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domingo, 31 de outubro de 2010

E agora, José?


DILMA ROUSSEFF É A 1ª MULHER PRESIDENTE DO BRASIL


É uma vitória da população brasileira, que decidiu por continuar o bom modelo de governo petista.
Não adiantou nada os fanáticos religiosos tentarem colocar o tema "aborto" na campanha, não adiantaram os vídeos caluniosos e criminosos de alguns pastores evangélicos ofendendo o Partido dos Trabalhadores e também não adiantou a campanha difamatória sistemática de veículos como a revista "Veja" e o jornal "O Estado de S. Paulo". Também saem derrotados os direitistas que criaram uma fábrica de boatos e calúnias contra Dilma nas redes sociais, como no orkut e no twitter.

Dilma terá maioria absoluta no Congresso e no Senado.  Não tenho dúvidas de que fará um excelente governo, turbinado em breve pelos dividendos do Pré-Sal  e pegando a onda da boa fase da economia do Brasil. Mais pessoas sairão da miséria, a indústria se fortalecerá cada vez mais e o país poderá investir em tantas obras importantes da infraestrutura. O Brasil deu o recado: não queremos o modelo falido, ineficaz e corrupto do PSDB.

Parabéns ao povo Brasileiro, à primeira presidente de nossa história e ao Partido dos Trabalhadores.

Acompanhe e veja o resultado da eleição presidencial no site do TSE

http://divulgacao.tse.gov.br/

sábado, 30 de outubro de 2010

Iron Maiden - Mother Russia

Porque Dilma governará o Brasil de 2011 à 2015



Fonte: Istoé

Lula no movimento das "Diretas já"

Amanhã é o dia da primeira mulher presidente do Brasil







Amanhã, vamos ter que escolher entre dois modelos de governar. De um lado, temos o PSDB, com um modelo falido de gestão, que dá pouca ou nenhuma atenção ao social, não investe em infraestrutura e emprega mal o dinheiro público. De outro lado, o PT, com um presidente que atinge atualmente 83%  de aprovação em seu governo.
Lula levou uma grande parcela da população à universidade, seja com o Prouni ou com as 214 universidades federais que construiu. Criou programas excelentes de distribuição de renda, como o Bolsa-Família. Criou um "colchão de ar" na economia, ou seja, uma base sólida de reservas internacionais que protegeu o país da crise internacional. Diminuiu a miséria, incentivou fortemente todos os setores da indústria e permitiu que o brasileiro consumisse e pudesse pagar suas dívidas. Com o "Minha casa, minha vida", deu dignidade à milhões de famílias, com a casa própria. O governo petista também investiu fortemente em pesquisa científica, tanto é que o país atualmente lidera os pedidos de patentes no mundo todo.
Dilma esteve ao lado de Lula em todo este processo. Fosse no Ministério de Minas e Energia, evitando o racionamento de energia (uma das marcas do PSDB, em 2001), na Casa Civil coordenando programas importantes do governo ou no conselho de administração da Petrobras, tendo grande parte de crédito pelos investimentos recentes na empresa que propiciaram as descobertas do Pré-Sal, que levarão o Brasil ao patamar de grande exportador de petróleo.

Qualquer que seja a classe social, votar em Dilma só traz benefícios., Desde ao trabalhador mais humilde ao maior empresário, a continuidade do governo Lula através de Dilma Rousseff é a garantia de que o país seguirá avançando.
Por isto, neste domingo, os brasileiros votarão 13.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Volto em breve

Caros leitores e leitoras:
Volto a postar com assiduidade em breve, estou cuidando de alguns problemas particulares.
Abraços

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Sony anuncia fim da venda do walkman no Japão

A gigante da eletrônica Sony confirmou nesta segunda-feira (25) que não venderá mais walkman para fitas cassete no Japão, 31 anos depois do lançamento do produto que modificou a vida cotidiana de pessoas em todo o mundo.

Qualificado pela Sony de "produto do século", o walkman (originalmente um reprodutor de música para fita cassete com fones de ouvido fabricado na China) continuará sendo comercializado no exterior.

As vendas devem cessar no Japão ao fim do estoque de modelos já entregues às lojas.

Em três décadas, a Sony afirma ter vendido mais de 220 milhões de walkman em todo o planeta.

Com a obsolescência da fita cassete, a marca walkman permanece viva nos modelos digitais para Compact Disc (CD), Mini-disc (MD), discos rígidos e pen drives.

Debate: Dilma ganhou e Serra perdeu até para ele mesmo



Dilma foi bem neste debate e venceu sem muito esforço.

Ela não estava cansada como no último debate, seguiu a estratégia de falar com o telespectador, recusou provocações, foi firme e propositiva, foi convincente no que disse, deu nó em Serra em vários momentos, denunciando quando estava enrolando e mentindo. E evitou as picuinhas, se fixando no PAC, pré-sal e empregos, principalmente.

Serra perdeu até para ele mesmo. Exagerou na agressividade, foi uma pessoa extremamente desagradável para o telespectador, parecendo aquela visita mal educada em sua casa, que numa conversa onde há controvérsia, em vez de argumentar, quer vencer no grito, e com ofensas à outros visitantes.

O telespectador viu em Serra uma pessoa desequilibrada, parecendo estar com os nervos abalados, à beira do descontrole.

