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quinta-feira, 31 de março de 2011

Sobre o criminoso golpe da ditadura militar de 1964





A mentira de 31 de março de 1964

No dia 1º de abril de 1964, a conspiração que uniu as altas esferas do empresariado brasileiro, os latifundiários, os chefes militares, a hierarquia católica conservadora e agentes do imperialismo dos EUA depuseram o presidente constitucional João Goulart e deram início à ditadura militar que marcou as duas décadas seguintes pelo sangue dos patriotas e democratas, pela destruição da democracia e do estado de direito no Brasil.

Desde aquele dia inaugural da ditadura, a data que tem sido lembrada é a da véspera, 31 de março, pela folclórica razão de que, sendo o 1º de abril o dia da mentira, o golpe militar se tornaria alvo de chacota entre o povo.

O 1º de abril teria sido o dia mais indicado para lembrar aquele episódio nefasto. Era mentira que os golpistas defendiam a democracia, como alegavam; não era verdade que defendessem a soberania brasileira nem o desenvolvimento do país.

Contra a democracia, rasgaram a Constituição, instituíram a legislação de exceção que permitiu a cassação de direitos políticos e democráticos e de mandatos eletivos, no esforço de eliminar do cenário político parlamentares, sindicalistas, democratas, patriotas, lideranças de trabalhadores e do povo, que não aceitavam o arbítrio da ditadura. O rosário de assassinatos, tortura, prisões ilegais, exílio e outras formas de opressão contra os que resistiam à ditadura é conhecido e o preço pago em sangue pelos brasileiros é irresgatável e inegociável.

Diziam que defendiam a nação contra a ameaça representada pela URSS e pelos comunistas no Brasil. Mas quem humilhou o país e desrespeitou a soberania nacional foram os generais e as classes dominantes que, com completo apoio da embaixada dos EUA, deram o golpe militar. Basta lembrar o discurso pronunciado pelo general Castello Branco, na sede do Itamaraty, em 31 de julho de 1964, onde o principal líder da conspiração golpista e então primeiro ocupante militar da Presidência da República defendeu a tese antinacional do alinhamento automático com os EUA com a consequente limitação da soberania brasileira.

Em relação ao desenvolvimento, naquelas duas décadas a economia realmente cresceu. Mas não foi um desenvolvimento nacional: a internacionalização foi aprofundada como nunca, a dependência tecnológica foi agravada pela opção do crescimento com base em empresas estrangeiras, a distorção na distribuição de rendas e no agravamento dos já agudos problemas sociais foi gigantesca. A modernização conservadora do campo expulsou multidões para as periferias das cidades, onde o desemprego, a baixa renda e as precárias condições de moradia, educação e saúde formaram o caldo de cultura onde viceja a violência e a insegurança.

Do ponto de vista institucional, uma herança perversa e insepulta da ditadura militar é a impunidade da violência policial, que torna a polícia brasileira uma das mais violentas do mundo, com sua atuação marcada pela tortura como forma rotineira de investigação e a morte de suspeitos como uma prática cotidiana.

O que há a comemorar? Bem fizeram os atuais comandantes militares que, pela primeira vez em 47 anos, retiraram a lembrança do golpe de 1964 de sua agenda de comemorações, gesto simbólico do sentimento democrático que anima a nova geração de chefes militares.

A velha geração continua saudosa do poder irrestrito e irresponsável que exerceram naqueles anos de atentados contra a democracia e os democratas, como mostra o manifesto comemorativo divulgado pelos clubes Militar, Naval e da Aeronáutica, saudando o rompimento da democracia e a manutenção e agravamento de uma ordem injusta rejeitada pelos brasileiros e apoiada apenas pelas elites proprietárias e por seus aliados imperialistas.

Foi o regime da tortura e do assassinato político e seus remanescentes usam o prestígio que ainda lhes resta para acobertar aquelas práticas ilícitas e desumanas rejeitando qualquer investigação daqueles crimes e opondo-se à formação da Comissão da Verdade para revelar à nação o rio de sangue que correu no país nos anos em que estavam no poder.

O golpe militar de 1964 é um fato da história que os brasileiros lamentam e não aceitam mais. A democracia brasileira se fortalece, apesar dos resmungos das viúvas da ditadura. E, hoje, a melhor maneira de lembrar aquele passado é homenagear os heróis da resistência, os patriotas, democratas, socialistas e comunistas que nunca aceitaram a mentira da ”Redentora” e verteram seu sangue pelos direitos do povo e dos trabalhadores e pela soberania da Pátria. Estes não podem ser esquecidos jamais.

Fonte

Eu já sabia - 26

Repórter da BBC visita nave espacial da Virgin



O repórter da BBC Richard Scott visitou a nave espacial da Virgin no deserto de Mojave, na Califórnia, Estados Unidos. Scott foi o primeiro jornalista a entrar na espaçonave, ainda em construção dentro do hangar da empresa.

O repórter mostrou onde pilotos e seis passageiros ficarão sentados, dos lados da nave. Os passageiros poderão olhar através das grandes janelas, de onde verão o céu passar do azul para o púrpura e, então, para a escuridão do espaço. O barulho do foguete e o som que vem do lado de fora, da atmosfera, vão gradualmente desaparecer. Quando vier o silêncio e a escuridão, eles saberão que já estão no espaço. A partir daí, os passageiros terão cinco minutos para flutuar pela cabine. E, sem gravidade, a 112 quilômetros acima da Terra, os passageiros poderão olhar livremente pelas janelas.

A viagem tem duas partes: primeiro um avião carregará a nave a uma altura de mais de 15 mil metros, e, então a soltará no ar. A espaçonave vai acionar seus foguetes e, em menos de um minuto, vai acelerar a mais de 4 mil quilômetros por hora. Pete Siebold, um dos pilotos de teste da espaçonave afirmou que "o grande desafio e antecipar o que pode dar errado, pois este é um avião único".

A Virgin, por sua vez, diz que as viagens ao espaço terão uma emissão de carbono por passageiro mais baixa do que uma viagem transatlântica. Mesmo assim, ainda é muita energia usada em uma viagem tão curta.

Matt Stinemetze, de uma das empresas que está construindo a nave, conta que o objetivo é levar milhares de pessoas ao espaço nos primeiros anos. Nos últimos 50 anos, entre 400 e 500 pessoas foram ao espaço.
Estadão

O futuro da exploração espacial está na mão da iniciativa privada, mais especificamente de alguns bilionários entusiastas da ciência e da tecnologia. Foi-se o tempo em que desbravar o espaço era algo apenas para os estados, sem tantos recursos como em outras ocasiões. Em breve teremos hotéis em órbita da Terra, depois na Lua, Marte e daqui há um século ou menos, grandes e poderosas naves espaciais fazendo cruzeiros pelo espaço.

Água tônica, pães e remédios estão entre os vilões do sexo

LONDRES - A solução para os problemas sexuais pode estar na revisão de alguns hábitos diários - dos remédios à comida, segundo reportagem publicada no jornal "Daily Mail". Comer muito pão e outros carboidratos refinados, por exemplo, pode atrapalhar a vida sexual.

- Alimentos refinados liberam açúcar mais rapidamente que os integrais e muito açúcar é associado à queda de energia, o que significa que não haverá energia para o sexo - diz Helen Bond, da Associação Dietética Britânica.

Além disso, o açúcar engorda e aumenta o nível de estrogênio no corpo, o que diminui a libido.

- Se você é obesa, se sente menos atraente e também reduz o fluxo sanguíneo para os órgãos sexuais - diz o ginecologista Peter Bowen-Simpkins.

A bebida também pode ser um problema: o quinino da água tônica, por exemplo, baixou os níveis de testosterona em ratos, de acordo com pesquisadores da University of Lagos, na Nigéria. Em outro estudo foi constatada uma baixa concentração de espermas relacionada à substância.

Remédios

Remédios para a pressão arterial podem reduzir a libido e causar disfunção erétil "porque reduzem a frequência cardíaca e o fluxo sanguíneo e o sangue muitas vezes não chega aos genitais", explica o cardiologista Graham Jackson, da Guy's & St Thomas's Hospital.

Os piores são os betabloqueadores como propranolol e atenolol, de acordo com uma revisão publicada este mês na International Journal of Clinical Practice. O relatório diz que pacientes tratados com um novo tipo de betabloqueador chamado nebivolol melhoraram a função erétil em 69%.

Para quem trata de calvície, atenção: a finasterida, também conhecida como o remédio Propecia, pode causar longos períodos de baixa libido. Uma pesquisa do professor Michael Irwig, da George Washington University, mostrou que 94% dos homens que tomavam a droga desenvolveram baixo desejo sexual; 92% sofreram de disfunção erétil e 69% tiveram dificuldades de orgasmo.

Já os analgésicos à base de opiáceos como codeína e morfina podem suprimir a atividade no hipotálamo - área do cérebro envolvida no controle dos níveis de hormônio. Cerca de 95% dos homens e 68% das mulheres que tomaram o remédio por muito tempo tiveram diminuição de relações sexuais.

- Se você está preocupado com isso fique com analgésicos à base de paracetamol e ibuprofeno - diz Neal Patel, da Royal Pharmaceutical Society.

O Globo

Fóssil explica evolução dos mamíferos


O Pampa gaúcho abrigou, há 260 milhões de anos, um parente longínquo dos mamíferos. Batizado de Tiarajudens eccentricus, o animal representa o registro mais antigo de uma estrutura dentária sofisticada: com incisivos, molares e caninos. Graças aos diferentes tipos de dentes, ele podia cortar e mastigar alimentos, um luxo que ampliou drasticamente sua dieta.

