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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Receita muda programa do IR 2011







A Receita Federal mudou a interface e fez alterações pontuais no programa para a declaração do IRPF (Imposto de Renda Pessoa Física) 2011, que estará disponível para download a partir das 8h de amanhã, quando será possível também enviar a declaração deste ano.

A entrega poderá ser feita até a meia-noite do dia 29 de abril. A estimativa do órgão é que 24 milhões de declarações sejam entregues neste ano.

De acordo com a Receita, o novo programa está mais limpo e dinâmico. Agora, na medida em que o contribuinte preenche os dados, o programa vai informando qual declaração é mais vantajosa, se a completa ou a simplificada -- antes essa informação só era dada no final do preenchimento.

Outra mudança foi a criação de uma ficha para informar os rendimentos recebidos acumuladamente em 2010 referentes a anos anteriores, como em caso de ações judiciais. Essa renda será tributada levando em consideração todos os meses ao qual o valor se refere e não apenas ao que foi pago, o que reduzirá o imposto devido.

O contribuinte terá um campo para informar esse tipo de rendimento obtido por dependentes.Em outro campo criado na nova versão o contribuinte poderá informar o imposto pago em carnê-leão por dependentes.

No novo programa, o contribuinte poderá ainda informar o CNPJ da pessoa jurídica para o qual paga aluguel. Quem recebe renda de imóveis alugados, por sua vez, poderá indicar os dados de corretores ou imobiliárias que recebem comissão para administrar esses imóveis. Segundo o supervisor nacional do IR, Joaquim Adir, isso ocorre porque o contribuinte pode deduzir esse valor da renda lançada no IR e muitas vezes caia na malha fina porque informava o valor reduzido, abatida a comissão, enquanto o inquilino lançava o valor total.

A Receita incluiu no programa deste ano a declaração de saída definitiva, que tem que ser entregue por quem deixa o Brasil por mais de um ano. Com isso, todas as declarações das pessoas físicas estão reunidas no mesmo programa, já que desde o ano passado já constava também a declaração final de espólio.

"Isso representa um ganho econômico de processamento e principalmente agilidade", afirma Adir.

SIGILO

A Receita criou ainda uma segunda página para o recibo do Imposto de Renda. Na primeira, haverá o resumo da declaração - que o contribuinte poderá usar para comprovar renda, por exemplo, em caso de empréstimos bancários. Na segunda, virá o número do recibo em destaque e informações sobre pendências relativas a declarações de anos anteriores.

De acordo com Adir, isso foi feito para garantir que o número do recibo seja mantido em sigilo, já que ele é usado para gerar a senha com a qual o contribuinte pode alterar a declaração ou corrigir dados junto à Receita.

MULTA

A partir deste ano, o contribuinte que fraudar a declaração para obter uma restituição maior poderá ter que pagar multa de até 75% sobre o que for pago indevidamente.

A fraude, porém, terá que ser provada pela Receita que, após o processamento da declaração, abrirá um processo administrativo para investigar se houve intenção do contribuinte de enganar o leão.

Folha

Mania no Reino Unido, 'pedicure do peixe' pode espalhar infecções

A última moda no mundo da pedicure, o uso de peixes para se livrar de pele morta nos pés, está sendo investigada por autoridades de saúde britânicas devido à suspeita de que a prática possa espalhar infecções.

Tratamento de pedicure com carpas turcas
Tratamento de pedicure com carpas turcas
Na chamada "pedicure do peixe", a cliente mergulha os pés em um tanque de água e se deixa mordiscar por um cardume de pequenas garras rufas - que em poucos minutos removem camadas de pele morta dos pés.
Os spas dizem que o tratamento é tradicional na Ásia. A moda chegou ao Reino Unido, onde diversas clínicas já oferecem o tratamento, e já começou a virar mania também nos EUA, onde clientes pagam cerca de R$ 80 por menos de meia hora com os pés no tanque.
Para a agência de proteção à saúde pública britânica, o procedimento pode acabar incentivando a transmissão de infecções de um usuário para outro, a partir de feridas abertas nos pés.
"Estamos investigando se existe algum risco potencial de infecção associado ao uso comercial de tratamentos de pedicure utilizando peixes", disse o órgão.
A agência frisou que está agindo em função de diversas consultas feitas por autoridades locais de saúde pública e ambiental, mas disse que ainda não tem registros de problemas.
"Atualmente, desconhecemos casos de infecção associados ao uso desses peixes no Reino Unido."
Nos Estados Unidos, alguns estados proibiram o tratamento por causa da preocupação com o uso das mesmas carpas para limpar os pés de diferentes clientes.


