplicá-la ao mundo como um todo.

O problema que Hume percebeu é que, já que não temos nenhuma evidência que corrobore essa analogia em particular, outras analogias podem ser feitas, tornando-se equiprováveis a essa.

Esquecendo a probabilidade da existência dos deuses (que podemos tratar da mesma forma que tratamos a probabilidade de existência do Curupira, do Saci, das fadas e dos duendes), invertamos a questão: O QUE corrobora a existência dos deuses, afinal?

A veracidade de algo deve se apoiar sobre sua evidenciação positiva, e não sobre a incapacidade da crítica de eliminar toda e qualquer evidenciação.

Nós sabemos que existe um esquilo planador porque há evidenciação a favor dele, e não porque nossos métodos são incapazes de versar sobre a “veracidade” do esquilo, ou porque a crítica não pode “provar que não existe” um esquilo planador.

Quando Barbara McClintock propôs que existiam elementos de DNA que “saltam” de um lugar para outro no genoma, a crítica foi feroz, porém, a crítica nada poderia dizer sobre a veracidade ou inexistência desses elementos. Se hoje os aceitamos, não é porque a crítica foi incapaz de provar sua inexistência, e sim porque Barbara angariou evidências - ou seja, dados universalmente verificáveis - para apoiar a sua tese de que esses elementos existiam.

Isso deveria ser considerado lógica básica, compreender por que o ônus da evidenciação cabe a quem traz à tona a pergunta sobre existir alguma entidade.

Portanto, não é nenhum demérito que a ciência não consiga afirmar nada sobre a “veracidade” dos deuses. Se há motivos para duvidarmos da existência deles, é nada menos que a FALTA DE EVIDÊNCIAS, e, é claro, as incoerências e absurdos associados às suas definições propostas por aqueles que acreditam (como esperar que mentes sejam necessárias ao universo, o que seria análogo a acreditar que uma bolhinha em particular é necessária para a fervura da água).

Por que usar a Bíblia ajudaria a defender a existência de um ou mais deuses? Por acaso a Bíblia passou no próprio teste - de eliminar outras escrituras/relatos sagrados de outros povos por vias das evidências favoráveis a si mesma? Não, não passou. (E não me venham com monte Ararat, genealogias estapafúrdias e argumentos de desígnio, nada disso adiantou.) A Bíblia nem tem originais, é cheia de erros de tradução e até mesmo eventos que foram adicionados no texto muitos séculos depois do que se tem como data em que ocorreram. (Fonte: Bart D. Ehrman. Misquoting Jesus. [título da tradução: “O que Jesus disse? O que Jesus não disse?”])

Sobrevivem até hoje textos de Homero, falando em deuses diversos, e entidades sobrenaturais semi-divinas. Sobrevivem até hoje inscrições egípcias falando em deuses zooantropomórficos, que são tão boas em matéria de evidência quanto a Bíblia. Sobrevivem Vedas, Alcorão, relatos dos pajés ameríndios, listas extensas de deuses já adorados com sinceridade pelos mais diversos povos: www.godfinder.org (inclusive, El, identificado como o mesmo Javé, era outro deus em outros povos vizinhos dos povos em que surgiram as primeiras versões das escrituras bíblicas).

Portanto, dadas todas essas razões, tanto da absoluta discordância entre as religiões sobre a natureza dos deuses, quanto das melhores explicações que temos sobre as origens das complexidades a partir de coisas simples (como a mente a partir de neurônios, neurônios a partir de células não excitáveis, células não excitáveis a partir da ainda hoje observável organização espontânea das moléculas orgânicas) por processos contingentes, não há motivos racionais para se acreditar em deuses. Talvez haja motivos arracionais (independentes da razão), isso não discuto, inclusive, aceito como alternativa filosófica válida (que eu rejeito por ser desfuncional e não fazer previsões).

Atribuir mentes ao alicerce que sustenta o universo, ao ser necessário, ao maior do que o qual nada pode ser pensado, é também uma famosa figura de linguagem: prosopopéia. Assim como eu sei que quando eu digo que o vento lambe os cabelos de alguém, isso não significa que seja provável que o vento tem uma língua, não vejo diferença entre isso e dizer que a “base da realidade” ouve orações, compreende e observa nossas vidas, CRIA a vida e o universo, COMO SE TIVESSE UMA MENTE, quando a mente é tão nossa quanto a língua. Somos nós que lambemos, nós que criamos coisas, nós que ouvimos e entendemos o que outra pessoa quer expressar com palavras, nós que sentimos na pele os problemas dos outros, como se fossem nossos, e queremos ajudar a aliviar a dor e sofrimento dos outros.

Nós. Nós fomos a régua inadequada e desajustada que foi usada ao longo da história para dizer que as coisas foram projetadas, ou que o vento lambe os cabelos, ou que alguém sintonizou as constantes do universo da mesma maneira que um velhinho sintoniza a AM para ouvir o futebol. Voltamos ao começo desse texto: nosso conhecimento é auto-referente, usamos o melhor que temos, a razão, os sentidos, algumas das nossas respostas se EVIDENCIAM, outras NÃO. Algumas são plenamente plausíveis, outras são cosmicamente improváveis.

O mestre taoísta Chuang Tzu, em seus diálogos com outros filósofos chineses, cita um enigma famoso por aquelas bandas: O enigma da Reforma e o Sábio. (Fonte: Arthur Waley. Zhuangzi: Basic Writings. Columbia University Press, 2003)

O enigma diz o seguinte: este mundo sem ordem só pode ser reformado (posto em ordem) por um sábio (shêng), mas enquanto o mundo estiver sem ordem, nenhum sábio poderá aparecer.

Solucionamos o enigma da Reforma e o Sábio? Creio que sim: o sábio (mente) é um resultado contingente de processos naturais que promovem a ordem no mundo sem ordem. Somente quando a ordem aparece, os sábios aparecem. O que implica que o sábio não é necessário para promover a ordem que o antecede.