Dilma foi nota 10 no quesito emprego. E Serra caiu na armadilha de não responder mais uma vez, mesmo Dilma incluindo na pergunta, a observação que ele não respondia esta pergunta nos outros debates. O telespectador percebeu que ele novamente fugir da pergunta. Só respondeu quando Dilma voltou a perguntar pela segunda vez neste mesmo debate.

Dilma foi ótima no pré-sal. Serra foi tão patético em acusar Dilma de privatista quanto Alckmin em 2006 quando acusou Lula de privatizar a Amazônia. Dilma foi muito bem na defesa do PAC.

E Serra cometeu alguns erros fatais em debates: mentiu sobre fatos e números. Tivéssemos uma imprensa imparcial, e ele teria se tornado carta fora do baralho amanhã, só com o noticiário, análises e desmentidos do que ele disse. Como a imprensa é serrista, as mentiras serão relevadas à segundo plano.

Serra capotou feio ao dizer que o pré-sal (onde há certeza de ter petróleo) e áreas de risco (onde não há certeza, pode perfurar e não encontrar) são a mesma coisa. Também mostrou desconhecimento ao não distinguir petróleo pesado, do petróleo leve do pré-sal (mais caro).

Ele despertou desconfiança no telespectador, pareceu querendo enganar o eleitor, por estar de rabo-preso com os interesses estrangeiros. Ele pareceu defender os interesses estrangeiros, usando o argumento patético de que Dilma e Lula teriam feito a mesma coisa.

O telespectador o enxergou como um político safado tentando enganá-lo ou alguém muito mal informado (e para um assunto dessa importância do pré-sal é imperdoável para um candidato à presidente ser mal informado).

As mentiras gravíssimas de Serra, foram:
- não distinguir as diferenças em leilões de blocos de risco, do pré-sal onde quase não há risco;
- Negar que o governo FHC cogitou mudar o nome de Petrobras para PetrobraX;
- Negar que o DEMos entrou com ação no STF contra o PROUNI;
- Desqualificar obras do PAC, como a refinaria Abreu e Lima;
- querer crédito pela integração da Bacia do São Francisco, quando o governo FHC enrolou para levar adiante, devido a contrariedade de Paulo Souto, então governador da Bahia;
- inventar que gerou 1 milhão de empregos com Ministro da Saúde. Ele demitiu gente em massa, como os mata-mosquitos, congelou concursos e carreira profissional no serviço público, sucateou a rede pública.
- Se contradisse, ao dizer que vai vigiar fronteiras e debochou de soluções técnicas da própria Polícia Federal, como os aviões não tripulados. Serra foi infeliz em chamar pejorativamente de discos voadores.
- Foi muito mal quando disse que os 15 milhões de empregos gerados eram só regularização com carteira assinada. Todo mundo sabe que empregos estão mais fáceis no governo Lula. E pegou mal ao admitir que no governo de FHC e Serra, a fiscalização do trabalho era frouxa;
- Mentiu na reforma agrária, dizendo que fez mais do que no governo Lula;
- foi patético ao querer acusar Dilma, principal ministra do governo Lula, de não dar atenção ao Nordeste; é o tipo de argumento que em vez de agradar, faz perder votos, de tão sem-noção.

Nas acusações de escândalos, Dilma deu respostas para o telespectador, enfrentou o problema de frente. Serra deixou sem resposta, se limitando a atacar os outros. Perdeu votos, não foi convincente, reforçou a idéia de que tem rabo preso com Paulo Preto.

Dilma só perdeu algumas oportunidades de detonar Serra em alguns temas, como banda larga, porque a privataria que ele deixou foi um modelo de banda larga cara e elitista, que a recriação da Telebras está tendo que consertar. E também que foi o governo FHC que criou a confusão com a Eletronet ao privatizá-la mal e porcamente.

Outro momento que poderia ter detonado foi na segurança pública, podendo lembrar da corrupção do DENARC e do secretário-adjunto de Segurança Pública, e da guerra de policiais que Serra promoveu.

Quando Serra falou que criou 1 milhão de empregos no Ministério da Saúde (êta mentira mal contada), bastaria lembrar da demissão dos mata-mosquitos, se bem que nesta hora ela não tinha direito à réplica.

Quando Serra esbraveja ser honesto e acusava Dilma, ela poderia ter falado sobre a folha corrida de 17 processos que ele próprio declarou ao TSE, e que ela tem ZERO. Talvez tenha guardado essa resposta para o debate da Globo.

Mas debates com regras rígidas, sempre acontece isso. Não dá tempo para dizer tudo o queria, e acaba tendo que escolher o que responder.

Os amigos do Presidente Lula

Fraude bilionária no governo Serra

Resultado de licitação do metrô de São Paulo já era conhecido seis meses antes
RICARDO FELTRIN
DE SÃO PAULO


A Folha soube seis meses antes da divulgação do resultado quem seriam os vencedores da licitação para concorrência dos lotes de 3 a 8 da linha 5 (Lilás) do metrô.

O resultado só foi divulgado na última quinta-feira, mas o jornal já havia registrado o nome dos ganhadores em vídeo e em cartório nos dias 20 e 23 de abril deste ano, respectivamente.

A licitação foi aberta em outubro de 2008, quando o governador de São Paulo era José Serra (PSDB) –ele deixou o cargo no início de abril deste ano para disputar a Presidência da República. Em seu lugar ficou seu vice, o tucano Alberto Goldman.

O resultado da licitação foi conhecido previamente pela Folha apesar de o Metrô ter suspendido o processo em abril e mandado todas as empresas refazerem suas propostas. A suspensão do processo licitatório ocorreu três dias depois do registro dos vencedores em cartório.