Isso parece um grande feitiche zoófilo bizarro, isso sim.

Grandes apagões viram rotina no Brasil


Dez anos depois de mergulhar no maior racionamento da história, o Brasil volta a conviver com problemas no setor elétrico. Mas, desta vez, a crise não está na falta de energia, como ocorreu em 2001, mas na dificuldade de fazer o produto chegar até o consumidor final. Nos últimos meses, uma série de apagões e blecautes regionais causaram transtornos e prejuízos aos brasileiros.

Só neste ano, até o dia 22, foram 14 grandes ocorrências, conforme relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A maior delas deixou o Nordeste sem luz por até cinco horas. O incidente - ainda sem explicações precisas - garantiu ao Brasil o título de país com o maior número de blecautes de grandes proporções. Das seis maiores ocorrências registradas no mundo desde 1965, três são do Brasil: em 1999 (97 milhões de pessoas), 2009 (60 milhões) e 2011 (53 milhões), segundo a consultoria PSR. O maior ocorreu na Indonésia, em 2005, atingindo 100 milhões de pessoas.

Além dos grandes apagões, que normalmente ocorrem por falhas no sistema de transmissão, a população também tem convivido com uma série de desligamentos na rede de distribuição, de responsabilidade das concessionárias. Nesses casos, os cortes estão limitados às áreas de concessões das empresas, cidades ou bairros. As companhias alegam que a culpa é de São Pedro e que as redes não têm suportado as fortes chuvas.

Os constantes blecautes estão traduzidos na piora do indicador de qualidade do fornecimento de eletricidade, medido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Nos últimos três anos, o tempo médio que o brasileiro ficou sem luz subiu quatro horas. "Hoje temos energia e não conseguimos entregá-la com a qualidade necessária. O problema é que o governo nunca explica o real motivo dos apagões", afirma o diretor-presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), Carlos Faria.
Para especialistas, a origem dos apagões está em investimentos menores que a necessidade da rede de transmissão e distribuição. "Houve um descompasso entre os investimentos da geração e transmissão", afirma o presidente da Compass Energia, Marcelo Parodi. Mas o problema não é a falta de novos empreendimentos, já que a Aneel tem feito leilões contínuos de linhas de transmissão e as distribuidoras, ampliado o número de clientes.

O problema está nos equipamentos antigos, que nem sempre recebem a manutenção adequada, especialmente diante do forte aumento do consumo. De 2000 pra cá, o uso de energia pelo brasileiro subiu 36%, apesar do racionamento, que derrubou em 8% o consumo em 2001.
"Se uma empresa não está investindo o suficiente agora, o problema só vai ocorrer anos mais tarde", afirma o presidente da PSR Mário Veiga. Ou seja, os apagões de hoje podem ser resultado de anos sem investimentos adequados.

Disse e repito: os tucanos, através de FHC, Covas e Alckimin, venderam as empresas de energia elétricas estaduas e federais a preços simbólicos e, há tempos, os grupos estrangeiros gratificados só pensam em redução de custos e remessas às matrizes. Investimento em  novas tecnologias (como, por exemplo, distribuição subterrânea de energia) não é cogitado.
Preparem-se, a situação realmente só tende a piorar.

Mulheres buscam homem ideal na web e podem cair em golpe

A Missão Proibida - Apollo 18 ganha o seu primeiro trailer




A Missão Proibida - Apollo 18 (Apollo 18) suspense de ficção científica que pega carona na moda das "gravações perdidas" de tom documental, como Cloverfield, acaba de ganhar o seu primeiro trailer. Embora o pôster dê a entender que é um filme de monstro, com a pegada de três dedos no solo lunar, o vídeo indica que está mais para horror com parasita. Veja:
O filme explora as teorias da conspiração sobre a missão espacial Apollo 18, cancelada na década de 1970 pela NASA. A trama revelará que a missão existiu - e depois dela nem EUA nem União Soviética ousaram pisar na Lua de novo.
O atarefado cineasta russo Timur Bekmambetov produz para a Weinstein Company o filme a toque de caixa, que o madrilenho Gonzalo Lopez-Gallego (El Rey de la Montaña) dirigiu e deve finalizar em pouco mais de três meses.
O roteiro é de Brian Miller, que venceu um concurso promovido por Bekmambetov. A Missão Proibida - Apollo 18 estreia nos EUA em 22 de abril. No Brasil, um dia antes, no feriado de Tiradentes.
Leia mais sobre Apollo 18.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Metade das escolas tem ensino religioso