O fóssil de São Gabriel, cidade a 325 quilômetros de Porto Alegre, também surpreendeu os cientistas por exibir caninos em forma de dentes de sabre. O Tiarajudens era herbívoro. O artigo que descreve a descoberta na Science levanta três hipóteses para explicar os caninos de 12 centímetros: manipulação dos alimentos antes de os abocanhar, defesa contra predadores ou uso em disputas com indivíduos da mesma espécie (por fêmeas ou território, por exemplo).

Antes do Tiarajudens, a maioria dos animais apresentava dentição semelhante à dos jacarés: dentes pontiagudos especializados em rasgar para engolir. Quase todos se alimentavam de carne ou insetos. O fóssil gaúcho representa uma nova fase.

Capazes de mastigar alimentos, os herbívoros mais evoluídos incluíram plantas fibrosas, mais abundantes, à sua dieta. Foi o primeiro passo rumo à hegemonia numérica. Iniciava o cenário, que persiste até hoje, de um ambiente com predomínio de vertebrados herbívoros e um número menor de carnívoros.

"(O Tiarajudens) é um representante do primeiro ecossistema moderno", sintetiza Juan Carlos Cisneros, salvadorenho da equipe que descobriu o fóssil. Na época, realizava pós-doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Hoje, leciona na Federal do Piauí.

Evolução. Cisneros faz questão de frisar que o Tiarajudens não é um dinossauro. "Os dinossauros são répteis", explica. "Este animal não é um réptil." A designação mais correta é sinapsídeo, ramo paralelo ao dos répteis que também tem origem no tronco comum dos anfíbios primitivos.

Não há uma linha direta entre o Tiarajudens e os mamíferos atuais. O tronco dos sinapsídeos também se bifurcou inúmeras vezes. O ramo do fóssil gaúcho foi um dos primeiros a se separar da linhagem dos mamíferos.

Mesmo assim, por estar muito próximo da raiz na árvore evolutiva dos sinapsídeos, ele é importante para a compreensão da evolução dos mamíferos, afirma Jörg Fröbisch, do Museu de História Natural de Berlim.

"O mais importante do trabalho não é o animal em si, mas o que ele representa na evolução dos sinapsídeos e, portanto, dos mamíferos", confirma Hussam Zaher, diretor do Museu de Zoologia da USP. Ele recorda que o encaixe perfeito dos dentes superiores e inferiores - a chamada oclusão dentária, uma prerrogativa dos mamíferos - já se insinua no fóssil de São Gabriel.

O paleontólogo salvadorenho recorda a primeira visita ao sítio de São Gabriel. "Uma pessoa encontrou um pequeno fóssil na terra, depois outro maior... Por fim, retiramos um bloco de rocha e levamos à universidade para analisar." No laboratório, levaram seis meses para compreender exatamente o que tinham nas mãos.

O artigo da Science descreve apenas o crânio - sem a mandíbula, que não foi conservada no fóssil. Mas Cisneros afirma que outras partes do Tiarajudens foram identificadas. "Também achamos materiais importantes de outros animais", avisa Marina Soares, da UFRGS, coautora do artigo.

Ocupação antiga
A descoberta de 56 ferramentas de pedra no Texas (Estados Unidos), também descrita na revista Science, mostra que os homens já ocupavam a América há 15 mil anos. / AP

Estadão

Ong faz campanha contra Aids com cartoon de orgias de gato



A ong francesa AIDES divulgou um vídeo ousado em sua nova campanha de prevenção à Aids. Em um desenhado animado inspirado nos anos 20, o gato Smutley tem relação sexual com a bicharada, sem excluir animal de nenhuma espécie.

A promiscuidade sexual, por motivos óbvios, é uma das principais causas da transmissão do vírus da HIV, e o vídeo consegue mostrar um promíscuo em ação sem submetê-lo a um julgamento moral. Para o desagrado, certamente, de moralistas.

A mensagem do vídeo, conforme se lê no final, é que o Smutley tem nove vidas, mas as pessoas não, e é por isso que se deve usar camisinha.

A ousadia valeu à AIDES um prêmio em 2008 de Cannes por alucinantes posters eróticos.

Para sensibilizar os jovens, do ponto de vista da ong, os riscos da contaminação do vírus têm de ser mostrados sem disfarces e tabus.

Fonte
O desenho é muito criativo e passa bem o recado.

Sonda envia primeira foto da superfície de Mercúrio

A sonda Messenger, que está na órbita de Mercúrio, enviou as primeiras tomadas em preto e branco da superfície do planeta para a Nasa (agência espacial americana).
A primeira foto, divulgada na terça-feira, mostra uma cratera de 85 quilômetros chamada Debussy. Também é possível ver outra cratera de 24 quilômetros, a Matabei, a oeste da Debussy.
Por mais seis horas consecutivas, a Messenger captaria mais de 360 imagens e as enviaria à Terra.
A missão é inédita, pois esta é a primeira vez que uma nave entra na órbita de Mercúrio, depois de seis anos vagando no espaço. Antes, apenas houve um sobrevoo em 1970 pela Mariner10.
Se tudo ocorrer bem, a Messenger deve ficar junto a Mercúrio durante um ano terrestre.

Caio Jr. estreia com vitória no Botafogo:2x1, contra o Paraná


Antes do pontapé inicial de Paraná x Botafogo, na noite desta quarta-feira, no estádio Durival de Brito, Caio Júnior, emocionado, disse estar vivendo "um momento especial" em sua vida. Afinal, estreava no comando do Bota exatamente diante do clube que o projetou para o futebol brasileiro como treinador - e do qual foi ídolo como jogador. E o primeiro capítulo no Alvinegro foi feliz para o técnico. Com uma postura ofensiva, apesar de atuar fora de casa, o time carioca venceu por 2 a 1 o jogo de ida pela segunda fase da Copa do Brasil.


As duas equipes voltam a se enfrentar na próxima quarta-feira, às 19h30m (de Brasília), no Engenhão. O Bota se classifica com vitória, empate ou até com derrota por 1 a 0. A equipe paranaense precisa vencer por dois ou mais gols de diferença. No placar de 2 a 1, mas a favor do Tricolor paranaense, levará a disputa da vaga para os pênaltis. O ganhador do confronto enfrenta nas oitavas de final o vencedor do duelo entre Avaí e Ipatinga, que se enfrentam ainda nesta quarta.

Para o início de uma nova fase em sua carreira, logo contra o clube que classificou para a Libertadores com a boa campanha no Campeonato Brasileiro de 2006, Caio Júnior contou com a volta de quatro titulares: Jefferson (que estava na Seleção Brasileira), Rodrigo Mancha, Everton e Herrera, que cumpriram suspensão na última rodada do Campeonato Carioca, diante do Boavista. Mas o time voltou a não contar com outros quatro atletas importantes: Loco Abreu e Arévalo (ambos na seleção uruguaia), e Lucas e Bruno Thiago, lesionados.

Do lado do time da casa, o treinador Ricardo Pinto, goleiro do Fluminense nos anos 90, também contou com reforços: o meia Luiz Camargo e os zagueiros Rodrigo Defendi e Luciano Castán, liberados após cumprir suspensão. Mas seguiu sem poder escalar o meia Kerlon, que ainda tenta se recuperar de uma lesão muscular na coxa direita.

Caio Júnior manteve o meio-campo com três volantes (Marcelo Mattos, Rodrigo Mancha e Somália). Mas posicionou o último mais avançado, pela lado direito, dividindo a armação de jogadas com Everton. Revelado no Paraná, que trocou pelo Flamengo em 2008, o meia foi vaiado logo que tocou na bola, com 30 segundos de jogo. A primeira boa chance de gol da partida surgiu exatamente após uma tentativa de Somália pela direita. Herrera recebeu na entrada da área e chutou rente à trave, aos nove minutos.

Se com Joel Santana no comando, muitos torcedores - e até jogadores - reclamavam que o Botafogo tinha uma postura muito defensiva, o mesmo não ocorreu no primeiro tempo da "gestão Caio Júnior". O time visitante tomou a iniciativa. Aos dez, Márcio Rosário arriscou de longe. O goleiro Thiago Rodrigues não segurou, e a defesa paranista afastou o perigo. A ousadia alvinegra foi premiada aos 15. Somália cobrou escanteio, e Antônio Carlos, ex-Atlético-PR, apareceu no meio da área para cabecear e mandar a bola no canto esquerdo.

A alegria do Bota, no entanto, durou apenas um minuto. O Tricolor paranaense respondeu na mesma moeda. Gol de cabeça de um zagueiro, no canto esquerdo, após cobrança de escanteio. Rodrigo Defendi empatou a partida. O gol de empate e a chuva que apertou no Durival de Brito não mudaram o panorama da partida. Mesmo jogando em casa, o Paraná seguiu recuado, apostando em contra-ataques. E o Bota continuou mais incisivo. Antônio Carlos perdeu chance incrível aos 25, completando por cima na pequena área.

Se já passava por dificuldades na partida, o Paraná foi para o intervalo com um homem a menos. Aos 45, Luiz Camargo atingiu Herrera com uma cotovelada no rosto antes da cobrança de uma falta sobre a área. Alertado pelo auxiliar Rodrigo Figueiredo, o juiz Elmo Cunha expulsou o meia paranista. Mas não marcou o pênalti, porque a bola não estava em movimento.

Com um jogador a mais, Caio Júnior decidiu iniciar a segunda etapa com um atacante (William) no lugar de um volante (Rodrigo Mancha). E o jovem mostrou ter estrela. Logo com dois minutos, ele ajeitou de peito para Somália, que chutou forte de fora da área. O goleiro Thiago Rodrigues não segurou. William acreditou na falha do goleiro e completou para as redes, marcando seu primeiro gol como profissional em apenas dois jogos no time de cima.