De qualquer forma, os filósofos chineses mostram, com esse enigma, seu espírito de livre investigação, que não os obrigou a pararem em postulados frouxos como aconteceu com a escolástica aristotélica-platônica-aquiniana do ocidente.

Afinal, o Tao não precisa de mente. O Tao é simplesmente a base de tudo, ele é para o universo o que a água é para um peixe. Então as crenças religiosas dos taoístas são muito mais compatíveis com a ciência do que o Cristianismo.

Chuang Tzu observou a água de cima de uma ponte sobre o rio Hao, e disse para Hui Tzu: “Veja como os peixinhos nadam como querem pra cá e pra lá. Tal é o prazer que os peixes desfrutam.”

Hui Tzu respondeu: “Você não é um peixe. Como sabe o que dá prazer aos peixes?”

Eu respondo hoje para Hui Tzu: eu sei disso, porque no fundo sou um peixe que mudou.

Folha de São Paulo faz propaganda no meio da notícia






























Isso é doentio. No meio da notícia sobre um crime, a Folha de São Paulo fez propagada de faca e de supermercado. Depois esse jornaleco, que apóia a ditadura militar, reclama quando querem criar um Conselho Federal de Jornalismo.

A melhor definição para este jornal foi dada por Paulo Henrique Amorim:


"Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que avacalha o Presidente Lula por causa de um comercial de TV; que publica artigo sórdido de ex-militante do PT; e que é o que é, porque o dono é o que é ; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores."

domingo, 30 de maio de 2010

Estados Unidos, Irã e os valores universais

Povo do Iraque: Hospitaleiro e acolhedor





Algumas pessoas costumam generalizar em alguns temas. Por exemplo, alguns falam que "Tudo o que vêm dos Estados Unidos é ruim", "toda a cultura árabe é deplorável" e outras declarações exacerbadas.


Todos os países possuem seus erros. Se de um lado eventualmente o exército americano matam inocentes, de outro na Coréia do Norte existe um ditador louco, que deixa seu povo passar fome e fica comprando briga o tempo todo com a Coréia do Sul.
Nenhum tipo de censura política ou midiática é aprovável. No Irã, a censura na internet impera e o presidente deste país comete equívocos ao não ter uma relação pacífica com sua oposição, assim como gritantes violações dos
direitos humanos neste país.


O desrespeito à mulher também é enorme em países árabes como o Irã, o que é deplorável.
É fato concreto que em países islâmicos as mulheres valem menos que os homens.
Cada país possui seus problemas. Por exemplo, apesar dos pesares, nos EUA há liberdade de crítica democrática, opositores do governo não são perseguidos ou exterminados, como ocorre no Irã.
 







De fato não haviam armas de destruição em massa no Iraque, como Bush alegava.Também é fato que os EUA não têm o direito de ser a "polícia do mundo". Por outro lado, Saddam não era nenhum democrata. A questão toda é muito complexa. Ambos os lados erram. Apesar do governo dos EUA ter essa sina belicista em busca do petróleo, do outro em países como o Irã a mulher é pouco respeitada, a democracia plena é nula e não há o direito de oposição política.
Independente disso, existem boas pessoas em todos os povos e países, sem exceção.
Da mesma forma que o regime da Coréia do Norte não permite liberdade de imprensa, censura os meios de comunicação e não permite liberdade política, o povo norte-coreano é extremamente trabalhador e correto.

Protesto em frente à Casa Branca, sem repressão policial: Cena inimaginável no Irã


Por exemplo, não precisamos morrer de amores pelos Estados Unidos para reconhecer que lá:
-existe plena liberdade de imprensa;
-não existe censura na mídia;
-nenhum grupo político é censurado, perseguido ou morto por discordar do governo;
-a liberdade de informação é irrestrita;
-a mulher não vale menos que o homem, pode sair na rua sozinha sem ser má-vista.



Estes pilares são louváveis em qualquer país. Os EUA possuem e os países árabes deveriam possuir também.
Por outro lado, o exército dos EUA errou e erra muito em suas incursões pelo Oriente Médio, prendendo, torturando ou matando inocentes. Tudo isto é inaceitável. O governo dos Estados Unidos também não tem direito de invadir países, sob o argumento da democracia, com o notório intuito de prospectar petróleo que não é seu.

Podemos concluir que bons valores universais devem ser cultivados em qualquer país e que qualquer nação têm seus erros e acertos.
Tenho bons testemunhos de pessoas que estiveram no Iraque e no Irã e me contaram que são povos extremamente hospitaleiros, muito amáveis com estrangeiros e com quem passa dificuldades. Essa extrema solidariedade pode e deve ser copiada por pessoas de qualquer nação, independente do país em que se vive.





Errata:

O Irã não é um país árabe, como um amigo muçulmano bem apontou.
Sobre isto, leiam aqui.
Peço humildemente desculpas.

Produzir água potável pode ser um bom negócio

Uma pequena empresa suíça do setor de metalurgia descobre durante uma tragédia no Paquistão uma nova área de investimento.


As máquinas de filtragem e dessalinização de água da Trunz já foram exportadas para 35 países. Agora é a vez do Brasil.

Foi um teste de coragem para os habitantes de Arbon, uma pequena cidade localizada às margens do lago de Constança, no nordeste da Suíça. A água oferecida em copos plásticos durante uma reunião na prefeitura havia sido retirada diretamente do córrego local e filtrada por uma caixa de aço. "Organizamos essa ação simpática para mostrar como é possível beber essa água que não é poluída, mas sim um pouco turva pelas folhas e algas", conta Andrea Trunz, lembrando com um sorriso que ninguém havia ficado doente depois da prova.

A principal intenção da diretora de marketing da empresa Trunz era mostrar à população local a utilização prática dos seus sistemas de purificação de água e dessalinização. Graças aos painéis solares e uma pequena turbina eólica, eles também funcionam sem necessitar de energia corrente. "Assim era possível puxar e filtrar sem eletricidade a água do córrego, filtrá-la e dar às pessoas", explica. Andrea acrescenta, porém, que a brincadeira pode se tornar um assunto sério, sobretudo quando água potável é uma questão de vida ou morte em regiões de catástrofes.