O Metrô, estatal do governo paulista, afirma que vai investigar o caso. Os consórcios também negam irregularidades ou “acertos”.

O valor dos lotes de 2 a 8 passa de R$ 4 bilhões. A linha 5 do metrô irá do Largo 13 à Chácara Klabin, num total de 20 km de trilhos, e será conectada com as linhas 1 (Azul) e 2 (Verde), além do corredor São Paulo-Diadema da EMTU.

VÍDEO E CARTÓRIO

A Folha obteve os resultados da licitação no dia 20 de abril, quando gravou um vídeo anunciando o nome dos vencedores.

Três dias depois, em 23 de abril, a reportagem também registrou no 2º Cartório de Notas, em SP, o nome dos consórcios que venceriam o restante da licitação e com qual lote cada um ficaria.

O documento em cartório informa o nome das vencedoras dos lotes 3, 4, 5, 6, 7 e 8. Também acabou por acertar o nome do vencedor do lote 2, o consórcio Galvão/ Serveng, cuja proposta acabaria sendo rejeitada em 26 abril. A seguir, o Metrô decidiu que não só a Galvão/Serveng, mas todas as empresas (17 consórcios) que estavam na concorrência deveriam refazer suas propostas.

A justificativa do Metrô para a medida, publicada em seu site oficial, informava que a rejeição se devia à necessidade de “reformulação dos preços dentro das condições originais de licitação”.

Em maio e junho as empreiteiras prepararam novas propostas para a licitação. Elas foram novamente entregues em julho.

No dia 24 de agosto, a direção do Metrô publicou no “Diário Oficial” um novo edital anunciando o nome das empreiteiras qualificadas a concorrer às obras, tendo discriminado quais poderiam concorrer a quais lotes.
Clique na imagem para ver o tamanho da FRAUDE

Folha de SP

domingo, 24 de outubro de 2010

A relação entre as privatizações, o papel do Estado e o apagão no governo FHC


Venda de empresas do setor, além de sucateamento causado por falta de investimentos, gerou quadro caótico. Para reverter a situação, governo Lula teve que qualificar e intensificar a ação estatal.

Por Glauco Faria
[16 de outubro de 2010 - 13h10]
Há pouco tempo o jornal Folha de S.Paulo virou motivo de piada no Twitter ao dar manchete em uma edição de domingo na qual que atribuía à Dilma Rousseff a responsabilidade pelo consumidor ter pago R$ 989 milhões a mais do que deveria entre 2002 e 2007 por conta da tarifa social de energia. A argumentação do periódico caía por terra quando se constatava que a lei havia sido criada no governo FHC e ali o jornal perdeu a oportunidade e o gancho pra discutir a gestão do setor elétrico durante os oito anos de tucanato. Os prejuízos foram bem maiores.


