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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Será economicamente viável a produção de carne no futuro?

A prática do confinamento intensivo de animais começou há apenas 40 anos, mas não deve durar outros 40 do jeito que está hoje.

Não só por causa dos maus tratos a que estamos submetendo nossos animais, mas também porque a lógica por trás da prática se baseia em conceitos que não serão mais aceitos no futuro.

Para saber por quanto tempo o confinamento vai continuar e o que será feito depois para alimentar a população mundial, o site Io9 conversou com alguns especialistas:

Por que o confinamento intensivo de animais está condenado?

O confinamento se baseia na disponibilidade de milho barato. Antes de 1973/74, os porcos e frangos não comiam milho, de acordo com Evan D. G. Fraser, professor de geografia da Universidade de Guelph e coautor de “Empires of Food: Feast, Famine and the Rise and Fall of Civilizations” (Impérios de Comida: Banquetes, Fome e a Ascenção e Queda de Civilizações, em tradução livre).

O milho começou a ser usado na alimentação dos animais com a lei de agricultura dos EUA, que começou a ser posta em prática nos anos 70. Ela subsidiava os produtores de milho, mas fez isso a tal ponto que eles tinham mais milho do que podiam vender.

E para que o milho continuasse barato, era preciso ter água, muita água. Atualmente, os pecuaristas americanos estão sofrendo com a alta do preço do milho, alavancada pela seca, segundo Evan. “O confinamento como nós conhecemos hoje é realmente predicado na disponibilidade de milho barato. Os dias de milho barato provavelmente acabaram, se não estiverem para terminar”, diz ele.

Rabobank, um grande financiador de agricultura, lançou um relatório prevendo preços recordes para o gado pronto para o abate em 2013. “A maior queda do gado do mundo está vindo, o que em curto prazo causará uma diminuição no preço da carne”, diz Evan. Mas o preço voltará a subir como nunca, logo depois. O consumo de carne bovina vem caindo nos últimos dez anos, e os consumidores já estão recorrendo a outras alternativas de fontes proteicas para enfrentar a alta nos preços.


“O confinamento também depende muito de combustíveis fósseis baratos”, afirma Shannon Hayes, escritora de receitas e blogueira que fala do trabalho em uma fazenda de gado ruminante em GrassfedCooking.com. Como nenhuma fonte conhecida de combustível poderia suprir as necessidades energéticas de um local de confinamento sem deixar de oferecer uma relação custo-benefício que fizesse sentido economicamente, então não há muita saída. Alguns estão se aventurando no campo da energia solar, mas isso só vai funcionar para pequenas propriedades familiares.

Há mais desafios em longo prazo. Um deles é a dependência excessiva em antibióticos para que os animais sejam protegidos de infecções causadas pela superpopulação das fazendas de confinamento. Há evidência de que bactérias resistentes estão se proliferando nesses animais. Mas mesmo que isso não se mostre uma ameaça relevante, o governo pode eventualmente reprimir os antibióticos, tornando a configuração claustrofóbica difícil de manter.

Além disso, pode haver mais resistência ainda ao confinamento conforme mais pessoas se incomodarem com “as quantidades insustentáveis de gases, incluindo metano e óxido nitroso, entrando na atmosfera através da flatulência e das fezes das populações ultraconcentradas de animais”, diz Karen Davis, presidente da United Poultry Concerns, uma organização pelo direito das aves.

O problema principal, para Evan, será a alta do preço da ração. Sem ela, o sistema desaba.

Alguns cenários para um mundo pós-confinamento:

Haverá mais carne orgânica local “hippie”

Quando o consume de carne cair bastante, nós iremos começar a consumir carne orgânica produzida localmente, segundo Evan. Ele acredita no aumento do consumo dessas carnes, ainda que sejam muito mais caras que carne industrial. O produto será destinado a uma elite de consumidores, que se alimentarão dela somente em ocasiões especiais.

Nós mudaremos a maneira como consumimos carne.

“Hoje, nós comemos apenas algumas partes dos animais, seja pela presença de muita gordura em áreas menos tradicionais do boi ou apenas por preferência”, diz Shannon. Mas isso mudará conforme os preços aumentarem e nós reaprendermos a consumir cortes menos nobres e gordurosas. Como a carne gordurosa alimenta por mais tempo, nós começaremos a consumir os animais por completo, voltando ao sistema antigo em que o “caldo de carne formou a fundação da nutrição familiar”. Shannon fala mais do assunto em seu livro “A Lot on a Little”.