Em janeiro de 2010, aparelhos da Trunz foram empregados no Haiti após um violento terremoto. Dez sistemas móveis de purificação de água movidos a energia solar haviam sido transportados ao país caribenho para suprir a população local com água limpa. "Eram máquinas instaladas na Venezuela e que foram emprestadas pelo governo venezuelano ao Haiti", conta Andrea. Ela lembra que também o primeiro protótipo foi utilizado no Caxemira, uma região do Paquistão, em 2005, após um forte tremor de terra.

Nova área de investimentos

Purificação de água nunca foi a principal atividade da Trunz. Essa pequena empresa foi criada em 1972 pelo engenheiro Remo Trunz para atuar na área sistemas de ar-condicionado e refrigeração. Anos depois, expandiu seus negócios para a metalurgia e montagem de peças, incluindo para a indústria automobilística. Mas foi apenas em 2007 que o empresário decidiu fundar a Trunz Water Systems.

"Tudo começou com a ideia de um marinheiro de ter acesso à água potável em áreas sem energia elétrica como ilhas. Depois instalamos a pedido de uma ONG canadense esse protótipo na Caxemira em 2005. Então vimos que existia um potencial para esses produtos. Durante três anos pesquisamos até decidir criar um novo setor na Trunz", explica Ralph Hangartner, diretor da Trunz Water Systems.

Desde então, mais de 450 sistemas de filtragem e dessalinização já foram exportados a 35 países, dos quais uma grande parte à Venezuela. "São 240 aparelhos instalados por nós depois que o governo venezuelano iniciou um grande programa de melhoria das condições de vida para as populações ribeirinhas, sobretudo no delta do Orinoco", afirma Hangartner. O programa prevê a montagem de 900 sistemas de filtragem da água dos rios, contaminada devido às atividades mineradoras e falta de saneamento básico, para pequenas comunidades. O interesse levou a empresa a abrir sua primeira subsidiária estrangeira no país governado por Hugo Chávez.

O típico sistema instalado pela Trunz é capaz de produzir mil litros de água por hora através do sistema de ultrafiltração. O líquido é prensado contra uma membrana capaz de filtrar partículas como vírus, bactérias e parasitas maiores do que 0,04 micrômetros. O processo não necessita de produtos químicos. "E tudo é feito apenas com a energia solar ou eólica, dando como resultado uma água completamente pura", ressalta o diretor da empresa.

Custos elevados

Apesar das vantagens dos sistemas de purificação da Trunz - robustez e facilidade de manutenção e operação - o maior problema é o preço, que se explica devido à tecnologia empregada e o custo de produção na Suíça. O aparelho mais simples é vendido a 55 mil francos (48 mil dólares) e que, somando-se outros custos como troca de peças (baterias) e financiamento, se eleva a 70 mil francos (US$ 60 mil).

Porém a empresa suíça acredita que, a longo prazo, o investimento compensa. "Se você calcular o consumo de combustíveis para mover um gerador, para fazer funcionar um filtro de água, ou também os gastos de transporte de água potável, a nossa solução acaba sendo muito mais barata, e sem falar também no aspecto ecológico", diz Hangartner.

E em países onde o sol aparece o ano inteiro, a utilização de sistemas com painéis solares e geradores eólicos parece ser um bom negócio. Em Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes Unidos, aparelhos de dessalinização da Trunz são utilizados para retirar a água salobra encontrada a muitos metros abaixo da superfície nessa região desértica.

Aposta no Brasil

O mesmo problema - regiões sem infraestrutura e carência de água potável - também existe no Brasil, o que levou a empresa suíça a lançar seus olhos ao maior país sul-americano. "Depois de procurar bastante tempo, encontramos um parceiro brasileiro para nos ajudar a iniciar um projeto-piloto que inicia agora, no mês de junho", revela Hangartner.

Um aparelho de dessalinização será instalado em três comunidades no Nordeste brasileiro - Santaluz (Bahia), Santa Luzia (Paraíba) e Trindade (Pernambuco) - por um período de três meses, um mês em cada uma delas. "Nelas muitos habitantes só têm acesso à água de poço artesiano, na qual em muitos casos é completamente salobra. E para filtrá-la são necessárias muitas horas", explica o engenheiro.

Os testes serão acompanhados pela Geoklock, a empresa parceira no Brasil e gerida também por um suíço. O equipamento utilizado utiliza a técnica de osmose inversa, onde se usa uma pressão mais elevada do que no caso da ultrafiltragem para fazer com que a água atravesse uma membrana de várias camadas. Esta retém partículas maiores do que 0,01 micrômetros, como é o caso do sal, mas também vírus, bactérias e parasitas.

Se o projeto-piloto for bem-sucedido, Trunz espera poder convencer as autoridades públicas no Brasil de que pode oferecer a melhor e mais barata solução para as populações carentes. "Porém também esperamos convencer pequenos empresários, pois vender água potável a preços reduzidos seria um bom negócio nessas comunidades", anima-se Hangartner.

Alexander Thoele, swissinfo.ch

sábado, 29 de maio de 2010

José Serra diz que não é professor, mas dá aula

Serra, gosta de fingir que se importa com a educação pública e que liga para os estudantes. Ora diz que não é professor, mas depois dá aula. Claro exercício ilegal da profissão.O vídeo também mostra outros erros cometidos pelo Estado de São Paulo na educação pública:

STR vira STD-Sociedade da Terra das Drogas

Até alguns anos atrás, a Sociedade da Terra Redonda era uma das poucas referências céticas e ateístas na internet. Tempos depois, seu fórum foi desativado e atualmente o site não é mais atualizado. O único fórum que carrega seu nome está no orkut . Lá, a moderação é claramente frouxa e permite sem parcimônia a apologia às drogas e ao crime.
Vejamos o que disse um forista lá recentemente:

"eu defendo a legalizacao da cocaina ja usei varias vezes e recomendo aos maiores de idade"

Print:









O quão baixo tem que ser alguém para recomendar o uso da cocaína? Uma substância altamente nociva, viciante e que causa assassinatos, assaltos e outros crimes chocantes.