Tomemos como base um outro relatório do mesmo Tribunal de Contas da União (TCU), órgão que fundamentou a matéria do diário paulistano. O mesmo calculou que o consumidor residencial arcou, por meio de repasse tarifário, com 60% do prejuízo total do apagão de energia que o Brasil sofreu em 2001 e 2002. Isso correspondeu à soma de R$ 27,12 bilhões à época, o que, em valores corrigidos, seriam R$ 45,2 bilhões em 2009. Outros R$ 18 bilhões foram custeados diretamente pelo Tesouro Nacional, ou seja, também pelo cidadão.
Mas é bom lembrar que existiram prejuízos de outra ordem. O racionamento fez com que a atividade econômica despencasse. A taxa de crescimento do PIB caiu de 4,3%, em 2000, para 1,3%, em 2001, tendo como consequências, entre tantas outras negativas, o desemprego e a queda da arrecadação. Mas o importante, para efeito de comparação entre os dois projetos que se enfrentam no segundo turno dessas eleições, é lembrar porque essa crise eclodiu.
Na época, a culpa era atribuída à falta de chuvas. O nível dos reservatórios que abasteciam o complexo hidrelétrico brasileiro havia baixado a níveis críticos no fim de 2000, no entanto, essa redução vinha ocorrendo desde 1997 e nada foi feito. E o governo sabia da urgência. Um relatório elaborado pela Comissão de Análise do Sistema Hidrotérmico de Energia Elétrica, em 2001, constatou que a a crise teria sido evitada caso as obras identificadas nos planos decenais da Eletrobrás tivessem sido plenamente executadas, no tempo devido.
Mas por que o governo não agiu a tempo? Pelas normas estabelecidas depois dos diversos acordos firmados com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o uso de recursos públicos era tratado de maneira igual, fosse gasto ou investimento, e era tolhido. Isso atava as mãos das estatais, mesmo daquelas que tinham resultados econômicos positivos e capacidade para investir com recursos próprios. Também não era permitido ao BNDES emprestar recursos a elas, ainda que, paradoxalmente, a mesma agência de fomento tenha sido fundamental para financiar e assegurar a privatização ocorrida no setor.
Na verdade, a privatização no setor de geração de energia não teve como objetivo principal a expansão da capacidade de produção, o que se privilegiou nesse processo foi a venda dos ativos existentes para os novos agentes, que compraram unidades de produção de eletricidade já instaladas. O marco regulatório implantado à época ajudou a criar um ambiente de incertezas que não incentivava a realização de novos investimentos.
Retomada do Estado
Pode-se ver que a situação, quando Lula assumiu em 2003, era das piores. As distribuidoras estavam em situação financeira difícil por conta do racionamento que derrubou a demanda, causando um elevado endividamento. Ao mesmo tempo, as empresas geradoras, a maior parte estatais, estavam insatisfeitas com a perspectiva de descontratação de energia e também sofriam com a queda da demanda, trabalhando em um ambiente de sobre-oferta.
Assim, foi necessário reforçar e qualificar a ação estatal. Estabeleceu-se um novo marco regulatório que dava estabilidade ao setor e garantia a expansão, promovendo a possibilidade de universalização dos serviços de energia elétrica. E isso só foi possível porque as empresas geradoras e transmissoras do grupo Eletrobrás (Furnas, Chesf, Eletronorte e Eletrosul) foram retiradas do Plano Nacional de Desestatização (PND) e puderam voltar a realizar investimentos. Foi preciso recuperar também empresas, por meio da atuação da Eletrobrás, que estavam sucateadas e não tinham entrado no rol da privatização por não terem mercado, como as dos estados do Acre, Rondônia, Amapá, Amazonas, Roraima, Alagoas e Piauí.
O depoimento do diretor de Engenharia da Eletrobrás, Valter Luiz Cardeal, é elucidativo em relação ao que acontecia nas gestões anteriores. Segundo ele, cada empresa que integrava o sistema “andava sozinha”, não havia uma coordenação que caracterizasse de fato uma holding. Além disso, ao contrário do discurso adotado por José Serra nessa campanha, havia uma grande apropriação política e foi preciso retomar essas empresas e estabelecer um só comando. Foram dispensados 36 “diretores políticos” e estabelecidas normas para buscar o aperfeiçoamento da governança e a reabilitação de negócios e distribuição de energia.
Hoje, a Eletrobrás é a décima maior empresa do setor no mundo e, ao mesmo tempo que é uma holding de capital aberto voltada para o gerenciamento do setor elétrico também atua como uma agência de desenvolvimento que operacionaliza e participa de alguns dos principais programas sociais do governo, como o Luz para Todos, o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) e o Reluz.
O resultado de toda essa reorientação também pôde ser visto, por exemplo, em 2006, quando o Sul do país enfrentou a maior seca dos últimos 60 anos e mesmo assim não houve problemas de abastecimento. A situação foi contornada porque o Brasil duplicou a capacidade de transmissão de energia entre o Sul e o Sudeste, que pôde mandar energia para a região vizinha. Dessa vez, São Pedro não precisou ser responsabilizado pelas mazelas de um Estado ausente.
Esse artigo foi escrito a partir de trechos do livro O governo Lula e o novo papel do Estado brasileiro(Fundação Perseu Abramo), disponível aqui.

É o fim do braile?


Tecnologias facilitam acesso dos cegos ao conhecimento, mas os afastam da leitura pelo tato