O gado deve comer algo diferente de milho

Mas comer o quê? Alguns acham que serão algas comestíveis, pelo menos para porcos e vacas. É bem difícil produzir algas, segundo Evan, mas tudo o que você precisa são nutrientes, dióxido de carbono e luz solar. Já existem projetos pilotos para criar sistemas de agricultura com locais de cultivação de algas. Como elas não precisam do espectro total da luz, seria possível criar um sistema de luzes com apenas o necessário para o crescimento.

Uma solução é colocar as fazendas de algas próximas a usinas de energia elétrica, por expelirem muito gás, para que o excesso de dióxido de carbono e o calor sejam usados na produção das algas. “Uma última vantagem é que elas não precisam de tanta água quanto o milho”, diz Evan.

Nós, talvez, teremos fontes “novas” de proteínas

Por exemplo, as algas. Sim, se as algas serão possivelmente usadas para alimentar porcos que, por sua vez, nos alimentarão, então por que não encurtar o caminho? “A não ser que surja um “sistema proteico extremamente industrial” que misture plantas e criaturas marinhas e não envolva animais terrestres”, sugere Evan.

Algumas fontes proteicas bem nojentas

Como já vem se falando ultimamente, os invertebrados podem ser uma boa fonte de proteína. Aliás, eles não serão apenas bons, mas essenciais. E se você acha isso realmente nojento, lembre-se que as lagostas, tão finas hoje, já foram consideradas asquerosas há não muito tempo – e elas eram dadas a prisioneiros.

Até o sushi e outros pratos típicos japoneses eram alvos de piadas nos EUA há 20 anos, e hoje existem em quase todo shopping. Comidas que nós um dia achamos nojentas podem ser parte fundamental da nossa dieta em menos tempo do que se imagina.

Hoje, já existem carnes feitas de fungos chamados Quorns, que são vendidas como nuggets de frango. “Uma vez que você tenha processado, assado e fritado, tudo tem gosto de frango”, diz Evan.

É possível comer carne in vitro

Já existem carnes sendo produzidas em laboratório, mas elas ainda são muito caras para o público em geral, e muito difíceis para uma produção em massa. Mas no futuro, essas dificuldades já deverão ter sido vencidas, de modo que a carne tradicional será reservada para ocasiões especiais, diz Evan.


Mais pessoas terão de virar fazendeiras

“Hoje, só 2% da população americana é fazendeira, mas essa porcentagem voltará a subir”, acredita Shannon. “Durante a guerra, Victory Gardens conseguiu suprir a necessidade de vegetais de 40% da população, e o espírito deve voltar em breve”, diz a escritora que prevê “um número crescente de fazendas pequenas, porcos compartilhados nos subúrbios, frangos urbanos, apiários de telhados nas cidades, bois e cabras pastando pelos acostamentos em vez de cortadores de grama”. Em vez de tanta grama, os americanos começarão a plantar mais jardins, prevê Shannon.


 Quanto tempo levará a transição?

Shannon afirma: “Eu não acho que isso vai acontecer num piscar de olhos. Eu acho que nós já estamos vendo isso acontecer. Fazendeiros que eu vejo regularmente falam sobre como tornar seus negócios mais resistentes às mudanças climáticas e faltas de combustível fósseis. Famílias estão começando a plantar a própria comida para cortar gastos (a crise econômica atual está certamente ajudando a nos forçar a viver mais sustentavelmente)”.

“Dito isso, a transição não será fácil para todos. Há trabalho duro para fazer, e haverá pessoas pegas de surpresa. A coisa é, quanto mais de nós começarmos a trabalhar em transição agora, mais resistentes nossas comunidades serão. E quando nossas comunidades ficarem mais resistentes, será mais fácil ajudar mais pessoas a fazer a mudança quando ela se fizer necessária. Eu não gosto de prever um futuro temível porque se estamos com medo disso, nós não faremos as mudanças necessárias, e a mudança é urgente”

“E se nós pudermos fazer a transição, então eu me sinto confiante de que a vida que nos alegra no outro lado pode ser muito mais aproveitável, saudável, significante que o desespero silencioso que confronta tantos povos hoje. Pode ser bom. Mas nós temos que fazer o trabalho para que realmente seja”, finaliza.

Fonte


Acho que o ser humano deve consumir mais peixes, nem que para isto seja necessária um grande estímulo à pscicultura, com grandes tanques de criação de peixes. Criar assim também sobrecarrega menos o mar. Também creio que um dia o consumo de insetos será massificado, pois como sabe-se, eles possuem muitas proteínas, vitaminas e pouca gordura. Só não é hoje em dia por mera questão cultural. Acho que com o aumento da população mundial, realmente teremos mudanças na maneira de nos alimentar.