A questão é chocante: Um usuário de drogas recomenda publicamente o consumo de cocaína e por tabela admite que financia traficantes. Onde está o google, que deveria entregar este cidadão à polícia? Onde está a moderação da comunidade, para expulsar este criminoso e irresponsável ?
Perdoem-me pelas palavras fortes, mas não podemos tolerar que alguém faça apologia às drogas, ainda mais de uma maneira tão descarada na internet. Lugar de  apologista de cocaína e maconha é a cadeia. Uma comunidade onde permitem um absurdo destes deveria sofrer as penas da Lei. No referido tópico da comunidade da STR, existem outras pessoas fazendo apologia às drogas e batendo no peito, orgulhosos ao dizerem que são drogados. Acho que a pena é muito branda para os usuários. Usuário de drogas devia ser tratado para largar o vício e ficar preso por mais tempo, por sustentar o tráfico, não importando a quantidade de drogas com a qual fosse pego. Só a tolerância zero vai auxiliar na redução da circulação de drogas no Brasil, ao lado do combate ao narcotráfico.



Código penal:
Art. 287 - Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime:
Pena - detenção, de 3 (três) a 6 (seis) meses, ou multa.





Leia também:








Documentário de Oliver Stone retrata bem líderes sul-americanos

Estréia no Brasil-4 de Junho

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Inventado o skate voador

Quem viu o filme De Volta para o Futuro 2 deve lembrar do skate voador de Marty McFly. Inspirado nele, o artista francês Nils Guadagnin construiu uma réplica que fica suspensa no ar.

Guadagnin começou o projeto em 2008 para um exposição chamada... De Volta o Futuro.

Eletroímãs permitem à tábua do skate levitar e um sistema de laser estabiliza a flutuação.

Embora ainda não seja possível andar no skate, ele se sustenta bem quando é empurrado ou cutucado.

O eletroimã é um dispositivo que usa a corrente elétrica para gerar um campo magnético, semelhante àquele encontrados nos ímãs naturais.

Geralmente, é construído por meio de um fio elétrico espiralado ao redor de um núcleo de ferro, aço, níquel ou cobalto ou algum material ferromagnético.

Fonte:R7


O skate do artista:



Cena do filme:

Será que o Tribunal tucano vai processar o DEM?


O advogado do PT, Márcio Luiz Silva, irá protocolar amanhã no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) uma representação contra o DEM por causa da propaganda partidária exibida na noite desta quinta-feira em cadeia de rádio e TV.

Segundo o advogado, o DEM não cumpriu a Lei das Eleições ao exibir o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, no comercial de 10 minutos. A lei proíbe a participação de filiado de um partido na propaganda de outro. "Foi uma irregularidade flagrante", afirmou Silva.


Na tarde de hoje, o PT tentou suspender a exibição da propaganda. No entanto, o ministro do TSE Aldir Passarinho Junior negou o pedido por entender que a proibição seria uma censura prévia.

A representação do PT amanhã pode significar uma multa ao DEM e a cassação do programa partidário em 2011, ano que não haverá disputa eleitoral.

Do total dos 10 minutos do programa, aproximadamente 75% do tempo foram utilizados direta ou indiretamente para alavancar a imagem de Serra.

Cerca de 6m15s foram dedicados a falas do pré-candidato --5min com o tucano discursando, mais depoimentos de cidadãos--, sobre projetos e obras realizados por ele como governador do Estado de São Paulo ou deputado constituinte.

Além disso, outros 1m15s foram utilizados pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), ferrenho aliado do tucano, para divulgar projetos e obras que foram feitos na capital paulista por meio da parceria com o governo do Estado quando Serra era governador.

Todas as falas do tucano foram captadas no Encontro Nacional de Partidos PSDB-DEM-PPS, no último dia 10 de abril, quando a pré-candidatura de Serra foi lançada.

Logo aos 43 segundos de propaganda, após breve aparição do líder do DEM na Câmara, Paulo Bornhausen (SC), Serra discursa de um púlpito dizendo que nos últimos 25 anos o povo brasileiro alcançou muitas conquistas.
Fonte: Folha

Comentários:


O Democratas cometeu um flagrante crime eleitoral. O TSE sabia que isso ia acontecer e nada fez para impedir. Se o TSE não punir o DEM e o PSDB, vai ficar claro o favorecimento à candidatura do Serra, em detrimento da candidatura de Dilma Roussef. A lei é clara: O horário de um partido não pode ser usado pelo político de outra, ainda mais fazendo clara propaganda eleitoral. A dupla DEM-PSDB também é extremamente falsa, ao tentar posar de santa e boazinha. Não falaram que foram eles que colocaram os impostos nas alturas em seus governos e que colocaram as taxas de juros também nos maiores patamares. 
Estes dois partidos também não têm moral para falar em agricultura, já que pouco fizeram por esta área quando governaram o Brasil.

Estudo prova que a maioria das pessoas é racista por educação




Os cientistas há muito sabem que quando a pessoa testemunha a dor de outra pessoa, indiretamente ela pode sentir desconforto físico somente por presenciar a situação. A nova evidência sugere que o poder deste efeito depende da pessoa ser da mesma "raça".

Demonstrou-se ainda que quanto mais sinais de preconceito racial demonstra uma pessoa, menos empatia ela sente ao testemunhar a dor de outras raças. Isso mostra como o racismo se alimenta de si mesmo - a falta de empatia causando maior desumanização, que por sua vez leva a mais racismo.

No estudo, com italianos e africanos, os participantes foram convidados a assistir e prestar atenção aos filmes que mostravam agulhas penetrando uma mão branca e uma mão preta.

Um scanner cerebral, em seguida, registrou que os neurônios sinalizavam dor na pessoa que assistia o filme, porém, em média havia muito menos sinalização quando as pessoaa estavam assistindo uma mão de cor diferente receber as agulhas.