Rodrigo Cardoso
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ATUAL 
Giovany Oliveira: computador e braile 
Até dezembro, todos os 4.300 alunos com cegueira total do ensino fundamental e médio matriculados nas escolas pú blicas do País irão receber um laptop com um sintetizador de voz que lê para eles o texto da tela. Dois mil já foram beneficiados e navegam nessa possibilidade, segundo o Ministério da Educação (MEC). Em fevereiro, mais tecnologia será despejada na carteira dos estudantes cegos que cursam do 6º ao 9º anos: uma coleção de 380 obras didáticas no formato digital Daisy. Abreviação para Sistema Digital de Acesso à Informação, a solução tecnológica batizada aqui de Mecdaisy permite ao aluno interagir com o livro digital, podendo pausar, pular ou retornar às páginas e capítulos, anexar anotações aos arquivos da obra e exportar o texto para impressão em braile, o sistema de códigos que possibilitou aos deficientes visuais o acesso à escrita e à leitura a partir do século XIX.
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Embora o braile ainda seja defendido e aplicado pelas instituições de ensino durante a alfabetização, já há correntes de educadores que temem um afastamento dos estudantes com cegueira da leitura feita com os dedos por conta desses dispositivos tecnológicos (leia à pág. 78). “Está ocorrendo uma desbrailização”, afirma o professor de geografia e história Vítor Alberto Marques, do Instituto Benjamin Constant, entidade pioneira para cegos no Brasil. “A criança acha chato ler em braile e está migrando para outras tecnologias”, diz ele.
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O problema foi discutido na convenção anual que a Federação Nacional dos Cegos dos Estados Unidos realizou no ano passado. No evento, painéis com o slogan “ouvir não alfabetiza” foram espalhados para chamar a atenção para um dado alarmante: 90% das crianças americanas com deficiência visual estão crescendo sem aprender a ler e a escrever, segundo o vice-presidente da organização, Fredric Schroeder. Isso ocorre porque estão escravas de inovações como serviços telefônicos que leem jornal e leitura em voz alta de e-mails. “Essas tecnologias promovem um tipo passivo de leitura. Só por meio do braile o cérebro do deficiente visual absorve letras, pontuação e estrutura de textos”, defende Schroeder.
Mas o fato é que, hoje, o braile não reina mais sozinho na sala de aula. No Instituto de Cegos Padre Chico, em São Paulo, que possui 99 alunos carentes e segue a cartilha da Secretaria de Educação do Estado, os estudantes encaram, antes da alfabetização, exercícios que os preparam para o mundo digital. “Incentivamos a utilização do braile por meio de concursos de redação e de leitura”, diz a professora de informática Cynthia Carvalho. “Mas o contato com o computador, entre outras coisas, coloca a pessoa com cegueira em um patamar de igualdade.” Aluno do 5º ano do ensino fundamental, Giovany Oliveira, 11 anos, mostra, com as mãos no teclado, um pouco da sua desenvoltura no computador. O garoto digita na tela que nasceu sem visão e indica as teclas que o permitem ler, por meio de uma voz que sai da caixa de som, palavra por palavra ou a sentença toda. “No computador eu leio escutando. E o braile é legal porque aprendo como se escreve a palavra”, compara.
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O Mecdaisy fará parte do currículo escolar, oficialmente, em 2011, para jovens matriculados a partir do 6º ano. Esse software sonoro de livro digital, porém, só será aplicado nas disciplinas de português, história, geografia, ciências, e línguas estrangeiras. Matemática, física e química, por conta dos símbolos gráficos, seguem sendo ensinadas apenas em braile. Crianças matriculadas até o 4º ano receberão material didático só em braile. Para a deficiente visual Martinha Clarete Dutra dos Santos, diretora de políticas de educação especial do MEC, audiolivros, leitores de tela e livros digitais são, no Brasil, ferramentas complementares no processo de aprendizagem do deficiente visual. “A tecnologia é um elemento de inclusão social no País”, diz. “Mas é preciso cuidado para que não haja uma desbrailização por conta dá má utilização dessas inovações”, pontua Moysés Bauer, presidente da Organização Nacional dos Cegos do Brasil.
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“A tecnologia é um elemento de inclusão social”Martinha dos Santos, diretora de políticas de 
educação especial do MEC
Na convenção da federação dos cegos americanos circularam histórias de crianças que não sabiam o que era um parágrafo, que questionavam o porquê das letras maiúsculas ou o porquê de a expressão “felizes para sempre” ser composta por palavras separadas.
Foram prejudicadas, segundo Schroeder, pelo vício de somente ouvir o que um software reproduz. “Essas tecnologias são sinal de progresso?”, indaga. O estudante Giovany, ao ser perguntado se ainda gostava de ler em braile, confessou, sussurrando: “Todo dia, das 17h às 18h30, tenho de ler um livro em braile para minha mãe. A psicóloga me pediu.” Após descobrir as maravilhas do computador, o garoto não queria saber de outra coisa e dava escândalo se alguém o contrariasse. Um trato, então, foi feito para colocá-lo na linha e manter o gosto pelo braile. Giovany ganhou um computador e só pode usá-lo se cumprir uma rotina de leitura pelo tato. É preciso cuidar para que o desenvolvimento tecnológico não atrapalhe a alfabetização da pessoa com deficiência visual.

Proposta de dois professores de Serra é falha e fracassada





Para educadores, proposta de José Serra não é 100% eficaz na alfabetização e é de difícil implantação nacional

José Serra (PSDB) diz que, se eleito presidente, colocará dois professores em todas as turmas de 1º ano (antiga pré-escola) das escolas públicas.

A ideia é que, enquanto o primeiro professor dá a aula, o segundo percorra a sala ajudando individualmente os alunos com mais dificuldade. Serra argumenta que assim se assegura a plena alfabetização das crianças.

No entanto, especialistas em educação veem dois problemas na promessa de José Serra
Resultado de ideia depende de relação com estagiário

Primeiro, é difícil implantar o segundo professor em todo o país. Depois, o programa por si só não é garantia de que os alunos aprenderão de fato a ler e escrever.

A implantação nas cerca de 110 mil turmas de 1º ano é pouco provável porque a grande maioria das escolas públicas de nível fundamental pertence às prefeituras. O presidente não pode obrigar os prefeitos a contratar um segundo professor.

"Cada município tem autonomia", explica Carlos Roberto Jamil Cury, ex-presidente do Conselho Nacional de Educação.

O segundo professor já está nas escolas estaduais de São Paulo e nas municipais da capital paulista, mas por decisão do governo e da prefeitura -quando Serra foi respectivamente governador (2007) e prefeito (2006).

A campanha do PSDB diz que Serra oferecerá incentivos financeiros para que as prefeituras e os Estados adotem o programa federal.

Verbas, entretanto, não garantem a adesão automática. Na saúde, por exemplo, apesar de o governo federal custear a implantação de UPAs (prontos-socorros), prefeitos e governadores rejeitam a verba -não querem programa com a marca do partido rival.

ESTAGIÁRIO

O segundo professor é, na realidade, um estudante de letras ou pedagogia -um estagiário. Em São Paulo, ele recebe uma bolsa mensal de R$ 500 e, em alguns casos, auxílio-transporte de R$ 100.

O alcance nacional prometido por Serra também é limitado pelo fato de não haver faculdade de letras ou pedagogia em todas as cidades.

Em Santa Catarina, para que cada turma do 1º ano tenha estagiário, cerca de 50% dos universitários terão que ser recrutados. No país, são necessários 15% dos alunos.

Em termos pedagógicos, a crítica é que a simples presença do estagiário não assegura a alfabetização. O aluno de letras, ao contrário do de pedagogia, geralmente não vê na faculdade lições de alfabetização, aponta a professora Stella Bertoni, da UnB.

"CIUMEIRA"

Além disso, há a possibilidade de não haver um bom relacionamento entre professor e estagiário. O professor pode sentir sua autoridade ameaçada, e o estagiário pode querer impor as técnicas de ensino da faculdade.