São 98 mil colégios, públicos ou privados, oferecendo a disciplina, segundo censo da educação básica do MEC

Sem diretriz nacional sobre conteúdo, Estados e municípios adotam formatos diversos; lei veta só propaganda


ANGELA PINHO
DE BRASÍLIA 

"O que são as histórias da Bíblia? Fábulas, contos de fadas?", pergunta a professora do 3º ano do ensino fundamental. "Não", respondem os alunos. "São reais!"
A cena, numa escola pública de Samambaia, cidade-satélite de Brasília, precede aula sobre a criação do universo por Deus em sete dias. O colégio é um dos 98 mil do país (entre públicos e particulares) que ensinam religião.
O número começou a ser levantado em 2009, no censo da educação básica feito pelo Inep (instituto ligado ao MEC). Ao todo, metade das escolas do país tem ensino religioso na grade curricular.
O fundamento está na Constituição, que determina que a disciplina deve ser oferecida no horário normal da rede pública, embora seja opcional aos estudantes. Escolas particulares não precisam oferecê-la, mas, se assim decidirem, podem obrigar os alunos a assistirem às aulas.
Não há, porém, uma diretriz nacional sobre o conteúdo -a lei proíbe só que seja feita propaganda religiosa e queixas devem ser feitas aos conselhos de educação.
Assim, Estados e municípios adotam formatos diversos. Uns põem religiosos para dar as aulas; outros, professores formados em história, pedagogia e ciências sociais.
É o caso do DF, onde a orientação é que não haja privilégio a um credo -embora a aula em Samambaia possa ser considerada controversa.

DISCUSSÕES
A conveniência de se oferecer ou não o ensino religioso é, sim, algo controverso.
Uma das maiores discussões ocorreu em 1997, quando, meses antes da visita do papa João Paulo 2º, o governo federal retirou da lei dispositivo que proibia o Estado de gastar dinheiro público com o ensino religioso.
Em 2008, nova polêmica surgiu quando o Brasil assinou com o Vaticano acordo que previa que "o ensino religioso, católico e de outras confissões religiosas, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental".
A controvérsia foi a menção explícita ao catolicismo, vista por alguns como privilégio a uma única religião.

SUPREMO
Para Roseli Fischmann, professora da USP, a disciplina fere o caráter laico do Estado. "Precisaríamos ter a coragem de aprovar emenda que a retirasse da Constituição", afirma.
Presidente do Fonaper (Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso), Elcio Cecchetti defende a disciplina sob o argumento de que as crenças ou a ausência delas são "dados antropológicos e socioculturais" que devem ser ensinados, mas sem privilégio a uma religião.
A polêmica chegou à Justiça. Desde o ano passado, o STF (Supremo Tribunal Federal) analisa ação em que o Ministério Público Federal pede que determine que o ensino religioso só possa ser de natureza não confessional e proibindo que religiosos sejam professores.


Casal de ateus faz acordo e escola libera filhos de aula 

No horário do ensino religioso, garotos do Paraná frequentam a biblioteca

Diretor de colégio diz que a "diversidade das crianças é respeitada" nas aulas, que não doutrinam alunos



Os gêmeos Marco e João Antônio, 7, que não precisam assistir às aulas de ensino religioso

DIMITRI DO VALLE
DE CURITIBA

Os pais de dois alunos de Pranchita, no interior do Paraná, fizeram um acordo com a direção da escola pública onde os filhos estudam para que eles deixassem de frequentar as aulas de religião.
A professora Eliane Lambert Junkes, 26, e o marido, o caminhoneiro Alberi Junkes, 40, são ateus e defendem o direito de os gêmeos, de sete anos de idade, não serem "doutrinados" sobre a existência de Deus.
A mãe de Marco Antônio e João Antônio não admite que as aulas de ensino religioso comecem com uma oração nem que Deus seja tratado como uma entidade real e superior, que zela pela humanidade e tem poderes para julgar as ações dos homens.
O acordo foi feito no ano passado -as crianças foram às aulas por quase três anos- e permitiu que, nesse horário, os meninos frequentem a biblioteca. Eliane diz que a decisão foi amigável.
"Não quero que eles sejam doutrinados a crer. Ninguém precisa ser bom na vida porque tem alguém superior olhando. As pessoas devem ser boas porque isso é correto", afirma a professora.
Eliane acredita que os filhos, quando amadurecerem, poderão adquirir conhecimento suficiente para decidir qual papel a religião terá em suas vidas.
"Quando eles crescerem, teremos condições de conversar melhor", diz.