Não importa se a mão era preta ou branca, o efeito foi o mesmo, o que fez a diferença na pesquisa foi o preconceito racial. Quanto mais uma pessoa racista, menos empatia ela sente pela pessoa da raça oposta.

Para provar que era realmente racismo, mostrou-se um vídeo igual, porém com uma mão roxa. A resposta foi a mesma dada ao vídeo com a mão igual a da cor da pessoa, não houve "diminuição da empatia"

Isto prova que as pessoas não tendem a ter mais empatia pelas pessoas de sua cor ou raça, mas que isso é fruto de um aprendizado, ou melhor dizendo, de um mal-aprendizado, de algo totalmente cultural.

Professor Salvatore Aglioti, da Universidade de Roma, coordenador do estudo disse: 
"Quando nós não tivemos nenhum preconceito, eramos mais propensos a simpatizar. Isso é muito importante porque sugere que os seres humanos simpatizam uns com os outros, a menos preconceitos estejam em jogo".

Alessio Avenanti, co-autor da Universidade de Bologna, disse: 
"Sem estereótipos, as pessoas se vêem igualmente a todos os outros. No entanto, o preconceito racial pode suprimir essa reação empática, levando a uma percepção desumanizada da experiência dos outros".

http://www.telegraph.co.uk/science/7771834/We-are-less-likely-to-feel-the-pain-of-people-from-other-races-a-study-suggests.html


Postado no "Mundo em colapso".

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Serra:Acusando países desonestamente


O líder do PT na Câmara, Fernando Ferro (PE), qualificou hoje (27) o ex-governador de São Paulo, José Serra, de “irresponsável e preconceituoso” por acusar o governo da Bolívia de cumplicidade com o narcotráfico. Ele ironizou o pré-candidato tucano à Presidência da República por mostrar "coragem" contra um pequeno país sul-americano e preservar, ao mesmo tempo, os Estados Unidos, o maior consumidor de cocaína do planeta, e a Colômbia, que além de ser o principal aliado norte-americano na América do Sul é o maior produtor mundial da droga. O Peru ocupa o segundo lugar.

Segundo Ferro, o tucano mostra uma “indignação seletiva” com o grave problema do narcotráfico, deixando de lado a Colômbia , talvez por ter “ identidade política e ideológica com os partidos conservadores” que hoje governam aquele país. “ Preferiu trazer a sua coragem, a sua verve, contra a pequena Bolívia”, declarou Ferro. “Foi uma gafe diplomática e uma grosseria contra um país vizinho e membro do Mercosul”.

Serra, em entrevista a uma rádio do Rio de Janeiro, afirmou: "Você acha que a Bolívia iria exportar 90% da cocaína consumida no Brasil sem que o governo de lá fosse cúmplice? Impossível. O governo boliviano é cúmplice disto."

Na avaliação do líder do PT, o linguajar do tucano é “policialesco” e também “despreparado e desqualificado” para tratar do tema. “Esperamos que seja corrigido para que melhore o nível desse tipo de debate e não crie tensões diplomáticas desnecessárias e situações constrangedoras”.

Para Ferro, “a declaração do tucano mostra uma visão colonizada e uma postura submissa a determinados interesses internacionais”. Ele suspeitou também que por trás da declaração haja a intenção real de atacar a Bolívia, como os tucanos defenderam no primeiro mandato de Evo Moralez, quando este decidiu nacionalizar as reservas de petróleo e gás do país, afetando interesses de empresas estrangeiras, entre elas a Petrobras.

Ele frisou que a produção de cocaina na Colômbia, Peru e Bolívia só existe por causa do mercado consumidor, que encontra nos EUA a maior demanda. O petista reparou que o narcotráfico é um problema de escala mundial e criticou a visão reducionista de Serra.

“É lamentável que o candidato tucano esteja mal informado, mal assessorado e, talvez, mal intencionado. Porque, ao fazer tal afirmação, ele desconhece a realidade dos institutos que trabalham essa questão do narcotráfico e informações policiais”, disse Ferro.

Ferro observou que, hoje, na América Latina, o meganegócio da droga está ligado a cartéis, cuja operações levam até mesmo à desestabilização institucional. Citou, como exemplo, o México, que hoje se defronta com uma guerra interna contra o narcotráfico.

Folhas de coca


De acordo com o último relatório do UNODC (United Nations Office on Drugs and Crime), de 2009, a Bolívia é apenas o terceiro cultivador de folha de coca. Em primeiro lugar está a Colômbia (81.000 hectares), seguida do Peru (56.000 hectares). A Bolívia tem em torno de 30.500 hectares. Assim, Colômbia e Peru cultivam 4,5 vezes mais folha de coca que a Bolívia.


Em relação às tendências recentes, o relatório do UNODC observa que houve, em 2008, um pequeno aumento das áreas cultivadas no Peru (4%) e na Bolívia (6%). Entretanto, o relatório também observa que a atual área de folha de coca da Bolívia (30.500 hectares) é significativamente inferior aos números prevalecentes na década de 1990 (cerca de 50.000 hectares).


Apreensões


Ainda conforme o relatório do UNODC, a quase totalidade da cocaína consumida nos EUA vem da Colômbia e passa pelo México. Em relação à Europa, as estatísticas feitas com base nas apreensões indicam que 48% dos países europeus indicam que a cocaína lá consumida vem da Colômbia, seguida do Peru (30%). A Bolívia é mencionada em apenas 18% dos relatórios nacionais dos países europeus.

O relatório não tem dados específicos sobre o consumo no Brasil. Entretanto, o CIA Factbook menciona que a Colômbia é responsável pela “quase totalidade” da cocaína consumida nos EUA e pela “grande maioria” da cocaína consumida em outros mercados. A mesma fonte menciona também que a Bolívia é “país trânsito” da cocaína refinada que vem da Colômbia e do Peru, destinada ao Brasil, Argentina, Chile e Europa.

Na realidade, de acordo com as informações disponíveis, a Bolívia nunca teve grande capacidade de refino. Na cadeia da cocaína, ela é essencialmente um país primário-exportador e corredor de trânsito. O tráfico e o refino mundiais são oligopolizados pelos grandes cartéis colombianos.