"Vai haver ciumeira, atrito", diz Onaide Schwartz, professora da Unesp.

Por fim, corre-se o risco de, em ausências do professor, o estagiário ser escalado para assumir a turma. "Ele não pode se responsabilizar por uma sala. Ainda é estudante", afirma Maria Regina Maluf, da PUC-SP e da USP.


Para educadores, proposta ideal seria diminuição de alunos por sala

Para educadores, a melhor promessa que um candidato à Presidência pode fazer pela alfabetização é reduzir o número de crianças por sala.

No Brasil, cada sala do ensino fundamental tem 27 alunos em média -algumas chegam a 40. Na Europa, 20.

"Não gosto dos dois professores. Você dá um dinheirinho para o universitário e ele faz o estágio na escola. É uma coisa barata", afirma Maria Regina Maluf, professora da PUC-SP e da USP.

"É mais barato que medidas primordiais como dividir as salas lotadas e formar e contratar mais professores".

João Batista Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto, concorda: turmas reduzidas vão melhor porque o docente trabalha dificuldades do aluno individualmente.

Onaide Schwartz, da Unesp, diz que os dois professores impressionam a população em geral. "Mas eu, que trabalho com alfabetização há 25 anos, acho uma promessa ridícula, absurda."

Segundo ela, a alfabetização precisa de salas com 25 alunos no máximo, professores bem formados -há docentes que nem sequer acabaram o ensino médio- e material didático adequado. "Do contrário, alunos seguirão chegando analfabetos ao fim do ensino fundamental."

Segundo levantamento do Instituto Paulo Montenegro, 24% dos adultos que estudaram entre a 5ª e a 8ª série são analfabetos funcionais (não entendem aquilo que leem).

| "Não gosto dos dois professores. Você dá um dinheirinho para o universitário e ele faz o estágio na escola. É mais barato que medidas primordiais como dividir as salas lotadas e formar e contratar mais professores"
Maria Regina Maluf - professora da PUC-SP e da USP

http://www.folha.uol.com.br/

Soninha, a nepotista:Empregar parentes é algo honesto?