HISTÓRIA DAS RELIGIÕES
A mãe dos garotos afirma que, se as aulas tivessem outro tipo de abordagem, como a história das religiões, não se oporia ao aprendizado.
"A história das religiões é importante para contar o processo de formação do homem. Jamais vou privar meus filhos do conhecimento, mas não é o que acontecia na escola", afirma.
Procurado pela Folha, o diretor da Escola Municipal Márcia Canzi Malacarne, Everaldo Canzi, declarou que não daria entrevista por telefone porque considera o tema "complexo e amplo".
Ele negou, no entanto, que as aulas tenham o objetivo de "doutrinar" os alunos a crer e disse que a "diversidade das crianças é respeitada".

Rede pública do Rio oferece aulas opcionais de sete religiões

DO RIO
DE SÃO PAULO

Uma lei estadual no Rio define que a oferta de ensino religioso é obrigatória nas escolas, mas a matrícula na disciplina é opcional.
Cabe aos alunos de 16 anos ou aos responsáveis daqueles abaixo dessa idade definir qual religião estudarão -há sete disponíveis, diz o governo: católico, evangélico, judaico, mórmon, espírita, umbandista e messiânico.
Segundo especialistas, porém, a oferta de professores nas escolas públicas é reduzida e a legislação, desvirtuada. O ensino religioso no Estado é confessional.
Os professores passam por cursos definidos por instituições religiosas credenciadas pelo Estado. Na prática, porém, 90% dos professores professam religiões cristãs, dizem pesquisadores.
A Secretaria de Educação afirmou que a distribuição de professores é proporcional ao credo dos alunos. Segundo o órgão, o ensino religioso no Estado "é confessional e plural, respeitando a diversidade cultural e religiosa".
Na capital, não há ensino religioso. O Conselho Municipal de Educação decidiu esperar a manifestação do Supremo sobre o tema para decidir como ele deve tratado.

SÃO PAULO
Na rede estadual de São Paulo, não há disciplinas específicas de ensino religioso. Segundo a Secretaria da Educação, o conteúdo é distribuído em outras matérias, como sociologia e filosofia.


ANÁLISE

Omissão acabou produzindo um mapa caótico das religiões

HÉLIO SCHWARTSMAN
ARTICULISTA DA FOLHA

Tecnicamente, o Brasil é um Estado laico. Não há religião oficial e o artigo 19 da Constituição proíbe expressamente o poder público de estabelecer cultos religiosos, subvencioná-los ou manter com eles relações de dependência ou aliança.
A própria Carta, entretanto, invoca em seu preâmbulo a "proteção de Deus" e, no artigo 210, prevê o ensino religioso nas escolas públicas de ensino fundamental.
Embora doutrinadores gostem de dizer que não há contradição entre esses dispositivos, é forçoso reconhecer que colocá-los lado a lado gera pelo menos um ruído. Fica a sensação de que o legislador quis estabelecer a quadratura do círculo por meio de decreto.
Ao contrário de outros estrépitos constitucionais, que conseguem passar relativamente despercebidos, esse está produzindo uma série de consequências.
Por considerar que a religião não é assunto de regulação estatal, o CNE (Conselho Nacional de Educação) optou por não fixar parâmetros curriculares nacionais para o ensino religioso. A decisão é institucionalmente correta, mas gerou um deus nos acuda, onde cada Estado definiu ao sabor da conjuntura política local como a matéria seria ministrada.

ESTADOS
Como mostra o livro "Laicidade e Ensino Religioso no Brasil", das pesquisadoras Debora Diniz, Tatiana Lionço e Vanessa Carrião, a omissão do CNE acabou produzindo um mapa caótico.
Acre, Bahia, Ceará e Rio de Janeiro optaram por um sistema confessional, que não se distingue da educação religiosa oferecida em escolas ligadas a religiões. Evidentemente, esse tipo de ensino afronta o dispositivo da Lei de Diretrizes e Bases da Educação que veda o proselitismo no ensino religioso.
Alagoas, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins escolheram o modo interconfessional, no qual as religiões hegemônicas se unem para definir um núcleo de valores a ser ensinado aos alunos.
Os cultos majoritários se dão bem, mas ateus, agnósticos e membros de religiões pouco representativas ficam ao deus-dará.
Apenas São Paulo fez uma leitura crítica dos mandamentos constitucionais e se definiu pelo ensino não confessional. As crianças têm aulas de história das religiões, no que é provavelmente a única forma de aliar o ensino religioso com o princípio da laicidade do Estado.
Os problemas jurídicos são tantos, que o Ministério Público Federal está movendo uma Adin (ação direta de inconstitucionalidade) contra o ensino religioso nas escolas públicas.
Na Adin, protocolada em agosto, a subprocuradora-geral Deborah Duprat pede que o Supremo vede os sistemas de caráter confessional e determine que a abordagem histórico-antropológica seja adotada em nível nacional.