O consumo da folha de coca não é ilegal na Bolívia. A nova Constituição da Bolívia reconhece o hábito de mascar folha de coca como um patrimônio cultural ancestral do país. Por outro lado, o tráfico de cocaína é reprimido. Conforme o governo boliviano, depois da expulsão da DEA (Drug Enforcement Administration ), que usava métodos violentos contra os cultivadores tradicionais da folha de coca, os indicadores relativos ao combate ao narcotráfico começaram a melhorar.

Fonte

Entrevista especial-Clóvis Rossi

Fiz esta entrevista na faculdade em 2008 e considero-a bem interessante:





Nascido na cidade de São Paulo em 1943, Clóvis Rossi é colunista, repórter especial e membro do Conselho Editorial da Folha de S. Paulo. Trabalhou no Jornal do Brasil e foi editor-chefe do Estado de S. Paulo. Teve participação em diversas coberturas internacionais de grande repercussão, tanto pelo Estadão como pela Folha, da qual foi correspondente em Buenos Aires e Madri.

Escreveu em sua carreira vários livros sobre jornalismo, entre eles “Vale a pena ser jornalista? (ed. Moderna, 1986), no qual aborda os prós e os contras da profissão dizendo que, “o que há de bom na profissão é essa coisa de poder ser testemunha ocular da história de seu tempo. O que há de ruim é a exigência até irracional de dedicação plena”. 

Outro livro que merece destaque é  “Enviado Especial-25 anos ao Redor do Mundo”. O livro é uma coletânea de artigos sobre suas coberturas em países e momentos históricos-chaves, como a ditadura Argentina, a Cuba socialista, o conflito entre Israel e Palestina, entre outros.
O jornalista descreve em detalhes o cotidiano das populações destes países, como uma burocrática fila para comprar sorvete em Cuba, a compra desenfreada de máscaras anti-gás em Israel, por receio de um ataque químico vindo do Iraque e a alegria de um comício da esquerda chilena.



Clóvis Rossi considera que o jornalista que trabalha em jornal diário é um batalhador, que “precisa matar um leão por dia”. Aos 44 anos de profissão, diz que tem pela frente umas dez mil batalhas, todas interessantes, em grandes assuntos, mas também em pequenos pés-de-página. 



Entrevista :
Aurelio Moraes

Em 1999 você lançou o livro "Enviado Especial-25 anos ao redor do mundo". Como surgiu a idéia de criar este livro?
Clóvis Rossi – Amigos meus antigos é que insistiram que valia a pena fazer uma compilação de textos publicados ao longo do tempo.


Qual a maior dificuldade e o maior prazer de ser um correspondente internacional?
R – A maior dificuldade é ter acesso à fontes, porque, naturalmente, elas preferem atender a mídia local. O maior prazer é poder olhar o bosque inteiro, e não apenas as árvores como acontece quando você trabalha no teu próprio país, já que há sempre outro repórter do teu jornal olhando as outras árvores.


É fácil conseguir investimento das editoras neste gênero?
R – Não, é difícil. Este tipo de livro tem um público muito segmentado, portanto muitas editoras relutam em publicar este gênero.


Quais são os primeiros passos para um jornalista iniciante escrever um livro-reportagem?
 R – Primeiro, seria bom escrever reportagens até ficar bom nisso, antes de pensar em livro-reportagem.


No seu livro há  uma coletânea de textos sobre suas coberturas no Chile, na Argentina, em Portugal e em outros países. Qual destas coberturas te marcou mais?
R – Cada uma delas em seu momento, mas eu destacaria o drama da falta de liberdade política em Cuba e a luta das mães dos presos políticos na Argentina.




  Você esteve em Cuba, em 1977. Em sua opinião o regime socialista cubano ainda influencia muito a esquerda latino-americana? Você acha que Raúl Castro simboliza uma possibilidade de grandes mudanças políticas no país?
 R – Influencia cada vez menos e isso é bom. Não seria bom vermos mais “Hugos Chávez” em nosso continente. Sobre Raúl Castro, vejo como inócua a liberação da compra de eletroeletrônicos para a população. O que eles precisam é de liberdade política em primeiro lugar, e não celulares.




Vamos falar um pouco da política nacional atual. No governo Lula temos visto vários problemas de ética. É o uso de cartão corporativo, o dossiê e outros imbróglios. Você acha que a imprensa tem acompanhado bem estes casos?
 R – De modo geral, sim. Receio que deve ficar claro que cada jornal tem sua linha editorial, que pode dar em cada caso um enfoque diferente. O fato é que o governo parece uma máquina de arranjar problemas. E estes certamente viram notícias.




Na sua visão a imprensa cobre o governo Lula da mesma forma que cobria o governo FHC?
 R – Não acho que exista imprensa como um todo homogêneo. A Folha é diferente da Rede Globo, que é diferente do Estadão e por aí vai. Logo não dá para responder de forma generalizada. Não faz sentido por exemplo o PT se sentir “perseguido” pela imprensa. Na época do FHC tudo era noticiado também.




Em sua coluna do dia 21 você fala sobre o espetáculo no qual se tornou o caso Isabella Nardoni. Você acha que a culpa disto são os próprios jornais ou a própria demanda do público-leitor, que se fascina com o caso?
 R – A culpa maior, como escrevi, é da polícia que vaza informações antes de investigar. Esta execração pública beira a barbárie que podemos atribuir às informações vazadas de forma imprudente.


Na sua coluna do dia 31 de outubro de 2007 você comentou a escolha do Brasil como país-sede da Copa de 2014. Acha que o país tem preparo para sediar uma Copa? Quando a escolha foi anunciada, poucas vozes ecoaram na imprensa mencionando as possíveis dificuldades da realização de uma copa no Brasil.Ao que você atribui todo este oba-oba que foi feito pela imprensa?
 R –  Vimos em alguns veículos um clima de festa generalizada, mas ainda bem que o vírus da euforia não contaminou a todos. Eu, que cobri a escolha, não fiz um “oba-oba”. Nem o conjunto de textos da Folha.