Serra mente ao afirmar que governo do PT entregou o Pré-Sal

Quando estamos perdendo, vale-tudo. Este é o lema do PSDB nestas eleições. Os tucanos, aliados à imprensa golpista, já tentaram de tudo para pautar estas eleições de forma suja: emails falsos, aborto, fita crepe…
Mas Serra foi desmascarado por Dilma em um dos debates. Graças à dupla Dilma e Lula, o Brasil soube da sanha privatista dos tucanos. Como não tinham do que se defender, Serra e sua turma resolveram acusar Dilma da mesma coisa: privatizar o Pré-Sal.
Há poucos dias, um comercial na TV mostra falsamente que o governo do PT entregou o petróleo daquela região para empresas nacionais e estrangeiras. Ao final, o locutor cobra explicações de Dilma.
Os modelos do PT e PSDB são completamente diferentes. Na era FHC, os tucanos quizeram vender o patrimônio brasileiro, incluída aí a Petrobras:
O que Dilma e Lula fazem é diferente. O que existe é um sistema de parcerias, que claramente mostra os ganhos para o estado de bem-estar social petista. Trata-se de um projeto e uma empresa criados pelo presidente Lula com o nome de Petro-Sal. Veja o projeto aprovado da Petro-Sal e os meus grifos, depois tire as suas próprias conclusões sobre o que é melhor para o país:
projeto de Lei da Câmara (PLC) 309/09, de autoria da Presidência da República (PL 5939/09), cria a Petro-Sal, empresa que será responsável pela gestão de contratos de partilha de produção e comercialização de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos na área do pré-sal , sob um novo modelo de partilha proposto pelo governo. A empresa não terá envolvimento na exploração das jazidas de petróleo, nem na produção e comercialização dos produtos.
Esse é um dos quatro projetos do Executivo que tratam do novo marco regulatório para a exploração do petróleo na área do pré-sal, lançado pelo governo no dia 31 de agosto de 2009. De acordo com a proposta, o Executivo fica autorizado a formar essa empresa pública sob a forma de sociedade anônima, denominada Empresa Brasileira de Administração de Petróleo e Gás Natural S.A, vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), com prazo de duração indeterminado.
Uma das competências da empresa é gerir os contratos de partilha de produção celebrados pelo MME, representando a União nos consórcios formados, defendendo interesses da União nos comitês operacionais e avaliando tecnicamente os planos de exploração e produção de petróleo, entre outros quesitos. O modelo de contrato de partilha é disciplinado pelo Projeto de Lei da Câmara (PLC) 16/10 (proveniente do PL 5938/09), e permite à União ficar com parte da produção que exceder aquela usada para ressarcir os custos de exploração da empresa vencedora da licitação. O ressarcimento somente ocorrerá se houver viabilidade comercial.
Caberá também à Petro-Sal decidir sobre a gestão dos contratos para a comercialização de petróleo, gás natural e hidrocarbonetos; analisar dados sísmicos fornecidos pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP); e representar a União nos procedimentos de individualização da produção e nos acordos decorrentes, nos casos em que as jazidas da área do pré-sal e das áreas estratégicas se estendam por áreas não concedidas ou não contratadas sob o regime de partilha de produção. Pelo projeto, fica dispensada a licitação para a contratação da Petro-Sal pela administração pública.
A Petro-Sal terá sede e foro em Brasília e escritório central no Rio de Janeiro. O capital social da empresa será representado por ações ordinárias nominativas, integralmente sob a propriedade da União. A integralização do capital social será realizada com recursos de dotações consignadas no orçamento da União, bem como pela incorporação de qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro.
Recursos
O governo listou sete fontes de recursos para a Petro-Sal, uma das quais terá origem nas rendas geradas pelos contratos de partilha de produção, inclusive a parcela relativa ao bônus de assinatura referente a esses contratos.
Esse bônus é o valor pago pela concessionária vencedora de licitação para exploração do petróleo e outros produtos afins, no ato da assinatura do contrato, para que possa realizar suas atividades de pesquisa e exploração. Seu valor mínimo é fixado pela ANP no edital de licitação. A remuneração pela gestão dos contratos de partilha será estipulada, segundo o projeto, em função das fases de cada contrato e das dimensões dos blocos e campos de petróleo.
As demais fontes de recursos da empresa são: rendas da gestão dos contratos celebrados com agentes comercializadores de petróleo e gás natural da União; recursos vindos de acordos e convênios que realizar com entidades nacionais e internacionais; rendimentos de aplicações financeiras; alienação de bens patrimoniais; doações e subvenções de empresas públicas e privadas; e rendas de outras fontes.
De acordo com o projeto, a Petro-Sal terá regime jurídico semelhante ao das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tributárias. A empresa será dirigida por um conselho de administração e uma diretoria executiva, cujos integrantes serão nomeados pelo presidente da República.
Quatro conselheiros serão indicados pelo MME, Casa Civil e Ministérios da Fazenda e do Planejamento, Orçamento e Gestão. O quinto conselheiro será indicado pelo diretor-presidente da Petro-Sal. O presidente desse conselho será o indicado pelo MME, e todos os conselheiros terão período de gestão de quatro anos, admitida uma recondução.
O projeto trata ainda da composição e funcionamento do conselho fiscal da empresa, contratação de pessoal técnico por tempo determinado, funções, encargos e atribuições de pessoal. O regime para a contratação de pessoal será o da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), condicionada à aprovação em concurso público.
Um ato do Poder Executivo deverá aprovar o estatuto da Petro-Sal, que fixará o número máximo de empregados e o de funções e cargos de livre provimento. A empresa está também autorizada a patrocinar entidade fechada de previdência complementar, e ficará sujeita à supervisão do MME e à fiscalização da Controladoria-Geral da União e do Tribunal de Contas da União (TCU).
Mudanças
A principal mudança aprovada na Câmara com relação ao projeto original do Executivo é o estabelecimento de quarentena de quatro meses para os integrantes da diretoria-executiva que deixarem a empresa. Durante esse período, eles não poderão prestar, direta ou indiretamente, qualquer tipo de serviço a empresas do setor de petróleo no país, mas continuarão a receber a remuneração do cargo anteriormente ocupado.
O texto aprovado pela Câmara também condicionou a aprovação das decisões da diretoria-executiva da empresa à obtenção de maioria absoluta, com a presença de, no mínimo, três quintos dos seus integrantes.
Os deputados aprovaram ainda emenda para fixar em quatro anos os mandatos dos conselheiros da Petro-Sal, admitida uma recondução. Outra emenda incorporada ao projeto determina que as demonstrações contábeis da empresa sejam conferidas por auditores independentes.
O relator da matéria na Câmara, deputado Luiz Fernando Faria (PP-MG), apresentou emenda, também aprovada, que exige a divulgação das demonstrações financeiras da empresa na internet ao fim de cada ano.

Programa de Dilma Rousseff-23/10-noite

Novo jingle do Serra

Secretário de Justiça nega ter recebido pedidos de dossiês

O secretário Nacional de Justiça, Pedro Abramovay, negou "peremptoriamente", por meio de nota divulgada neste sábado, ter recebido de qualquer autoridade do governo Lula, pedidos para confeccionar ou ajudar na montagem de dossiês contra quem atravessasse os interesses do Palácio do Planalto. Abramovay levantou dúvida sobre a origem e a legalidade das conversas gravadas, publicadas pela revista Veja na edição deste fim de semana, e negou também ter participado de grupos de inteligência de campanhas petistas.

Conforme a revista, os diálogos foram "gravados legalmente" no início deste ano. As gravações foram periciadas, a pedido de Veja, pelo especialista Ricardo Molina, que atestou não terem sofrido modificações. As conversas teriam ocorrido no gabinete do ex-secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Jr., que foi afastado do cargo em junho passado, acusado de envolvimento com um chefe da máfia chinesa que atua em São Paulo. Tuma Jr. foi substituído por Abramovay.

A Veja não dá detalhes sobre quem fez as gravações, fazendo supor que tenha sido o próprio Tuma Jr.. "Infelizmente a revista se recusou a fornecer o conteúdo da suposta conversa ou mesmo a íntegra de sua transcrição", lamentou Abramovay.

No trecho mais comprometedor da fita, o atual secretário Nacional de Justiça reclama que não aguentava mais receber pedidos da então ministra-chefe da Casa Civil, hoje candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, e de Gilberto Carvalho, chefe de gabinete da Presidência, para fazer dossiês.