Novamente, a alegria pelo gol virou preocupação. Um minuto depois da bola na rede, Somália fez falta em Diego. O volante já havia recebido amarelo e foi expulso. Na zona de rebaixamento do estadual, o Paraná, mesmo com a igualdade de atletas em campo, seguiu sem criatividade, com grande dificuldade de armar jogadas. Irritando grande parte dos torcedores no estádio. A equipe insisita em infrutíferos cruzamentos sobre a área.

Ricardo Pinto decidiu mexer no Tricolor aos 29, quando mandou o atacante Marquinhos a campo no lugar do meia Lima. Mas foi o Botafogo que esteve mais perto de eliminar o jogo de volta do que o Paraná de igualar o marcador. William quase balançou a rede novamente aos 31, mandando a bola rente à trave direita com um chute da entrada da área. Alessandro ainda perdeu outra chance aos 39, isolando uma bola no bico da área.

Nos minutos finais, o time da casa partiu para o desespero. Mas sem organização, não conseguiu o empate. Para a alegria do treinador que levou o time a uma inédita vaga na Libertadores. Mas que agora está do outro lado.



FICHA TÉCNICA
PARANÁ 1 X 2 BOTAFOGO

Estádio: Durival de Britto, Curitiba (PR)
Data-Hora: 30/3/2011 - 19h30 (de Brasília)
Árbitro: Elmo Alves Resende da Cunha (GO)
Auxiliares: Evandro Gomes Ferreira (GO) e Márcio Soares Maciel (GO)
Renda e público: R$ 119.525,00 / 4.490 pagantes / 4.815 presentes
Cartões amarelos: Henrique e Luciano Castán (PAR); Rodrigo Mancha, Somália e Alessandro (BOT)
Cartões vermelhos: Luiz Camargo 47'/1ºT (PAR); Somália 3'/2ºT (BOT)
Gols: Antônio Carlos 15'/1ºT (0-1), Rodrigo Defendi 16'/1ºT (1-1) e Willian 1'/2ºT (1-2)

PARANÁ: Thiago Rodrigues, Paulo Henrique, Luciano Castán, Rodrigo Defendi e Henrique (Luizinho 43'/2ºT); Anderson, Luiz Camargo, Lima (Marquinhos 28'/2ºT) e Diego (Ricardinho 34'/2ºT); Kelvin e Léo - Técnico: Ricardo Pinto.

BOTAFOGO: Jefferson, Alessandro, Antônio Carlos, Márcio Rosário e Marcio Azevedo (Fahel 7'/2ºT); Rodrigo Mancha (Willian - Intervalo), Marcelo Mattos, Somália e Everton; Herrera e Caio (Cidinho 40'/2ºT) - Técnico: Caio Junior.

Fonte

No geral, foi uma boa atuação. Cidinho mostrou que tem tudo para se craque. É leve, talentoso e lembra Maicossuel.Poderá ser titular em breve. De negativo, só destaco a má atuação novamente de Márcio Azevedo na esquerda. O lateral que está vindo do Nova Iguaçu, Cortês, poderá ser testado na posição.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Não há democracia com burca - LUIZA NAGIB ELUF



As mulheres não são felizes exercendo o papel que lhes foi reservado pelos conservadores; essa argumentação deve ser vigorosamente rejeitada

Assistimos à derrubada da ditadura egípcia e aos movimentos revolucionários na Líbia, Iêmen, Bahrein e em outros países do Oriente, onde as populações clamam por democracia; o restante do mundo assiste ao desenrolar dos fatos formulando as mais variadas análises.
Deposto Hosni Mubarak, uma junta militar promete conduzir o Egito às eleições. As liberdades democráticas são a principal reivindicação do mundo árabe.
Antes de qualquer análise, porém, é preciso lembrar que estamos falando de uma região que concentra maioria esmagadora de seguidores do islamismo. Nesse contexto, é impossível prever qual a influência dos cânones religiosos na reestruturação que está por vir.
Embora muitos argumentem que alguns dos países em transformação têm tradição de Estado laico, como o Egito, as imagens internacionais evidenciam a forte presença religiosa entre os sublevados, fazendo crer que o potencial de crescimento da Irmandade Muçulmana não deve ser subestimado.
As maiores vítimas da repressão, as mulheres, gritam através da burca que lhes cobre o corpo, o rosto, a boca. Amordaçadas, apenas com os olhos descobertos, elas querem participar e tentam se fazer ouvir.
O que é uma mulher no islã? Sobre isso, os articulistas brasileiros pouco têm falado.
Alguns estudiosos do Oriente Médio, chamados a escrever para jornais ou para opinar na TV, simplesmente desconsideram o problema das mulheres. Não as enxergam. Falam em futuro promissor, em democracia, mas esquecem os direitos humanos que a antecedem.
Acharão normal que, passada a revolução e atingido o objetivo de derrubar ditadores, as mulheres voltem para casa e se recolham ao cárcere domiciliar? A condição de mais da metade da população não faz parte da história que certos intelectuais pretendem contar.
Nem se diga que as mulheres são felizes exercendo o papel que lhes foi reservado pelos conservadores, que elas não precisam de mais nada além de obedecer aos maridos e ter filhos, que usam o véu espontaneamente e que precisam dos homens para se sentir protegidas. Enfim, que tudo se justifica pela tradição cultural.
Não há dúvida de que essa argumentação obscurantista deve ser vigorosamente rejeitada, pois os direitos humanos são universais, não importando a região do mundo de que se trate. Definitivamente, mulheres não conseguem ser felizes na condição análoga à de escrava.
A mulher no islã não tem direitos sexuais. Muitas são submetidas à mutilação genital. Tampouco tem direitos patrimoniais, intelectuais ou mesmo de livre locomoção. Não podem dirigir veículo. Não podem mostrar os cabelos, não podem usar roupas que realcem as formas do corpo e são obrigadas a cobrir-se da cabeça aos pés para sair às ruas.
A revolução "democrática", seja no Egito, seja na Líbia ou em qualquer outro país majoritariamente islâmico, corre o risco de não contemplar a mulher, deixando de assegurar a igualdade de direitos. E não pode haver democracia com burca.


LUIZA NAGIB ELUF é procuradora de Justiça do Ministério Público de São Paulo. Foi secretária nacional dos Direitos da Cidadania no governo FHC e subprefeita da Lapa na gestão Serra/Kassab. É autora de "A Paixão no Banco dos Réus" e de "Matar ou Morrer - O Caso Euclides da Cunha", entre outros.

Folha de SP-27/03

Os fundamentos do ateísmo

Por simples bom senso, não acredito em Deus; em nenhum.
Charles Chaplin


Etimologicamente, a palavra ateu é formada pelo prefixo a — que denota ausência — e pelo radical grego theós — que significa Deus, divindade ou teísmo; ou seja, a palavra ateu pode significar sem deus ou sem teísmo. Como a imprecisão desse primeiro significado o torna impróprio para representar a noção de descrença ateística, usa-se como base a acepção teísmo, que significa crença na existência de algum tipo de deus ou deuses de natureza pessoal. Nesse caso, chegamos a uma definição mais coerente e clara de indivíduo ateu: aquele que não acredita na existência de qualquer deus ou deuses. Assim, quando queremos uma palavra que representa tal perspectiva, usamos o termo ateu ligado ao sufixo ismo, que, na língua portuguesa, é usado com o significado de doutrina, escola, teoria ou princípio artístico, filosófico, político ou religioso. Deste modo, chegamos a uma definição bastante nítida do que é ateísmo: estado de ausência de crença na existência de qualquer deus ou deuses.

É importante salientar que, comumente, a maioria dos ateus, quando se refere à sua posição, diz apenas que não acredita em deus/deuses. Isso não está incorreto, mas, na verdade, com isso quer dizer que não acredita na existência de deus/deuses. Afirmar apenas “não acredito em Deus” pode dar margem à interpretação errônea de que a pessoa em questão acredita em sua existência, mas é contra Deus, contra seus mandamentos, ou então que não lhe dá qualquer crédito, que o desacredita, o difama, fato este que, não raro, dá origem a vários preconceitos em relação à posição ateísta. Esclarecido esse ponto, vejamos quais são os tipos de ateísmo existentes.