Como você acha que está o mercado jornalístico atualmente, para quem sai da faculdade?
 R – O estudante de jornalismo deve sair um pouco da “glamourização da profissão”. Nem sempre o primeiro emprego é aquele que a gente mais cobiça. No início da carreira vale até trabalhar em um pequeno jornal de bairro, principalmente para adquirir experiência.


Nos cursos de jornalismo ainda se debate muito a questão do jornalismo ser um 4º "poder". Você acha que é?
 R – Não é nem nunca foi. O jornalismo pode influenciar os desdobramentos da sociedade, mas está longe de ser um “poder”.

Dilma no SBT




quarta-feira, 26 de maio de 2010

Blackmore´s Night - Under A Violet Moon

Equívocos sobre o jornalismo

Truman Capote: escritor e mestre do jornalismo literário

Em um blog pessoal, em uma coluna ou um editorial, o jornalista não tem nenhuma obrigação de ser imparcial. A imparcialidade é boa e necessária quando o jornalista vai redigir uma matéria ou elaborar uma reportagem para a TV.
A obrigação, ao menos em teoria, de ouvir todas as partes envolvidas existe quando estou por exemplo em um jornal, não no meu blog de opinião. Quem pensa o contrário talvez haja por completa ignorância e desinformação sobre o tema, o que eu não condeno. Afinal, ninguém que não tenha estudado jornalismo tem a obrigação de conhecer os conceitos teóricos de jornalismo ou de teoria da comunicação.
Se eu estou opinando em meu blog sobre um músico, não tenho nenhuma obrigação de publicar opiniões favoráveis a este, já que não estou fazendo uma matéria para um jornal e estou tão somente exercendo meu direito democrático de opinar, previsto por nossa boa Constituição Federal.

Se eu estivesse elaborando uma matéria sobre o músico A, aí sim deveria me ater aos fatos, ouvir talvez algumas opiniões de fãs e talvez de alguns críticos, além de contar de maneira satisfatória fatos sobre sua carreira. Porém quando estou falando o que eu penso em meu espaço, não tenho nenhuma obrigação de ouvir todas as partes, muito menos tenho que elogiar este músico se acho o trabalho dele uma grande porcaria. Talvez esteja na hora do público em geral saber que, em seu blog ou em sua coluna, o jornalista não tem obrigação nenhuma de ser imparcial, ou muito menos tentar agradar a todos.
Se o bom jornalista Juca Kfouri está falando em sua coluna que a escalação da seleção brasileira não é boa e que o Corinthians jogou mal, é sua opinião. Se ele está reportando os fatos sobre a convocação do Brasil ou contando ao leitor após a partida tudo o que aconteceu logo após o jogo, ele deve se ater o máximo possível aos fatos, evitando a parcialidade. Porém é bom deixar claro que a imparcialidade perfeita não existe.

Qualquer jornalista sempre vai se deixar influenciar por uma determinada palavra, que conduza o leitor para uma determinada opinião ou a própria estrutura do texto vai fazer isso. Os cortes feitos pelo editor na matéria do jornalista que foi para a rua apurar os fatos e redigiu a matéria também pode influenciar na imparcialidade.
Vira e mexe recebo algum comentário mal-criado, ofensivo e furioso de alguém que não gostou de minha opinião sobre o músico A, sobre o filme B ou sobre o político C. Ora, por acaso sou setorista do caderno de política da Folha? Se estivesse fazendo uma matéria sobre a Dilma ou o Serra e empregasse determinada palavra ou deixasse de ouvir as outras partes envolvidas no fato reportado, críticas seriam justas e o clamor por parcialidade seria aceitável. Mas se estou falando o que penso sobre os candidatos em meu blog, não tenho obrigação de tecer loas ou dar vivas a candidatos que não me agradam.
Paulo Henrique Amorim tem o direito de gostar do governo Lula e da candidata Dilma. Reinaldo Azevedo, da Veja, pode sem problemas discordar do que o presidente diz e criticar seu governo. Ambos são jornalistas, com carreiras consolidadas. Democraticamente posso concordar com as opiniões de Amorim e discordar do que fala Azevedo e não é pelo fato deles serem jornalistas que em seus blogs e eventuais colunas eles não poderiam expressar suas opiniões. Já vi ambos sendo criticados por darem opinião e supostamente não serem "imparciais" em seus blogs, mas como espero ter deixado claro, em seus sites pessoais eles têm o direito de falar o que pensam, sem necessariamente dar o mesmo espaço ou destaque para opiniões contrárias.


Espero que muitos leitores pensem e reflitam bastante, antes de bradarem ou gritarem escandalosamente por "imparcialidade", quando um jornalista está dando sua OPINIÃO e não elaborando uma reportagem acurada sobre os fatos.

Mike Oldfield - Guilty

Oposição se desespera e quer mentir a qualquer custo sobre o PT

Não demora muito e a turma da farofa tucana, à serviço da candidatura do Serra, tenta jogar mentiras no ventilador. Bastou por exemplo postar a notícia sobre o discurso confuso que tenta incriminar o PT no caso do Bancoop para já aparecerem os moleques de recados tucanos, tentando me ofender e mentir sobre o partido nos comentários do blog. Já falei e não adianta: Este blog não publica mentiras, ataques pessoais ou acusações calhordas e sem provas. Se não estão satisfeitos, vão chorar em outra freguesia.

Ateus Famosos

Depoimento contraditório marcou reunião da CPI da Bancoop

A CPI da Bancoop ouviu na reunião, desta terça-feira (25/5), três cooperados. Dois deles focaram o depoimento nos problemas e na disputa judicial entre associados e a cooperativa, provocada pela cobrança de valores residuais. Já o terceiro depoente inquirido pelos deputados foi Andy Roberto Gurczynska, cooperado e prestador de serviços de segurança para a Bancoop, que destacou suas relações de trabalho com os dirigentes da cooperativa..