Feliz 2013

Só lembrando: apenas nós podemos fazer nosso destino e fazer que o ano seja bom ou não. Não tem essa de se vestir com determinada cor para atrair energias, fazer simpatias e fazer promessas durante a virada do ano porque nada disso funciona. Nada disso vai melhorar ou piorar a sua vida.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Governo federal estuda subsídio para a compra de TV digital e conversores



O ministro das Comunicações Paulo Bernardo afirmou nesta sexta-feira (28) que o governo federal já estuda a criação de subsídios para que as famílias brasileiras adquiram televisores digitais e conversores, visando garantir que o sinal analógico seja inutilizado até 2016.

"Precisamos acelerar a digitalização, e se não houver uma ação forte do governo, a meta de 2016 vai atrasar", afirmou Bernardo ao jornal O Estado de S. Paulo. O ministro ainda ressaltou que a iniciativa não é algo inédito. Nos Estados Unidos, por exemplo, o governo até distribuiu TVs digitais para a população quando decidiu eliminar o sinal analógico.

O governo também estuda formas de incentivar as emissoras de televisão abertas a acelerar o processo de digitalização do seu conteúdo. No entanto, o problema que o país encontra está nos mais de 500 municípios que utilizam a faixa de 700mHz e que concentram 80% da população nacional - o governo quer inutilizar a faixa analógica para que ele consiga abrir o processo de licitação da conexão de internet móvel da quarta geração, o 4G.
Paulo Bernardo também acredita que ao longo de 2013 os investimentos em infraestrutura de comunicações deverá aumentar, já que só em 2012 as empresas investiram de 12% a 13% a mais do que o ano anterior - espera-se que o montante de investimento chegue a R$ 25 bilhões.

sábado, 29 de dezembro de 2012

SUS terá 11 novas terapias para câncer



O Ministério da Saúde lançou um pacote de medidas para remodelar o tratamento de pacientes com câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A lista de procedimentos foi atualizada, com a inclusão de 11 terapias, readequação de 20 e exclusão de 9, consideradas obsoletas. Além da revisão dos procedimentos, o ministério criou uma gratificação para incentivar hospitais a fazer mais cirurgias.

"O País dispõe de centros com capacidade para aumentar o número de atendimentos com a infraestrutura existente", disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. O incentivo será dado para hospitais classificados com porte A e B, que realizam, respectivamente, mais de 1,6 mil cirurgias para tratamento de pacientes com câncer por ano.

Aqueles que superarem a meta receberão um acréscimo de 20% nos valores pagos pelos procedimentos. "A ideia é que centros ganhem em escala. Muitos podem perfeitamente trabalhar em três turnos, realizando, por exemplo, cirurgias ou quimioterapia à noite para pacientes internados", completou Padilha.

A estratégia começou a ser estudada no início do ano por uma equipe do ministério, integrantes do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e representantes da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica. "O objetivo é reduzir ao máximo a espera para o início do tratamento de câncer", disse o ministro.

Além de aproveitar a capacidade já instalada dos centros, Padilha disse ser necessária a criação de pontos de atendimento em áreas onde hoje a oferta ainda é deficiente. "Precisamos reduzir as desigualdades. Para criação de novos serviços, é preciso também garantir profissionais."

O ministro conta que a partir de 2013 uma nova dinâmica para discussão do atendimento de pacientes com câncer será adotada. A ideia é fazer reuniões periódicas com direção de hospitais e representantes de Estados e municípios onde serviços funcionam para avaliar as necessidades, criar estímulos e, se necessário, reorganizar o atendimento.

Fragilidades. O grupo formado no início do ano identificou duas fragilidades no atendimento: a oferta de serviços de radioterapia e cirurgias.

Numa primeira etapa, o governo anunciou a expansão dos centros de radioterapia. A meta é ter, até 2014, 80 centros de atendimento. Além dos serviços públicos, o governo autorizou a realização de tratamentos radioterápicos em serviços especializados particulares conveniados com o SUS.

"Novos centros foram credenciados, sobretudo nas Regiões Norte e Nordeste", disse o ministro. A meta agora é melhorar a oferta de cirurgias. "Além da incorporação de novas técnicas, decidimos reajustar as tabelas."

Entre as novas cirurgias, cinco são de cabeça e pescoço. O valor da internação para quimioterapia em pacientes com leucemias também foi ampliado em três vezes. O valor passará de R$ 167 para R$ 562. Pelos cálculos do governo, isso vai representar um aumento de R$ 25,2 milhões no orçamento de quimioterapia. Ao todo, serão reservados para o tratamento R$ 39,4 milhões.