Ainda na transcrição da fita, Abramovay alega também que quase foi "preso como um dos aloprados", numa referência ao episódio ocorrido nas eleições de 2006, em que um grupo de petistas foi detido com uma mala de dinheiro, num hotel, quando tentava comprar dossiê falso contra o tucano José Serra, que concorria na época ao governo de São Paulo. Na nota divulgada hoje, Abramovay afirmou que nunca participou de "supostos grupos de inteligência em nenhuma campanha eleitoral".

Militante petista desde a juventude, considerado um dos integrantes mais talentosos do governo, Abramovay pertence ao alto escalão do Ministério da Justiça desde 2003 e ocupou diversas funções, entre elas a de assessor especial e secretário de Assuntos Legislativos do Ministério, até assumir a Secretaria Nacional, em junho. "Dediquei os últimos oito de meus 30 anos a contribuir para a construção de um Brasil mais livre, justo e solidário, e tenho muito orgulho de tudo o que faço e de tudo o que fiz", afirmou.

As transcrições publicadas por Veja mostram conversas entre Tuma Jr. e os principais dirigentes do Ministério, as quais revelam pressões do Planalto para que a Pasta produza dossiês contra os inimigos e todos "que atravessarem o caminho do governo". Acusam também a Polícia Federal de estar aparelhada para perseguir adversários e livrar aliados encrencados em inquéritos, entre os quais o chefe de gabinete da Presidência.

Em outra nota também publicada neste sábado, o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, afirmou que a PF, embora hierarquicamente subordinada à Pasta, tem plena "autonomia com relação às suas investigações". Afirmou também que jamais recebeu qualquer solicitação com relação aos rumos dos inquéritos. "O Ministério não interfere nos inquéritos ou nas conclusões da PF", disse Barreto, na nota. "A condução dos inquéritos é definida pela própria Polícia, sob critérios técnicos e republicanos", afirmou.

De acordo com a revista Veja, Barreto teria dito a assessores desconfiar que estaria sendo espionado por Luiz Fernando Corrêa, diretor-geral da PF. O ministro da Justiça também teria expressado desconfiança sobre os poderes de seu subordinado, que estaria decidindo, por conta própria, abrir investigações contra pessoas próximas ao presidente da República.

Cauteloso, Barreto evitou polemizar com o ressentido ex-assessor Tuma Jr. e concluiu a nota com uma afirmação categórica: "O Ministério é uma instituição sólida, respeitada, que atua e continuará atuando como sempre atuou no exercício de suas competências de forma republicana."

Ele citou como exemplo que, de 2003 a 2010, foram deflagradas mais de 1.100 operações da PF, "que atingiram indistintamente todos os envolvidos nos casos investigados, fossem eles cidadãos comuns, empresários, funcionários públicos, policiais, políticos de quaisquer partidos ou detentores de importantes cargos de governo".

Veja abaixo as íntegras da "Nota à imprensa", divulgada pelo Ministério da Justiça, e da nota divulgada pelo Secretário Nacional de Justiça, Pedro Vieira Abramovay.

Nota à imprensa, do Ministério da Justiça

"Brasília, 23/ 10/ 2010

Sobre a matéria 'Intrigas de Estado', veiculada pela revista Veja, neste sábado, 23 de outubro, o Ministério da Justiça esclarece:

A Polícia Federal é hierarquicamente subordinada ao Ministério da Justiça, mas autônoma com relação às suas investigações.

O Ministro da Justiça informa que jamais recebeu qualquer solicitação com relação aos rumos dos inquéritos da Polícia Federal, quaisquer que sejam.

O Ministério não interfere nos inquéritos ou nas conclusões da Polícia Federal. A condução dos inquéritos é definida pela própria Polícia, sob critérios técnicos e republicanos. Exemplo disso é que, de 2003 a 2010, foram deflagradas mais de 1100 operações da Polícia Federal, que atingiram indistintamente todos os envolvidos nos casos investigados, fossem eles cidadãos comuns, empresários, funcionários públicos, policiais, políticos de quaisquer partidos ou detentores de importantes cargos de governo.

O Ministério da Justiça é uma instituição sólida, respeitada, que atua e continuará atuando como sempre atuou no exercício de suas competências de forma republicana."

Nota divulgada pelo Secretário Nacional de Justiça, Pedro Abramovay.

"Nego peremptoriamente ter recebido, de qualquer autoridade da República, em qualquer circunstância, pedido para confeccionar, elaborar ou auxiliar na confecção de supostos dossiês partidários. Não participei de supostos grupos de inteligência em nenhuma campanha eleitoral. Nunca, em minha vida, tive que me esconder.

A revista Veja, na edição número 2188 de 2010, afirma ter obtido o áudio de uma gravação clandestina entre mim e um ex-colega de trabalho. Infelizmente a revista se recusou a fornecer o conteúdo da suposta conversa ou mesmo a íntegra de sua transcrição.

Dediquei os últimos oito de meus 30 anos a contribuir para a construção de um Brasil mais livre, justo e solidário, e tenho muito orgulho de tudo o que faço e de tudo o que fiz. Trabalhei no Ministério da Justiça como Assessor Especial, Secretário de Assuntos Legislativos e Secretário Nacional de Justiça, conseguindo de meus pares respeito decorrente de meu trabalho.

Apesar de ver meu nome exposto desta forma, não foi abalada minha fé na capacidade de transformação de nosso país e tampouco na crença da importância fundamental de uma imprensa livre para o fortalecimento de nossa democracia.

Pedro Vieira Abramovay

Secretário Nacional de Justiça"

O Estado de S. Paulo