Há várias modalidades de ateísmo, as quais diferem fundamentalmente quanto à atitude do indivíduo para com a ideia de uma divindade. Vale lembrar que tais classificações são meramente didáticas, feitas apenas para delinear as circunstâncias mais comuns em que o ateísmo pode ser encontrado. As duas modalidades-tronco são: 1.0) ateísmo implícito; 2.0) ateísmo explícito. A primeira, filosoficamente, é pouco relevante, e subdivide-se em: 1.1) ateísmo natural; 1.2) ateísmo prático. A segunda subdivide-se em outras duas variedades que são comumente denominadas: 2.1) ateísmo negativo ou ateísmo cético; 2.2) ateísmo positivo ou ateísmo crítico.
1.0) O ateísmo implícito, como o próprio nome indica, é a variedade de ateísmo que existe tacitamente. Nesse caso, o ateísmo não se fundamenta na rejeição consciente e deliberada da ideia de deus, baseada em conceitos filosóficos e/ou científicos, mas simplesmente existe enquanto um estilo de vida que não leva em consideração a hipótese da existência de algum deus para se guiar. O ateísmo implícito pode ser dividido em ateísmo natural e ateísmo prático.
1.1) O ateísmo natural é o estado de ausência de crença devido à ignorância ou à incapacidade intelectual para posicionar-se ante a noção de existência de uma divindade. Nessa categoria entram todos os indivíduos que nunca tiveram contato com a ideia de um deus; por exemplo, alguma tribo, grupo ou povo que se encontre isolado da civilização e que seja alheio à ideia de um deus. Também se enquadram nessa categoria os indivíduos incapazes de conceber a ideia de um deus, seja isso por imaturidade intelectual ou por deficiências mentais; por exemplo, poderíamos citar crianças de pouca idade; pessoas que sofrem de alguma enfermidade mental incapacitante também se enquadram nessa categoria.
1.2) O ateísmo prático enquadra aqueles que tiveram contato com a ideia de deus, ou seja, que conhecem as teorias sobre as divindades, mas não tomam qualquer atitude no sentido de negá-la, rejeitá-la ou afirmá-la, permanecendo, deste modo, neutros sobre o assunto. Os integrantes dessa categoria comumente se classificam como agnósticos, isto é, aqueles que julgam impossível saber com certeza se há ou não uma divindade. Sob essa ótica, devido a essa impossibilidade, afirmam que seria inútil qualquer esforço intelectual no sentido de comprovar ou refutar a existência de um deus. Qualquer pessoa que tem conhecimento da existência das religiões e de suas teorias, mas vive sem se preocupar se há ou não algum deus, ou julga impossível sabê-lo com certeza, sem rejeitar ou afirmar explicitamente a ideia de deus, é classificada como pertencente ao ateísmo prático.
2.0) O ateísmo explícito é a rejeição consciente da ideia de deus. A causa dessa rejeição frequentemente é fruto de uma deliberação filosófica; contudo, não é possível fazer qualquer espécie de generalização quanto à causa específica da descrença, pois cada pessoa julga individualmente quais razões são válidas ou inválidas para corroborar ou refutar a ideia da existência de um deus. O ateísmo explícito pode ser dividido em duas outras categorias.
2.1) O ateísmo negativo ou cético é a descrença na existência de deus(es) devido à ausência de evidências em seu favor. Essa variedade também pode ser encontrada sob a denominação de posição cética padrão, pois reflete um dos axiomas mais fundamentais do pensamento cético, que é: não devemos aceitar uma proposição como verdadeira se não tivermos motivos para fazê-lo; ou, em sua versão lacônica: sem evidência, sem crença. O ateu dessa categoria limita-se a encontrar motivos para justificar sua rejeição da ideia de deus, por vezes esforçando-se em demonstrar por que as supostas provas da existência divina são inválidas, mas sem se preocupar com a negação da possibilidade da existência de um deus.
2.2) O ateísmo positivo ou crítico é a variedade mais difícil de ser defendida, pois é uma descrença que envolve a negação da possibilidade de existência de um deus. Os ateus dessa categoria tipicamente se intitulam racionalistas e seguem o princípio de que o ataque é a melhor defesa; ou seja, literalmente atacam a ideia de deus, evidenciando as contradições e as incongruências presentes nesse conceito, empenhando-se em demonstrar, através de argumentos racionais, por que a existência de um deus — como definido pelas religiões — é logicamente impossível.

À primeira vista, talvez pareça que tais definições são demasiado singelas para serem capazes de abarcar todas as possibilidades, mas não são. Isso porque a posição ateísta, em si mesma, não é positiva, não possui qualquer conteúdo, pois não representa algo, mas apenas a ausência de algo, inclusive no caso do ateísmo positivo; em suas categorias mais elaboradas, o ateísmo é uma ausência vinculada a uma rejeição ou a uma negação de algo largamente aceito, que, no caso, é o teísmo, em suas variadas formas.
Deste modo, a definição de ateísmo não subentende qualquer espécie de descrição prática do indivíduo. Nessa classificação, aquilo que os ateus fazem de suas vidas não é levado em consideração absolutamente. Ao contrário de outros ismos — como cristianismo, judaísmo, espiritismo, xintoísmo, hinduísmo, islamismo —, o ateísmo não é um estilo de vida nem uma doutrina dotada de um corpo de conhecimentos ou princípios, mas somente uma classificação acerca do posicionamento ou estado intelectual do indivíduo em relação à ideia de deus. Portanto, o ateísmo não possui natureza análoga às religiões teístas.
Uma vez que o ateísmo é apenas uma classificação — e não uma doutrina ou uma cosmovisão —, logicamente não incorpora qualquer espécie de valores, princípios morais ou noções de ética. É exatamente devido a esse fato que muitos indivíduos, inadvertidamente, classificam os ateus como imorais. Deve ficar claro, entretanto, que a ausência de um conjunto de valores morais, na verdade, refere-se somente ao ateísmo em si mesmo, de modo que, na prática, isso não implica qualquer incompatibilidade entre ambas as coisas.


Assim como os teístas, os ateístas possuem valores morais que norteiam suas ações. Não há quaisquer evidências empíricas para sustentar a acusação de imoralidade tão frequentemente lançada contra os descrentes. É claro que os ateus, como um todo, não compartilham um código moral único, não possuem uma moral baseada na autoridade de princípios ateísticos, que seriam absolutos ou superiores como os valores vinculados ao teísmo. Na realidade, os ateus escolhem individualmente — visando seus objetivos, suas necessidades — quais são os valores que melhor lhes servirão para guiar suas vidas em função do sentido que escolheram para elas; ou seja, o que não existe é uma moral ateísta no sentido em que falamos de uma moral cristã. Entretanto, há, por certo, ateístas morais, os quais se baseiam em fatores de natureza humana para fundamentar seus valores de modo racional; pois é claro que, sem um deus, tais fatores não poderiam ser absolutos ou transcendentais.



A grande frequência com que se tenta corroborar ou refutar o ateísmo através de julgamentos e valores morais apenas demonstra uma lamentável leviandade (ex: “ateus também fazem caridades” ou “muitos ateus são criminosos”). É claro que, se desejarem, alguns ateus podem ser bondosos, compassivos, solidários etc. Talvez devido ao fato de a maioria dos religiosos se identificar com esse tipo de moral sua típica ojeriza à palavra ateu possa ser um pouco amenizada; todavia, pretender que a bondade tenha, em si mesma, algum valor, que ofereça qualquer verossimilhança à posição, é, no mínimo, um absurdo. O mais “dogmático” dos ateísmos ainda não passa de uma mera negação (“Deus não existe”, afirmativamente). Sendo assim, assumir um posicionamento ateísta remete-nos a um plano muito mais fundamental, muito mais abrangente. Em outras palavras, além de ser independente da moral, o ateísmo a precede em profundidade filosófica; ou seja, na melhor das hipóteses, somente será possível deduzir, individualmente, valores a partir do ateísmo, mas nunca o ateísmo a partir dos valores. Daí a impossibilidade de a bondade, por exemplo, servir de respaldo a ele; e o mesmo vale para objeções ao ateísmo baseadas em delitos cometidos por indivíduos ateus.


Há também uma grande tendência de se querer vincular a responsabilidade das ações à visão de mundo do indivíduo, e tal tendência está ligada à ideia de que esta vem sempre carregada de valores e deveres; nesse caso, também vinculada ao mal-entendido de que o ateísmo é uma crença positiva. Por exemplo, se um cristão faz caridade em nome de Deus e usa a Bíblia para justificar tal feito, então se pode dizer que o cristianismo é, em certo grau, responsável por tal ação. Isso porque toda religião tem seus dogmas, suas verdades, seus princípios superiores, em suma, seu tu deves. Portanto, ela define o que é o bem e o que é o mal, o que é certo e o que é errado, e assim por diante. Diferentemente, o ateísmo encontra-se alheio a todo esse rebuliço de valores que os humanos cultivam. Se um ateu faz algo bom ou mau, isso não se deve ao ateísmo, pois o ateísmo não diz coisa alguma a respeito do que devemos ou não fazer. O ateísmo não diz o que é o bem nem o que é o mal, muito menos o que é certo ou errado. Ele não arrasta consigo nenhuma espécie de valor, e é por isso que não se pode atribuir-lhe qualquer tipo de culpa ou responsabilidade. Tudo recai tão-somente sobre os ombros do arbítrio individual, não sendo possível qualquer espécie de generalização da causa de seu ato que venha a abarcar o ateísmo.
Por isso, todo ateu que defende valores morais específicos — mesmo se forem de benevolência e de caridade — sem deixar claro que isso não tem qualquer relação com sua descrença, estará, sem perceber, prestando um grande desserviço aos ateus. Talvez a intenção seja boa, isto é, pense que com isso está revertendo o estereótipo negativo que tipicamente se tem dos ateus — de que são todos pervertidos, frustrados, imorais, insensíveis, criminosos. O problema, naturalmente, reside no fato de que esse contra-ataque pressupõe a falsa ideia de que o ateísmo deve se defender de acusações morais, e isso só termina por gerar mais confusão ainda. A personalidade dos ateus não tem qualquer relação direta com o ateísmo. Todos esses estereótipos sociais sobre como os ateus são não passam de preconceito, fantasia, pois, como vimos, o ateísmo não é capaz de justificar nada disso.




O fato de algum ateu ser altruísta ou egoísta, bondoso ou maldoso, compassivo ou cruel é apenas reflexo de seu temperamento e dos valores adotados pelo indivíduo em particular. Não delinear essa distinção entre o ateísmo e a moral faz com que as pessoas pouco aprofundadas no assunto se acostumem a encarar os padrões comportamentais dos indivíduos descrentes como uma consequência de seu ateísmo; ou seja, do mesmo modo que os ateus caridosos darão uma boa imagem ao ateísmo, os ateus criminosos irão macular e infamar sua imagem. Além de isso dar luz a diversos e indesejáveis estereótipos, estes ainda ocultam a verdadeira face do ateísmo, a neutralidade.