Andy informou que iniciou seus trabalhos na área de segurança em 1994 e passou a prestar serviços de segurança patrimonial e pessoal na Bancoop a partir de 2002, quando abriu sua empresa ARG Segurança, encerrando a relação comercial em 2006.

Segundo Andy, o dirigente Luiz Malheiro (falecido em novembro de 2004, vítima de um acidente automobilístico) foi quem solicitou segurança pessoal por se sentir ameaçado por associados não satisfeitos com os serviços da cooperativa.

Outras vítimas do acidente de automóvel foram Alessandro Bernardino e Marcelo Rinaldo que, segundo Andy, também eram proprietários de empresas que prestavam serviços para a Bancoop. Andy Gurczynska disse à CPI que já recebeu seu imóvel, mas também questiona os valores cobrados pela cooperativa.

Depoimento cheio de contradições

Logo no início de seu depoimento Andy disse que se sentia perseguido e ameaçado, mas não explicitou e nem fez nenhum registro, boletim de ocorrência sobre os fatos e riscos que diz ter vivido. Por inúmeras vezes, foi inquirido pelos deputados, mas sempre se esquivou de mais esclarecimentos e caiu em várias contradições.

O depoente afirmou que foi por iniciativa própria ao Ministério Público Estadual e procurou o promotor José Carlos Blat, para quem informou as perseguições e o telefone grampeado.

Gurczynska disse aos deputados que presta serviços à prefeitura de Guarulhos e que já prestou também para a prefeitura da administração da ex- prefeita Marta Suplicy, mas omitiu cinco contratos com o governo do Estado, num total de R$ 1,6 milhão, com o IPESP, Nossa Caixa Desenvolvimento, DER, Prodesp e Fundação Pró-Sangue. Segundo dados apurados pela Bancada do PT, curiosamente os contratos foram firmados no final de dezembro de 2009, logo após o anúncio da instituição da CPI na Assembleia Legislativa.

O depoente afirmou que emitiu notas fiscais de prestação de serviços (três ou quatro, segundo ele) no valor de R$ 3.850,00 e, no entanto, foi depositado em sua conta R$ 38.500,00, e a diferença entre esses valores foi desenvolvida a diretores da Bancoop, citando os nomes de Alessandro Bernardino e Marcelo Rinaldo.

Questionado sobre se teria provas do que disse, Andy afirmou que sua prova é só sua palavra.

O líder da Bancada petista, Antonio Mentor, indagou Andy se ele reconhecia que praticava fraude fiscal pela emissão de notas fiscais com valores incorretos. O depoente reconheceu que sim, mas não acha que suas irregularidades também estariam prejudicando aos cooperados, inclusive a si próprio.

O deputado Vicente Candido, diante da irregularidade confessada pelo depoente, solicitou à presidência da CPI que seja verificada a situação da empresa de Andy junto ao Fisco municipal e federal.

Andy também afirmou que seu telefone foi grampeado e que soube disso porque um amigo policial verificou essa condição para ele. No entanto, se recusava a falar quem era esse amigo policial.

Antonio Mentor explicou que ele fez um juramento ao iniciar seu depoimento na CPI e que precisava falar quem era amigo, pois ao contrário estaria cometendo um crime. Diante disso, acabou revelando quem era a pessoa.

Por fim, Andy ainda disse que foi seguido por três veículos na rodovia D. Pedro, na altura de Jacareí. Primeiro afirmou que estava no sentido Jacareí, depois de contradisse que estava no sentido São Paulo.

“É um depoimento confuso, cercado de contradições, cheio de achismos, de ouviu dizer. É preciso cautela, pois tudo tem que ser provado”, explicou Mentor.

Cobrança de resíduos

O primeiro depoimento, nesta terça-feira, foi de Adalberto dos Santos Joaquim, que alega ter quitado em 2002 seu apartamento e contesta a dívida de R$ 32 mil apresentada pela Bancoop posteriormente. Segundo Adalberto, em meados de julho de 2003, soube que a Caixa Econômica Federal havia repassado para a cooperativa um total de R$ 11 mil de FGTS, enquanto a Bancoop reconhece apenas cerca de R$ 4 mil.

Indagado pelos deputados da base governista e petistas se havia tomado providências sobre a diferença de valores, procurando a Bancoop para apurar o que havia ocorrido, Adalberto foi categórico em afirmar que não buscou esclarecer o ocorrido e disse que tinha ido ao Ministério Público e prestado depoimento ao promotor José Carlos Blat.

O deputado Vicente Cândido chegou a sugerir que como as obras do empreendimento não foram concluídas a Caixa Federal poderia não ter repassado todo o recurso, pois só o faz de acordo com as medições da obra executada.

Questionado pelo deputado Vanderlei Siraque sobre a suposta apropriação indébita sugerida pela base governista, o depoente disse que não poderia afirmar e consentiu a quebra do sigilo de suas relações financeiras com a Bancoop e com a Caixa Econômica Federal.

O segundo depoimento do dia foi dado pelo associado Oscar Militão, que afirmou ter pago R$ 70 mil à Bancoop na aquisição de seu imóvel e também questionou os valores residuais de R$ 35 mil cobrados pela cooperativa.

Depoimento por procuração

Por último foi chamado para depor, Marcos Sérgio Migliacci, sendo qualificado pelo presidente da CPI como Conselheiro do Edifício Cachoeira. No entanto, a justificativa do requerimento aprovado para sua convocação descrevia-o como cooperado. O deputado Vanderlei Siraque questionou Marcos Sérgio, de fato, era cooperado. O depoente disse que não, e que sua mãe é quem é a cooperada, ele apenas tinha uma procuração para representá-la.

De imediato, o deputado do PT apresentou um requerimento pedindo a suspensão do depoimento, visto que a previsão era de se ouvir um cooperado, “além do mais não existe depoimento por procuração”, ressaltou Siraque.

Diante da irregularidade, o presidente da CPI não quis admitir o erro e aproveitou-se de um instante em que o deputado Siraque teve que deixar o plenário, para declarar que, por falta de quórum, a comissão deveria encerrar os trabalhos.


Fonte