Folha



Está na hora de algum deputado ou senador fazer história e com coragem trazer para a pauta política do país um projeto banindo o ensino religioso da esfera pública. Ao menos o tema seria debatido e a polêmica seria levantada. É criminoso quando o município ou o estado sustenta algo assim. O argumento de que é preciso aula de religião para ensinar moral aos alunos é mentiroso e falacioso. Boas aulas de filosofia dão conta disso e bem melhor, sem fazer os alunos desde cedo pensarem que devem fazer algo ou deixar de fazer porque assim querem seres invisíveis não evidenciáveis empiricamente. O Supremo Tribunal Federal também poderia, como já fez com outras questões polêmicas, proibir definitivamente o ensino religioso nas escolas públicas.

Precisamos de mais consumidores chatos e nervosos

Acompanhei um amigo que foi fazer compras no supermercado. Estranhei a escolha da loja, pertencente a uma grande rede, pois havia sido nela, tempos atrás, que o mesmo fora destratado pela gerência ao tentar devolver um produto estragado. Ao indagá-lo que raios ele estava fazendo ali, respondeu com um misto de resignação e estranhamento: “mas é assim em todo o lugar, não faz diferença”.

Sei que dá preguiça brigar com uma grande empresa que insiste em não garantir o tratamento que lhe é de direito ou continue a empurrar produtos sem qualidade social e ambiental. Ainda mais quando constatamos a dificuldade de determinados grupos econômicos de escutar algo que não seja o tilintar das receitas batendo no seu cofre. Surdez seletiva, diga-se de passagem. Pois como diria Dona Rosa, poço de sabedoria do Vale do Jequitinhonha, tem coisa que é como o feijão, só funciona na pressão.

Pressão esta que não precisa ficar restrita a investigações da mídia ou às ações do Ministério Público. Lembro de casos como o de donas de casa que protestaram contra um grande magazine de roupas por conta da revelação de trabalho escravo em sua linha de produção. Isso assusta. E muito. Ainda mais em um país onde acredita-se que o andar de baixo seja gado dócil. Quando ocorre um estouro de boiada, ninguém sabe o que faz.

Sempre vi minha mãe reclamando como consumidora. Talvez tenha sido uma das melhores lições que ela me passou. Enquanto isso, tenho amigos que saem de perto quando vou questionar o gerente de uma loja por mais informação ou exigir a solução de um determinado problema. Dizem que sentem vergonha alheia, que “uma pessoa educada não compra esse tipo de briga”, que “brigar por dinheiro é o fim da picada”. E aí reside o problema: a sociedade gosta de criar bezerros para o abate e não seres autônomos. Criado como boi, boi será – a menos que seja conscientizado do contrário. Da mesma forma que nós homens, de um forma geral, somos educados para sermos machistas, também crescemos para sermos compradores e não cidadãos.

E o ceticismo na relação é a praxe. Uma pesquisa dos instituto Akatu e Ethos sobre consumo aponta que 44% das pessoas não acreditam no que as empresas divulgam em termos de responsabilidade social. Outros 32% dizem que isso depende de que empresa estamos falando.

Além do mais, nossa sociedade é de panos quentes, do deixa disso. Quem sai dessa toada, é taxado de maluco. É só dar uma espiada nos posts que trato dos protestos contra o aumento na tarifa do ônibus em São Paulo para ver a quantidade de comentários de pessoas que defendem com unhas e dentes o reajuste acima da inflação em São Paulo e chamam os manifestantes de baderneiros e vagabundos. Isso seria uma inversão de lógica cidadã se a lógica ou a cidadania fizessem sentido por aqui.

É sensacional o fato da maior parte da população brasileira acreditar em um ser sobrenatural que tudo vê, seja ele ou ela quem for, e não ter fé no potencial transformador de suas próprias ações ou na capacidade da sociedade de se organizar. Sei que as ações para despertar o nível de consciência de todos sobre esse potencial dificilmente são patrocinadas. Ou são ensinadas nas escolas.

Daí a importância de cada chato passar adiante essa chatice e não deixar seu amigo entrar no supermercado que o destratou ou pelo menos garantir que ele vá fazer uma reclamação sobre isso. Levar desaforo para casa não.

Sempre lutei pelos meus direitos de consumidor, acionei inúmeras empresas na Justiça e ganhei todas as causas, inclusive contra a nefasta Telefonica. O brasileiro deve deixar de seu um "banana" na sua maioria.