Portanto, ateus não compartilham necessariamente qualquer similaridade, exceto a descrença, é claro. Ateus podem ser bons ou maus, santos ou pervertidos, altruístas ou egoístas, individualistas ou coletivistas; podem ser democratas, socialistas, anarquistas ou monarquistas; podem ser filósofos, médicos, psicólogos, professores, eletricistas, lixeiros, escritores, comerciantes, alpinistas, atores ou qualquer outra coisa. O ateísmo, em si mesmo, é estritamente neutro, e, portanto, vazio de quaisquer implicações morais ou filosóficas. Ateísmo é apenas o nome que se dá ao estado de ausência de teísmo, ou seja, tão-somente a ausência de crença na existência de quaisquer deuses. Se pode ser dito que os ateus têm algo em comum, esse algo é exatamente o não-ter-nada-em-comum, pelo menos não necessariamente, como uma regra geral.


Todos os animais são ateus, e todas as pessoas, um dia, já foram ateias; sem exceção. Todos os bebês nascem sem discernimento suficiente para compreender a noção de deus. Como vimos acima, esse estado é enquadrado como uma categoria de ateísmo. É claro que não se trata de uma descrença deliberada, mas demonstra quão absurdo é tentar derivar qualquer espécie de consequência do fato de alguém ser ateu. Certamente os religiosos fervorosos objetarão essa ideia, dizendo que é injusto taxar qualquer pessoa incapaz de formar seu juízo a respeito do assunto como uma ateísta. Contudo, vejamos: injusto por quê? Há algo de errado em ser ateu? É sinal de perversão, de insanidade? É claro que não (talvez sim, mas apenas para alguns teístas intolerantes, que só gostam da lógica quando esta está em seu favor). Nesta situação, a palavra está descrevendo perfeitamente a perspectiva do indivíduo em relação à ideia da existência de divindades. Por exemplo, certamente ninguém levantaria objeções à pretensão de classificar um bebê como um indivíduo apolítico por ser incapaz de conceber o que é política e de posicionar-se em relação a ela; tampouco à ideia de que todos eles são analfabetos. Como se pode dizer, afirmou Richard Dawkins, que uma criança de quatro anos seja muçulmana, cristã, hindu ou judia? É possível falar de um economista de quatro anos de idade? O que você diria sobre um neoisolacionista de quatro anos ou um liberal republicano de quatro anos? A questão está na incoerência de imputar posições positivas a quem não pode responder por elas, sequer pode concebê-las. Em nossa sociedade, entretanto, a palavra ateu encontra-se tão carregada de preconceitos, tão estigmatizada, que chamar um indivíduo de ateu, longe de ser uma mera classificação neutra, na verdade aparenta ser uma espécie de insulto.


Objetivamente, percebemos que essa animosidade para com a definição apresentada de ateísmo natural, na realidade, não tem nada de razoável, impessoal ou desinteressado. O problema certamente não está na definição, mas nos preconceitos que são nutridos em relação à posição ateísta. O grau em que um indivíduo religioso se sente incomodado com a ideia de se chamar uma criança desinformada de ateia pode ser usado para medir o grau de preconceito e de intolerância que possui em relação ao ateísmo. Digam o que disserem, o ateísmo não é uma perversão, nem uma teimosia, nem uma insensibilidade, nem qualquer outra coisa senão a ausência de crença na existência de deus; o resto fica por conta dos preconceitos.


Entretanto, quando analisamos a perspectiva religiosa, torna-se compreensível que tais preconceitos existam. O fato de alguém rejeitar a verdade óbvia de que existe um criador, e declarar-se abertamente ateu, só pode significar que se trata de uma pessoa insensível, cínica, ressentida, frustrada com a vida e revoltada com Deus. Mas, logicamente, tal raciocínio é de todo unilateral. O problema não está nos ateus, mas no fato de que homens convictos são prisioneiros de seus pontos de vista. Quem jura lealdade absoluta a uma doutrina ou ponto de vista específico inevitavelmente fecha os olhos para todo o resto e, deste modo, a imparcialidade torna-se algo impossível. Homens comprometidos com um ponto de vista perdem sua liberdade de pensamento, tornam-se incapazes de enxergar a realidade senão através de uma ótica parcial e pessoal, e assim tudo passa a dividir-se em dois grupos: os que, como eles, sabem da verdade, e os outros, que estão todos errados e perdidos. Sem dúvida, uma atitude lamentável, pois qualquer pessoa razoavelmente esclarecida sabe que o uso da convicção — ou da fé — como único critério da verdade fatalmente conduz a uma completa falta de imparcialidade que cega e tolhe a visão de mundo.


No que concerne à origem de tais preconceitos, é impossível saber exatamente o que acontece na mente religiosa, mas podemos lançar mão de uma analogia que parece ser bastante razoável para explicá-la. Digamos que, na perspectiva religiosa, um indivíduo declarar-se ateu talvez seja algo tão chocante quanto um filho querido e bem cuidado que afirma não amar seus pais. Algo como dizer: Que importa se eles me amam? Que importa se eles me geraram, me alimentaram e me educaram? Fizeram-no porque quiseram; não obriguei ninguém a isso e, portanto, não devo gratidão alguma. Para a maioria das pessoas, certamente tal afirmação é chocante; vem à nossa mente a imediata impressão de que tal pessoa é insensível e cínica, sendo difícil imaginar que ela é feliz e mentalmente sadia. Mas, sem dúvida, temos de admitir que as palavras dessa pessoa fazem sentido, e são estritamente racionais. O fato é que nós todos temos preconceitos, e acharmos que todos devem amar cegamente seus pais apenas porque foram bondosos e cuidaram bem de nós é só mais um deles. Provavelmente, isso está enraizado em instintos; mesmo assim, em nível objetivo, continua sendo um preconceito. Esse é um bom exemplo para demonstrar que as crenças arraigadas por motivos emocionais parecem possuir uma curiosa imunidade à crítica racional. Portanto, supondo-se que as crenças religiosas fundamentam-se em fatores emocionais, isso explicaria por que afirmar que “não amamos nosso criador” pode soar algo muito forte aos religiosos, desembocando fatalmente em preconceitos de todo tipo.

Percebendo que não podem estereotipar os ateus moralmente ou filosoficamente, os críticos do ateísmo partem para outra tática. Deslocam-se para o campo da prática e afirmam que a descrença é negativismo puro; que destrói, mas não reconstrói; que deixa um vazio na vida das pessoas; que é inútil. Mas essa argumentação é claramente tendenciosa, pois tenta depreciar a posição ateísta contrapondo-a de modo distorcido ao teísmo. Se o ateísmo não é um conjunto de valores, se não é uma explicação e nem um guia para a vida das pessoas, por que ele haveria de ser útil nesses aspectos? Não há o menor sentido em fazer tal comparação. O ateísmo não é uma alternativa para o teísmo e nunca pretendeu ser. Todavia, naturalmente, sem dogmas a serem seguidos, inevitavelmente recai sobre nossos próprios ombros a tarefa de escolher e julgar os valores, isto é, de nos posicionarmos individualmente frente ao mundo em que vivemos. Mas essa tarefa deve ser entendida em termos de liberdade de escolha, não de vazio existencial; tal liberdade pode gerar angústia, é claro, mas isso não vem ao caso neste ponto da argumentação. O ateísmo, ao contrário do que alguns fazem parecer, não é a maldição da vida sem sentido, mas a maldição de precisar escolher um sentido. Enfim, é difícil imaginar o que poderia haver de ruim e negativo no fato de que cada um é livre para criar suas próprias regras e perseguir seus próprios objetivos, em vez de ser obrigado a seguir as regras e os objetivos de outrem.

Outro equívoco comumente cometido por aqueles que se opõem ao ateísmo consiste em tratar tal posição como análoga ao teísmo, como uma “religião da descrença”; ou seja, julgam que os ateus, assim como os teístas, na realidade professam alguma espécie de crença dogmática na inexistência de deus(es). Partindo dessa premissa, concluem que o ateísmo não tem mais validade que qualquer crença religiosa, pois, assim como os teístas acreditam em Deus e são incapazes de provar sua existência, os ateus seriam descrentes igualmente incapazes de provar sua inexistência.


Pelo que vimos acima, tal objeção transborda uma tremenda incompreensão do que é ateísmo. Primeiramente, porque o ateísmo não é uma crença dogmática na inexistência de deus, mas somente a ausência de crença nesse tipo de entidade sobrenatural. Em segundo lugar, porque há uma regra lógica muito simples — e convenientemente ignorada pelos teístas — que diz o seguinte: não é razoável acreditar em algo sem ter motivos para fazê-lo. Qualquer indivíduo sensato há de convir que a atitude de não acreditar em algo — por não haver evidências convincentes em seu favor — não é uma crença, e tampouco precisa se sustentar em provas.