Vídeos de automutilação que circulam na web

Pessoas muito doentes no orkut, assumindo que possuem este distúrbio e querem enganar as pessoas à sua volta


Pulsos abertos e lâminas ensanguentadas surgem na tela, ao som de piano. Letras vermelhas gritam: "Antes de encostar pela primeira vez a gilete em sua pele, reflita".

Vídeos sobre automutilação como esse já foram vistos mais de 2 milhões de vezes no YouTube, segundo estudo publicado na "Pediatrics".
A pesquisa, feita por psicólogos das universidades de Guelph e McGill, no Canadá, analisou os cem vídeos do gênero mais vistos no site.
Para os autores, mesmo quando adotam um tom de autoajuda, essas imagens podem estimular o comportamento em jovens predispostos a ferir o próprio corpo.

Na automutilação, a pessoa, em geral um adolescente ou um adulto jovem, se fere para aliviar sintomas de angústia e depressão, mas sem o objetivo de se matar.
"Há uma alteração no nível de consciência, é como se eles se anestesiassem", explica o psiquiatra Álvaro Ancona de Faria, da Unifesp.

O comportamento é também um dos critérios para diagnosticar portadores de personalidade borderline, distúrbio caracterizado por alta impulsividade e dificuldades nas relações.

Jackeline Giusti, psiquiatra do ambulatório de transtornos do impulso do HC, concorda com os autores do estudo: os vídeos podem estimular a mutilação, independentemente da mensagem. "Só mostram pessoas tristes, não apontam saídas."

No estudo da "Pediatrics", 14 dos cem vídeos analisados mostravam jovens filmando a própria mutilação.

O transtorno não se confunde com "body-art" (que vai do piercing à suspensão por ganchos), explica Giusti. "No body-art há um desafio com preocupação estética, de se mostrar. Na automutilação a pessoa se fere para aliviar sentimentos ruins."

MARCAS ESCONDIDAS

"É como se o mundo fosse agressivo e a pessoa tivesse que devolver essa agressividade, se rasgando em público para mostrar o tamanho do sofrimento", diz Faria.

Mas a maioria se mutila só e esconde as feridas sob mangas ou munhequeiras.

"Não contam para os outros porque não querem que lhes tirem a sensação de bem-estar", diz Giusti. Uma hipótese para o efeito anestésico é que, nessas pessoas, a liberação de endorfina na hora do dor é maior, daí o alívio.

No Orkut, há 11 comunidades sobre automutilação, a maior tem 600 membros. O mais comentado dos tópicos é: "Como vocês fazem para esconder os cortes?".

Para Giusti, comunidades e vídeos podem ser um jeito de o jovem tratar da questão que não expõe a ninguém.
Faria vê risco de banalização do comportamento pela internet. "Não é normal se automutilar. É doença."

Folha

Providências legais devem ser tomadas pelo Ministério Público contra sites de relacionamentos que permitem comunidades que estimulam comportamentos ligados à distúrbios psiquiátricos.

Minhas camisas do Glorioso Botafogo

Vá a um jogo de futebol no Morumbi e ganhe uma piscininha na faixa

Excelente flagrante do jogo São Paulo x Palmeiras, com o estádio muito alagado. O fotógrafo (alguém sabe de quem é a foto?) foi muito feliz.

Explosão solar é mistério para ciência





Apesar das explosões solares registradas pela Nasa (agência espacial norte-americana) neste mês, tudo indica que o Sol anda mais preguiçoso do que o "normal".
As chamadas "tempestades solares", erupções na superfície do Sol que liberam alta carga de energia no espaço, costumam atingir seu pico a cada 11 anos.


Como o último ponto mais alto foi registrado em 2001, era esperado que o próximo ocorresse no ano que vem.
"Mas isso está longe de acontecer", explica o físico solar Pierre Kaufmann, especialista em astrofísica solar.


De acordo com ele, a atividade do Sol está bastante retardada. E ainda: as explosões recentes tiveram baixa intensidade, depois de quatro anos de "repouso" solar.




"Pelo andar da carruagem, pode ser que o auge do ciclo atual do Sol aconteça só em 2016", diz o cientista.


Outra possibilidade é que o ciclo solar se feche em 2012, mas com um pico menos intenso do que se imaginava.


Durante um ciclo solar, surgem manchas na superfície do Sol. "Em volta dessas manchas há gás quentíssimo e ionizado [gás em que os átomos estão dissociados]. Então, ocorrem as explosões súbitas", explica Kaufmann.


Esses fenômenos explosivos são na atmosfera da estrela, ou seja, saem da superfície para fora do Sol.


As explosões solares alteram principalmente sistemas de transmissão de energia e telecomunicações na Terra.
Isso começou a ser percebido no começo do século 20, quando cientistas notaram queda no sistema de comunicação de submarinos.


AQUI NA TERRA


São dois efeitos. O primeiro ocorre cerca de cinco minutos após as explosões (tempo para a radiação viajar 1,5 milhão de km até a Terra).
O segundo é uma ejeção lenta de massa coronal solar (parte externa da estrela), que pode levar de dois a quatro dias para chegar aqui.


"Algumas explosões solares enormes não têm impactos em correntes elétricas; outras, menores, têm. Estamos longe de entender esses impactos", diz Kaufmann.


Sabe-se também que a quantidade de raios cósmicos que atingem a Terra diminui com a atividade solar. Isso porque o aumento de plasma (gases "ionizados" expulsos pelo Sol) desvia esses raios da atmosfera terrestre.


Assim como os efeitos das explosões na Terra ainda não estão claros para os cientistas, o ciclo de 11 anos do Sol também é um mistério.
Kaufmann está acostumado a acompanhar a atividade do Sol. Ele coordena o Craam (Centro de Rádio Astronomia e Astrofísica, da Universidade Presbiteriana Mackenzie) e é um dos principais nomes de um observatório instalado pela universidade nos andes argentinos.


O Complexo Astronômico El Leoncito ("o leãozinho", em referência aos pumas da região andina) tem um acervo instrumental financiado por agências brasileiras em parceria com o governo argentino. A atividade solar é um dos temas de estudos.


Previsão catastrófica é exagero, diz físico

DE SÃO PAULO

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O recente fenômeno solar teve forte repercussão, mas, ao menos com os dados obtidos até o momento, não há motivo para se preocupar com situações catastróficas.
"O que aconteceu foi uma explosão de intensidade média. No sentido de interferência nas telecomunicações, ela não apresentou nenhum efeito acima do esperado", afirmou Reinaldo Rosa, físico do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
"Pode ser que, daqui a milhões de anos, o Sol evolua e provoque grandes consequências mais globais, mas, hoje, o que acontece são pequenos problemas locais de comunicação", afirma.
Segundo ele, previsões alarmistas para os anos de 2012 e 2013 não se justificam, pois, além da possibilidade de atraso do pico das explosões, o período de mínima liberação de energia deste ciclo acabou se revelando o menos intenso entre todos os 24 já monitorados até hoje. "Se você comparar com os ciclos anteriores, a esta altura já deveríamos ter tido muito mais fenômenos desse tipo."
Por isso, ele acredita que o período de pico das explosões também não será tão forte. "Para a ala mais conservadora [entre os cientistas], não há previsão que indique a necessidade de que órgãos de governo, por exemplo, tomem alguma providência fora do normal."
Isso não significa que o fenômeno não possa causar problemas. Segundo o físico solar Joaquim Eduardo Costa, também do Inpe, certas explosões podem danificar satélites ou provocar blecautes durante horas.
Além disso, podem interromper missões espaciais, impedindo atividades extraveiculares -as naves são protegidas por um invólucro de proteção contra radiação. "Mas isso é um procedimento normal, previsto pela Nasa", ressalta ele.
(SR e LGC)



Folha

Marcelo Adnet imitando paulistano no filme "Muita calma nessa hora"

Imagem pertinente - 29

"O Ritual"-Surtos de Anthony Hopkins seguram novo filme de exorcismo


O seleto grupo dos filmes de exorcismo, um verdadeiro sub-gênero do terror e suspense, ganhou em O Ritual um digno novo integrante.
Baseado no livro The Rite, de Matt Baglio, o filme mostra um seminarista reticente (figurinha manjada desse tipo de produção) sendo enviado ao Vaticano para um curso de exorcismo. Baglio, um jornalista que conviveu com tais clérigos especializados em expulsar o mal, decidiu escrever um livro relatando as experiências do citado padre, Gary Thomas, quando foi alardeado que a Santa Sé visava colocar um exorcista em cada uma de suas dioceses.