Além disso, provar negações universais, por motivos lógicos, é algo extremamente difícil, e alegremente certos teístas usam isso para afirmar que ninguém é capaz de provar a inexistência de Deus. À primeira vista, isso parece razoável, e seria suficiente para empatar os placares. Mas, com um pouco de pensamento crítico, logo se percebe a incoerência: não podemos provar a inexistência de praticamente qualquer coisa. Para deixar a ideia clara, só precisamos de algum tempo livre para dar asas à nossa imaginação. Por exemplo, formulemos algumas hipóteses bizarras:
1) Nosso universo, na verdade, é um aquário espacial feito por alienígenas que estão brincando de cultivar seres humanos.
2) Existem cogumelos imateriais que vivem numa dimensão paralela, os quais estão nos vigiando constantemente, apesar de não podermos detectá-los.
3) A verdadeira divindade, que criou o mundo e os homens, é Zeus, com a ajuda de Apolo e Dionísio. Eles e inumeráveis outros deuses estão todos no Olimpo nos observando.
4) O planeta em que vivemos é um elétron; o Sol é um conjunto de prótons e nêutrons; nosso sistema planetário como um todo é um átomo de flúor gigantesco. Os físicos modernos discordam de tal afirmação, mas isso acontece porque o homem ainda não possui tecnologia suficiente para observar e analisar a realidade de modo preciso.
5) O universo só parece mecânico e impessoal; na verdade, o mundo em que vivemos é autoconsciente.
6) Há uma civilização pacífica que habita o núcleo do Sol; ela se protege do calor através de um sistema hipertecnológico que nos é inconcebível; nela vivem milhões de unicórnios, centauros e minotauros em um grau de desenvolvimento muito superior ao nosso.
7) Há um grande dragão alado vermelho cuspidor de fogo em meu quarto; contudo, toda vez que alguém tenta observar ou confirmar sua existência, este desaparece imediatamente de modo misterioso.
Então perguntemos: como alguém seria capaz de refutar tais hipóteses? Não temos qualquer motivo para julgá-las verdadeiras, mas, mesmo assim, não temos como provar que são definitivamente falsas. É esse o problema das negações universais.

Por exemplo, no caso da sexta hipótese, o único modo de provar que tais seres não existem seria ir até o núcleo do Sol e olhar se estão lá ou não, mas isso não é realmente uma boa ideia, pois frequentar locais que estão a milhões de graus Celsius é relativamente perigoso. Isso significa que não podemos provar a inexistência dessa tal civilização helionuclear. Entretanto, faz algum sentido declarar que essa impossibilidade serve como uma evidência de sua existência? Definitivamente, não. Ademais, o fato de alguém acreditar piamente em tal hipótese é irrelevante à sua veracidade.

O mesmo se aplica à ideia de deus: trata-se somente de uma hipótese sem comprovação; uma especulação, realmente. Só precisamos trocar a afirmação “há seres vivos no centro do Sol” por “Deus criou o mundo” ou “Deus existe”. Não existem razões para julgarmos que a hipótese divina deveria fugir à regra. Pelo mesmo motivo que as pessoas não acham sensato acreditar que estamos sendo vigiados por cogumelos imateriais, os ateus acham sensato não acreditar na hipótese da existência de um deus criador.
Devemos notar, entretanto, que isso não implica de modo algum a impossibilidade da existência de cogumelos imateriais ou de deuses. De fato, nenhuma das hipóteses apresentadas acima é impossível. Simplesmente não acreditamos nelas porque não temos motivos para julgar que são verdadeiras. Como vemos, não há qualquer traço de extremismo em tal raciocínio, como poderia parecer à primeira vista.
Esse contra-argumento dos teístas — “prove-me que Deus não existe” —, que costuma ser aceito prontamente como válido pelos desavisados, é uma falácia argumentativa que recebe o nome de inversão do ônus da prova, na qual aquele que afirma a veracidade de uma proposição coloca sobre os incrédulos o dever de provar sua falsidade e, se estes forem incapazes de fazê-lo, imediatamente ficaria comprovada a veracidade da proposição. O engano, nota-se, é óbvio: como poderíamos fazer isso — provar a inexistência de tal deus — se, na realidade, nem mesmo existem provas de sua existência para refutarmos?
Na realidade, o dever de provar a veracidade recai sobre os ombros daquele que afirma algo. Se algum indivíduo diz “Deus existe”, fica sobre ele a responsabilidade de provar a veracidade de sua proposição, ou seja, provar a existência de Deus. Se falhar em prová-la, então não teremos motivos para aceitá-la e, assim, a descrença torna-se plenamente justificada.





Vemos, portanto, que ateus não têm o dever de provar coisa alguma, pois, no ato de descrer, não estão afirmando nada. Em geral, o que dizem é simplesmente o seguinte: Não acredito em deus porque não tenho motivos para fazê-lo; caso tivesse algum motivo, acreditaria; mas não encontrei nenhum. Ante a ausência de evidências, ser ateu não passa de uma simples questão de honestidade intelectual. Bertrand Russell resumiu muito bem o conceito fundamental nesta passagem:
Muitos indivíduos ortodoxos dão a entender que é papel dos céticos refutar os dogmas apresentados — em vez de os dogmáticos terem de prová-los. Essa ideia, obviamente, é um erro. De minha parte, poderia sugerir que entre a Terra e Marte há um pote de chá chinês girando em torno do Sol em uma órbita elíptica, e ninguém seria capaz de refutar minha asserção, tendo em vista que teria o cuidado de acrescentar que o pote de chá é pequeno demais para ser observado mesmo pelos nossos telescópios mais poderosos. Mas se afirmasse que, devido à minha asserção não poder ser refutada, seria uma presunção intolerável da razão humana duvidar dela, com razão pensariam que estou falando uma tolice. Entretanto, se a existência de tal pote de chá fosse afirmada em livros antigos, ensinada como a verdade sagrada todo domingo e instilada nas mentes das crianças na escola, a hesitação de crer em sua existência seria sinal de excentricidade.
Mas isso não é suficiente para fechar a questão. Há uma frase — a qual, aliás, é bastante famosa entre os ateus — que serve como um aviso para que mantenhamos nossa mente sempre aberta: ausência de evidência não é evidência de ausência. A simples falta de evidências não é suficiente para justificar a crença na inexistência, e a maioria dos ateus realmente não acredita de modo definitivo na inexistência divina.
Entretanto, não podemos ignorar o fato de que há certos ateus que acreditam na inexistência de deus(es). Como vimos, são os que pertencem à categoria do ateísmo crítico. Para justificar tal posicionamento, a ausência de evidência não é suficiente. Neste caso, torna-se necessário demonstrar a impossibilidade da existência divina. Deste modo, poderíamos dizer que esta posição é dogmática, pois é impossível provar definitivamente a inexistência de qualquer deus. Mas o pequeno detalhe que faz toda a diferença reside no fato de que não tentam provar a impossibilidade da existência de qualquer divindade, mas de uma divindade específica de tal ou tal religião.

O ateu crítico usa a própria crença do indivíduo teísta para fundamentar sua argumentação. Se alguém diz: “eu acredito em Deus”, o ateu crítico pergunta coisas como: “que é deus?”, “qual é a natureza desse deus?”, “quais são seus atributos?”. Por exemplo, estudando as definições do Deus bíblico, o ateu crítico poderia procurar contradições nos atributos dessa divindade e, usando a regra lógica da não-contradição — tudo aquilo que se contradiz é necessariamente falso —, usa essa informação para argumentar contra a existência de tal ser. Assim, do mesmo modo que a regra da não-contradição justifica a crença na inexistência de entes cujos atributos se excluem mutuamente — como cubos esféricos ou círculos hexagonais —, também justifica a crença na inexistência de um deus cujos atributos são contraditórios. Nesta situação, a crença encontra-se justificada de modo racional e lógico, não sendo possível, portanto, acusá-la de dogmatismo.
Em discussões do tipo Ateísmo versus Teísmo, percebe-se facilmente que a maioria das pessoas não entende o que é ateísmo. É por isso que grande parte dos argumentos usados contra ele é notável por sua absoluta irrelevância. Por exemplo, quando algum ateu assume abertamente sua posição, logo é coberto de argumentos verborrágicos e disparates de todo tipo. Alguns exemplos: “você quer ir para o inferno?”; “você é mais um daqueles que acredita que isso tudo surgiu do nada?”; “então explique a origem da vida e do Universo”; “é uma pena que você seja tão infeliz”.
Sem levar em consideração o primeiro exemplo e o último, pois sequer merecem uma resposta séria, devemos ter em mente que o fato de alguém ser ateu não diz nada, absolutamente nada sobre o que ele pensa a respeito de tais assuntos. Isso porque o ateísmo possui caráter negativo, e as negações são extremamente parcimoniosas no fornecimento de dados. Por exemplo, se alguém dissesse “eu não me chamo José”, que poderíamos inferir a partir disso além do fato de que seu nome é outro, que não José? Seria absurdo pensar que tal informação fornece qualquer pista significante sobre seu verdadeiro nome. É simplesmente incabível tentar deduzir a partir do fato de alguém ser ateu quais são seus pontos de vista filosóficos, morais ou científicos sobre quaisquer assuntos.



É claro que os religiosos costumam fazer esses tipos de pergunta porque a maioria dos ateus adota o posicionamento científico, que se baseia na experimentação e no racionalismo, mas não necessariamente. O indivíduo ateu pode possuir suas próprias teorias ou então, sem problema algum, pode se abster de responder essas questões, alegando que, na ausência de dados corroborativos para construir qualquer teoria razoavelmente verossímil, qualquer afirmação não passaria de um mero disparate.
Nesse último caso, a resposta típica às perguntas dessa natureza é simplesmente esta: não sei.
Como surgiu o Universo? Não sei.
Por que existimos? Não sei.
Deus existe? Não sei. Afirmo apenas que nasci neste mundo e que sou ignorante quanto a todos esses fatos. Nossa existência parece um grande mistério insondável. Portanto, de nada adianta dizer “foi Deus” se, na realidade, não tenho motivos para acreditar nisso. Prefiro admitir meu desconhecimento a abraçar uma hipótese infundada para tentar mascarar minha ignorância ante este grande ponto de interrogação que é o mundo em que vivo.