Com o nome trocado para Michael Novak e interpretado no filme pelo pouco conhecido Colin O'Donoghue, o protagonista conhece na Itália um dos únicos exorcistas em atividade, o Padre Lucas, e começa assim mais um rounddo eterno embate entre o bem e o mal, a fé e o ceticismo, a ciência e a religião.
O'Donoghue tem uma participação insossa, foi muito mal escolhido, mas nem precisa se esforçar muito com o elenco que o cerca. Alice Braga, com a competência habitual, faz as vezes de Baglio como uma jornalista que segue o personagem principal. Colocar os excelentes Ciarán Hinds(Padre Xavier), Toby Jones (Padre Matthew) e Rutger Hauer (o pai de Michael) em papéis secundários também ajuda a elevar a qualidade do jogo. Mas é mesmo Anthony Hopkins que rouba a cena. O ator está inspiradíssimo, surtado, ora engraçado, ora assustador, como o Padre Lucas. Desde O Silêncio dos Inocentes não parecia que ele se divertia tanto em um papel - e a entrega faz toda a diferença, equilibrando a balança.
O diretor Mikael Håfström (1408Fora de Rumo) e o roteirista Michael Petroni conseguem manter a tensão sem as ferramentas consagradas desse tipo de filme, apenas com a bela ambientação (o filme foi rodado em Budapeste e Roma), nas atuações periféricas e com o velho artifício textual e sempre instigante do "baseado em fatos". "Não espere cabeças girando ou sopa de ervilha jorrando", explica o Padre Lucas, fazendo piada com o grande clássicoO Exorcista.
De qualquer maneira, o diabo em O Ritual é presente, sim, mas como um oponente intelectual. Suas respostas e debates são instigantes - e ele até faz uso de meio mais modernos, como uma ligação telefônica, para fazer-se crer (nem quero imaginar quanto custa o roaming no inferno).
Essa insistência na comunicação - há também uma outra cena, engraçadíssima, envolvendo um celular - evidencia uma das ideias de O Ritual, uma que andava meio esquecida nos filmes do gênero: o mal é uma mensagem e os possuídos são seu "aparelho", não seu alvo. Para quem prefere uma aparição mais gráfica, no entanto, fica a decepção. O capeta só dá as caras nos sonhos de Michael, através de cenas em sua maioria embasadas em relatos e histórias supostamente reais envolvendo demônios, como os cascos na neve, extraídos de uma estranha ocorrência de 1855 na cidade de Devon, Inglaterra.
Essa tentativa de manter o filme o mais realista possível, sem grandes arroubos hollywoodianos de perversão, choques e poucos sustos fáceis, é o que torna O Ritual recomendável. Ainda que o clímax, cheio de reviravoltas, vá ao encontro do cinema de terror mais convencional, é a discussão do que é real o que interessa - e o que você fará com as respostas que procura se um dia as obtiver...


Não sei se foi a intenção do roteirista, do livro que inspirou o filme ou do próprio diabo, mas as palavras "céticos" e "ateu" são citadas constantemente como xingamento e grave ofensa. Talvez muitas pessoas que viram o filme concordem com a visão de que não se deve contestar a crença em deus ou nas possessões demoníacas, mas o próprio personagem Michael utiliza um argumento muito interessante, quando compara as alegações de crença em deus com afirmações de pessoas que juram ver alienígenas, já que nenhuma das duas é cientificamente verificável. Neste momento do filme, o padre Xavier diz que a questão deve ser vista com a ótica da fé e como se sabe, esta por si só nada prova. 
O espectador mais católico sem dúvidas sai do filme acreditado que o pobre deus-pagão Baal,  dos cartagineses é um de fato demônio que possui padres nos dias de hoje. É interessante saber que mesmo atualmente o Vaticano ainda de fato possui exorcistas (veja aqui),  embora o tema seja tratado com descrição e sem a teatralidade que vemos no Brasil, nos templos evangélicos, como da Igreja Universal. 
Pessoalmente, duvido que qualquer alegado "possuído" ao tomar na veia uma boa dose de remédios psiquiátricos regularmente vá continuar recebendo o demônio, mas enfim, cada instituição religiosa com suas crenças, por mais absurdas que sejam para céticos e ateus como eu.

Voltando ao filme em si, Hopkins têm todos os holofotes, ao mesmo tempo em que não ofusca os dois outros personagens principais (a jornalista e Michael). Sua inconfundível e marcante voz se destaca nas cenas mais dramáticas, mostrando competência que falta a muitos atores atuais. Há tempos não via um papel que encaixasse tão bem com um ator, como o velho padre Lucas. A história também é  muito bem construída, atingindo o objetivo claramente do início ao fim, ao mostrar um seminarista que tinha dúvidas e por experiência pessoal, passou à acreditar em tudo que sua igreja prega.
Também merece uma menção a atriz Marta Gastini que interpreta com perfeição uma grávida de 16 anos possuída pelo demônio. 
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