A integridade intelectual impede que pontos de interrogação sejam utilizados como argumentos em favor de hipóteses confortantes como a da existência de um deus. O fato de não sabermos de onde viemos, como surgiu a vida ou qualquer outra coisa, não significa em absoluto que “foi Deus”. Não sabermos de onde tudo isso surgiu significa apenas que não sabemos de onde tudo isso surgiu — e tão-somente; nem mesmo significa que surgiu. A ignorância não é um argumento, e a tentativa de usá-la como um argumento somente revela uma grande e lamentável parcialidade, que muito provavelmente deriva-se da necessidade de crer.

Esse deus que só habita os recônditos de nossa ignorância é tipicamente alcunhado “Deus das lacunas”, pois só sobrevive por entre as sombras do desconhecido. É devido a esse subterfúgio explicativo que, outrora, devido à ignorância, os fenômenos naturais — como trovões e relâmpagos — eram interpretados como manifestações de um deus descontente com os humanos. É claro que, naquela época, essa parecia uma explicação tão plausível e respeitável para os fenômenos naturais quanto, atualmente, dizer que o Universo foi criado por um deus, pois ambas as coisas eram igualmente desconhecidas. Mas, nos dias de hoje, a ciência já lançou luz — a maior inimiga do Deus das lacunas — sobre os processos responsáveis pelos trovões e pelos relâmpagos, tornando ridícula a afirmação de que se devem à manifestação de um deus enfurecido com os humanos.


Hipócrates, nascido por volta de 460 a.C., considerado um dos pais da medicina, em sua época já compreendia a tendência humana de mistificar aquilo que lhe é desconhecido; ele disse o seguinte: os homens pensam que a epilepsia é divina meramente porque não a compreendem. Se eles denominassem divina qualquer coisa que não compreendem, não haveria fim para as coisas divinas.
Sejamos honestos quanto a nós mesmos: somos seres complexos, capazes de empreendimentos notáveis, mas também limitados, e não temos todas as respostas ao nosso alcance, pelo menos não atualmente. Portanto, quem não quiser se enganar através de fábulas explicativas e consoladoras, precisa aprender a conviver com tais limitações, pois a atitude de responder uma pergunta se valendo de um mistério, na realidade, não explica coisa alguma. Isso, naturalmente, não significa fechar-se totalmente para outros pontos de vista. Em nosso conhecimento, há — e deve haver — lugar para a dúvida, para a incerteza, pois deste modo nosso conhecimento não ficará cristalizado na forma de crenças impermeáveis às novas evidências que vierem a ser descobertas e às novas teorias que vierem a ser formuladas. Se não aceitarmos que nossa visão de mundo é provisória, que sempre estará sujeita a revisões, ela se tornará obsoleta rapidamente. Então devemos conceder à hipótese da existência de um deus alguma plausibilidade? Certamente: a mesma que concederíamos a uma especulação bastante improvável que, há milênios, está à espera de evidências que a comprovem.


Vale a pena fazermos, aqui, um breve comentário sobre a posição denominada agnosticismo. Equivocadamente, costuma-se pensar que esta jaz no limiar da dúvida entre o teísmo e o ateísmo; na verdade, o agnosticismo é independente da questão da crença/descrença em um deus. Tal visão diz respeito somente à impossibilidade de a mente humana conceber, compreender ou julgar alguns tipos de questões, afirmando que tais assuntos estão além do escopo da racionalidade humana, sendo, portanto, impossível formular sobre eles qualquer juízo seguro.


É errado pensar no agnóstico como um indivíduo meio termo entre as duas perspectivas, ou seja, que não afirma nem nega a existência de uma entidade superior, supostamente representando uma posição de questionamento sensato em vez de um extremismo ateísta. O agnosticismo certamente não é uma terceira opção entre o teísmo e o ateísmo, e é fácil evidenciar o porquê. O agnosticismo envolve a crença em deus? Não. Envolve a descrença em deus? Não. Então que relação necessária tem com esta questão? Nenhuma. Como explicou George H. Smith, O termo “agnóstico”, em si mesmo, não indica se alguém acredita ou não num deus (…) agnosticismo não é uma posição independente ou um meio termo entre teísmo e ateísmo, pois classifica de acordo com um critério diferente.
A rigor, a palavra agnóstico significa apenas sem conhecimento, isto é, trata-se de um termo genérico que diz respeito somente à afirmação da impossibilidade de se obter conhecimento acerca de alguma coisa ou assunto qualquer. Então seria mais correto dizer algo como: este indivíduo — ateu ou teísta — é agnóstico em relação à questão da existência de deus ou de alguma “questão x” qualquer.
Portanto, como podemos perceber, não existe um meio termo entre acreditar e não acreditar, ou seja, entre teísmo e ateísmo. Afirmar “acho impossível saber com certeza” não é uma solução, mas uma evasiva. O que comporta um meio termo, na verdade, é a lacuna que fica entre a negação e a afirmação de deus, e tal lacuna corresponde ao ateísmo cético.


Como se pode notar, essa noção de agnosticismo é uma posição errônea comumente adotada por aqueles que não são teístas, mas que na verdade não consideram a existência de deus uma hipótese absurdamente improvável, como alguns ateístas mais fervorosos. Mas, sem dúvida, os agnósticos desse tipo são, tecnicamente, ateus. Provavelmente muitos se denominam como tal porque têm receio do estigma social vinculado ao ateísmo, que é muito forte; então transferem o significado de suas posições a outros termos que soam mais brandos, como agnóstico — como convém, pois em cima do muro não caem tantas pedras.
Voltando ao assunto principal, é sempre comum vermos, devido a todos os mitos que existem sobre o ateísmo, indivíduos imaginando e se perguntando como os ateus são. Talvez pensem que são criaturas exóticas raríssimas que vivem num submundo oculto, se vestem de preto e advogam pela destruição de todas as religiões, mas isso não passa de fantasia. Em sua maioria, ateus são pessoas realmente comuns, que apenas baseiam na lógica e nas evidências suas opiniões sobre a realidade. O fato é que, provavelmente, todas as pessoas já se depararam com ateus casualmente, mas sem se aperceberem disso, daí acharem que são tão raros. Na realidade, se não perguntarmos diretamente aos indivíduos, é quase impossível descobrir se são ateus. São poucos aqueles que gritam aos quatro ventos que não acreditam em nenhum deus.



Sem dúvida, também há os ateus exacerbados, tipicamente denominados ateus militantes, alguns dos quais mantêm uma postura hostil para com a religião. Alguns julgam que ela é uma grande travanca ao progresso da humanidade, principalmente aqueles que têm algum conhecimento de História. Mas isso, como vimos, não pode ser encarado como uma consequência direta do ateísmo, pois não existe uma Santa Escritura ateísta que dita “tu vilipendiarás a religião e escarnecerás a crença do teu próximo”. Se algum ateu procede de tal maneira, trata-se apenas de um posicionamento individual, e querer imputar a causa de seu comportamento agressivo ao ateísmo é uma atitude errada e desonesta.


Muitos também pensam que os ateus são irredutíveis em sua descrença, que são descrentes crônicos, incapazes de mudar seu ponto de vista. Se podemos dizer que os ateus são irredutíveis, o são apenas na atitude de não acreditar em hipóteses sem comprovação. Certamente, se algum teísta surgisse com uma prova realmente válida para a existência de deus, até os ateus mais ferrenhos teriam de dar o braço a torcer; não há motivos para se pensar o contrário. Afinal, por que algum indivíduo se oporia à existência de um criador? Quem não gostaria de ser a coroa da criação? Quem escolheria ser um efêmero mamífero, um grão de pó pensante, se pudesse ser o imortal supra-sumo do Universo? Para citar Peter Atkins:
Seria de fato fascinante se o Universo tivesse um propósito; seria provavelmente prazeroso haver vida após a morte. Porém, não há um só pedacinho de evidência em favor de nenhuma das duas especulações. Como é fácil de compreender por que as pessoas anseiam por um propósito cósmico e vida eterna, e não existe evidência para ambos, me parece uma conclusão inescapável que nenhum dos dois existe.
Realmente seria ótimo se todos nós fôssemos tão especiais quanto gostaríamos de ser, mas o fato é que não temos motivos para acreditar que somos. Novamente, é a integridade intelectual que nos impede de acreditar em algo infundado somente porque é confortante.
Pelo exposto acima, percebemos que o ateísmo, ao contrário da imagem que se pinta dele, não é representado por uma seita de iconoclastas fanáticos, imorais e desequilibrados querendo destruir a religião a todo custo. Sem dúvida, o ateísmo apresenta-se como uma posição totalmente razoável, lúcida e sensata quando encarada na perspectiva objetiva; isto é, sem se levar em conta fatores subjetivos, como o modo que “gostaríamos que a realidade fosse”, “no que precisamos acreditar para viver” etc. Como foi salientado no início deste trabalho, o que os indivíduos livres-pensadores buscam não são certezas absolutas: buscam aquilo que é mais provável de ser verdadeiro.


O objetivo deste capítulo foi desfazer alguns dos principais mitos, preconceitos e calúnias que gravitam ao redor do ateísmo, para que assim sejamos capazes de enxergar a posição de modo cristalino. Naturalmente, fica claro quanto esforço é feito da parte dos teístas no sentido de deturpar o verdadeiro significado dessa descrença. Em vez de enfrentar as verdadeiras questões, criam espantalhos do que seria o ateísmo e, destruindo-os, ufanam-se de tê-lo refutado, quando na realidade tal refutação não passa de um mal-entendido.
Contudo, não pensemos que são todos tão ingênuos e inocentes: caluniam porque não podem enfrentar; evadem porque não podem responder. O fato é que o teísmo sempre terminou como perdedor em todas as vezes em que tentou enfrentar os fatos e a racionalidade, e simplesmente desmoronaria se tentasse, honestamente, se confrontar cara a cara com todas as questões que o ateísmo apresenta.
Deste modo, se há uma questão que realmente incorpora todo o peso do verdadeiro desafio que o ateísmo lança contra as religiões, é esta: que motivos temos para acreditar na existência de um deus?
autor: André Cancian

Ritchie Blackmore's Rainbow - O Hall do Rei da Montanha

Casa que não tem pão, todos gritam e ninguém tem razão

Então, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, diz que a Copa do Mundo no Brasil está mais atrasada do que estava a da África do Sul ao faltarem quase três anos para o começo do torneio.

Ricardo Teixeira, com medo de CPI, elogia os políticos brasileiros, diz que não há motivos para preocupação, que tudo está dentro dos prazos e deixa claro que o problema é eleitoral, porque ele não cumprirá o que acordou com Blatter e não votará nele na eleição de junho para a presidência da Fifa.

Blatter também não mais apontará Teixeira para sucedê-lo em 2015.

E Orlando Silva, o ministro do Esporte, para piorar as coisas neste momento em que o Brasil odeia falar em laranjas e bananas viraram símbolos de racismo, diz que comparar o Brasil com a África do Sul é confundir laranjas com bananas.
Resta à querida ouvinte e ao caro ouvinte da CBN não acreditar nem em Blatter, nem em Teixeira, nem em Silva.

Embora Blatter pareça mais perto da realidade quando se sabe que a cidade de São Paulo, apontada com sede da abertura da Copa, nem sequer começou a construir o estádio destinado a ser palco do jogo inaugural.


Já é mais do que tempo do Governo Federal intervir na CBF e tirar esse fóssil chamado Ricardo Teixeira de lá, antes que paguemos o mico de termos a Copa de 2014 cancelada.

Navio de guerra chinês vai em direção à Líbia

Religioso preso em Jacareí é acusado de fraude e estelionato

José Rodrigues é conhecido como Padre Rodrigo. Ele teve a prisão decretada por fraudes e estelionato. Segundo a polícia, ele era procurado pela Justiça de Sobradinho, no Rio Grande do Sul, que expediu mandado de prisão.
Credito: Reprodução / Rede Vanguarda Mas o suspeito estaria cometendo os mesmos crimes em Jacareí. Ele era um dos supostos padre da Igreja Apostólica Renovada, que se auto intitula "Católica Carismática Santuário dos Anjos".

A Polícia acredita que a igreja cobrava dos fiéis por milagres, curas e exorcismo. Até agora, as vítimas que denunciaram os crimes já teriam pago pelo menos R$ 40 mil a ele.

"Ele estava se aproveitando da simplicidade, da boa fé do povo para exigir vantagens", diz o delegado seccional de Jacareí, Roberto Martins.

O religioso não quis falar sobre as acusações. A igreja, no centro de Jacareí, continua de portas abertas. Segundo um funcionário, que não quis gravar entrevista, o responsável conhecido como Padre Miguel Arcanjo, não foi localizado por nossa reportagem. Ele também é investigado pela polícia pelo crime de estelionato.

O homem está preso na cadeia de Jacareí e está a disposição da Justiça do Rio Grande do Sul.

Fonte.

terça-feira, 29 de março de 2011

Procon-SP: telemarketing "indevido" gera multas de R$ 48 milhões

Telemarketing indevido: O elefante incômodo


A Fundação Procon de São Paulo multou 53 empresas que desrespeitaram a lei em que o consumidor paulista opta por não receber ligações de telemarketing. Somadas, as multas chegam a R$ 48 milhões, mas as autuações pagas pelas empresas até o momento são muito menores: R$ 95 mil.

O serviço de bloqueio das ligações é oferecido desde o início de 2009, com cadastramento gratuito. O consumidor pode se inscrever no programa também por meio da internet.

Desde a criação, cerca de 430 mil consumidores paulistas já aderiram ao Cadastro para Bloqueio do Recebimento de Ligações de Telemarketing.

JB

Se você é do Estado de SP e quer bloquear o telemarketing no seu telefone, clique aqui.

Top Gear Music on piano - Super Nintendo

Imagem pertinente - 45

A evolução do olho

Estes dois vídeos, um do biólogo Richard Dawkins e outro do canal National Geographic, explicam de maneira clara e didática como a visão evoluiu ao longo de bilhões de anos:


CQC: Um programa que dá espaço para preconceituosos defensores da ditadura militar

A cada semana, o CQC consegue piorar.
Ontem, deu espaço para o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), o mesmo que já defendeu o fuzilamento de Fernando Henrique Cardoso (e até deu dicas de como matar qualquer presidente) , defende a tortura e que afirmou que homossexuais assim são por falta de "porrada". Na entrevista, feita por pessoas comuns, ele defendeu a ditadura militar, afirmou que todos os homossexuais são promíscuos e que se casar com uma pessoa negra é coisa de quem não recebeu uma boa educação. Marcelo Tas, o apresentador que já insinuou que baianos são vagabundos, tratou de colocar panos quentes, sugerindo que ele não havia entendido a pergunta. Quem defende os seus iguais nunca desaponta.
Veja:

segunda-feira, 28 de março de 2011

Portaria do Edifício Brasil. Rua Fernando Mendes, Copacabana-Art Déco




Portaria do Edifício onde morei por 18 anos, no Rio. Uma construção belíssima.

Corinthians:Fracasso sem fim


Doença do laptop dá dores nos punhos, cotovelos e costas

Típico usuário que ficou corcunda de tanto usar o laptop da maneira incorreta




O uso prolongado dos notebooks tem aumentado os casos de dores e lesões em ligamentos e articulações.


O formato do aparelho dificulta uma boa postura durante a digitação e pode causar problemas nos ombros, cotovelos, punhos e na coluna, além de dor de cabeça.


Preocupado com a popularização dos PCs portáteis entre estudantes norte-americanos, o especialista em reabilitação Kevin Carneiro, da Universidade da Carolina do Norte (EUA), cunhou o termo "laptoptite" em analogia a doenças como a tendinite para designar os problemas causados pelo aparelho.


"A diferença para os desktops é que, no notebook, o monitor e o teclado estão conectados, o que dificulta o posicionamento do corpo", disse Carneiro à Folha.


No Brasil, a tendência é a mesma. Em 2010, as vendas de notebooks superaram pela primeira vez as de desktops _foram vendidos mais de 7 milhões de computadores portáteis, segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica.


A preferência pelos laptops é impulsionada pela queda nos preços e a facilidade no transporte. Os efeitos já são vistos nas clínicas.


"Recebo muitos pacientes com dores. A maioria dos problemas é de postura. A pessoa deita na cama e quer resolver tudo no laptop: não dá para ficar sem dor", diz Paulo Randal Pires, presidente do Comitê de Mão da Sbot (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia).


A professora universitária Patrícia Alfredo, 29, já sente o ônus da mudança. Trocou o desktop pelo notebook há seis meses e já convive com dor no pescoço, cotovelo e na cabeça e tensão nos ombros.


"Uso a mesma mesa do desktop e adquiri um suporte. Mas, por mais que eu tente posicionar o computador direito, meu braço nunca fica totalmente correto." Mesmo assim, ela continua usando o notebook. "A tentação é grande, é muito fácil e carrego para todo lado."









MENOS TEMPO

Um estudo publicado em fevereiro na revista "Ergonomics" por pesquisadores da Boston University Sargent College, nos EUA, mostrou que usar o notebook por mais de quatro horas por dia já traz riscos de dores e lesões.

"O ideal seria usar esse tipo de computador só para emergências e viagens", diz Raquel Casarotto, professora de fisioterapia da Faculdade de Medicina da USP.

A pesquisa também avaliou o impacto do uso de cadeiras adequadas, suporte e teclado sem fio na redução de dores de 88 universitários durante três meses. O grupo que usou os acessórios apresentou menos problemas.

Como o monitor do notebook é fixo, não dá para deixá-lo na altura ideal sem a ajuda dos acessórios. No improviso, o usuário força o pescoço para baixo, tensionando ombros e coluna.

Os punhos também ficam mais tensos, porque é mais difícil apoiá-los no laptop. A posição errada altera a circulação sanguínea e afeta a nutrição dos tecidos, o que pode causar inflamações.

O ideal é acoplar um teclado ao aparelho, para melhorar a posição das mãos, e usar um suporte para elevar a tela à altura dos olhos.

A altura das teclas deve permitir que os ombros fiquem relaxados _por isso, o notebook não deve ser usado no colo, na cama ou em mesas altas, como as de jantar.

Quanto menor o aparelho, maiores são os riscos. Teclas pequenas obrigam o usuário a adotar uma postura restrita, comprimindo músculos e gerando tensão em todo o corpo.

"Um amigo se encantou com um notebook superpequeno, do Japão. Em três semanas de uso, desenvolveu uma inflamação dos tendões do cotovelo", diz Casarotto.

Atenção também aos tablets, que devem ficar apoiados em mesas. Segurá-los causa dores nos punhos e nos dedos. Mesmo na mesa, o pescoço fica curvado para baixo, piorando a postura.

"Ler no tablet não traz riscos, também não é proibido digitar rapidamente. Mas usá-lo sempre para navegação trará problemas, porque o aparelho precisaria ser colocado na vertical, o que é inviável", diz Casarotto.

Folha