A revisão nos valores das cirurgias também trará um impacto significativo. A expectativa é de que, para financiar os 121 procedimentos existentes, o orçamento reservado para cirurgias oncológicas passe de R$ 172,1 milhões para R$ 380,3 milhões.

Estadão

Brasil possui vários hospitais de referência no tratamento do câncer, como o de Barretos. O maior problema do SUS está na gestão dos municípios e estados, que muitas vezes não utilizam direito as verbas enviadas pelo governo federal. 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Resenha-As aventuras de Pi



O livro “A vida de Pi”, de Yann Martel, é uma daquelas histórias onde você é transportado para dentro da trama. Quem já leu sabe que cada detalhe do cotidiano do garoto Piscine Molitor “Pi” é descrita com riqueza de detalhes.





Hollywood queria adaptar a história há muitos anos. O cineasta M. Night Shyamalan foi cotado para assumir a direção (a história é bem sua cara), mas achou melhor não fazê-lo porque interferiria muito no desfecho da obra. Outros nomes foram cotados, até que o chinês Ang Lee trouxe para as telonas os cenários exuberantes descritos pelo protagonista ao curioso escritor.



São dois narradores: Pi (que explica de onde veio seu nome, inspirado em uma piscina pública francesa) e um escritor canadense, que toma conhecimento da saga deste menino que se mudava de navio da Índia para o referido país da América do Norte, quando a embarcação naufragou em uma tempestade, deixando-o à devirá no oceano em um bote, na companhia de uma zebra, uma hiena, um orangotango e um tigre de bengala com nome de gente, Richard Parker. A relação com seu pai sempre foi um tanto conflituosa, pelo fato de Pi ser bastante religioso e ele cético, mas a tolerância às diferenças é o que vai ajudar o protagonista em sua jornada.


Ilhas desertas, peixes voadores, baleias gigantes e uma bucólica Índia de muitas décadas atrás aparecem na trama de maneira muito caprichada e com uma profusão de detalhes, assim como o zoológico onde Pi (Suraj Sharma) vive seus primeiros anos. O famoso ator francês Gerárd Depardieu tem uma rápida participação no filme, no papel de um mal-humorado cozinheiro no navio que transportava o protagonista e sua família.

Contracenar com animais digitais não é fácil, mas Suraj tem um desempenho espetacular ao atuar ao lado do tigre 100% digital Richard, ao longo da história. É o medo e o respeito ao tigre que mantem ele vivo, na complicada sobrevivência no meio do Pacífico. Aliás, o animal tem muita personalidade e comove o espectador em vários momentos, quando sente fome, frio, tristeza e quando chega a um acordo de convivência com o garoto indiano.

O efeito 3D cabe bem na história, levando o espectador a uma imersão completa, sem exageros. O filme é bem cativante e carregado de simbolismos, levando quem assiste a ter que escolher a sua própria visão do que acabou de ver.

Trailer:



terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Projeto de impressora 3D de tecidos e órgãos humanos usa software da Autodesk





Boa notícia: as pessoas talvez não sejam assim tão diferentes das máquinas. Na terça-feira, uma pequena companhia de San Diego chamada Organovo Holdings, que já produz tecidos humanos em pequena escala, anunciou parceria com a produtora de software Autodesk para projetar uma plataforma bioimpressora.

A ideia é utilizar parte do software da Autodesk hoje empregado para o projeto e fabricação de objetos inanimados, tais como luminárias ou eletrodomésticos, a fim de construir tecidos vivos e, no futuro, órgãos humanos.
Caso órgãos vivos possam ser produzidos da mesma maneira que hoje fabricamos, por exemplo, floreiras e componentes de aviões, com o uso de impressoras tridimensionais, o custo da medicina talvez caia, e a capacidade dos serviços médicos aumentará. "No momento, podemos criar uma fatia tridimensional de fígado instruindo uma 'impressora' quanto ao posicionamento de células", disse Keith Murphy, presidente-executivo da Organovo. "Podemos criar algo com menos de um milímetro de espessura, que colocamos em um banco de testes para estudos de medicamentos. A questão de longo prazo é se poderemos produzir um fígado inteiro". Esse seria um processo mais complexo, envolvendo colocação precisa de células para a confecção do material do órgão e de complementos como veias e capilares, e ao mesmo tempo manter todo o complexo vivo. Murphy declarou que provavelmente serão necessários muitos anos de trabalho antes que isso aconteça. A tarefa também seria muito mais ambiciosa do que os demais esforços de produção de órgãos, a exemplo da criação de uma traqueia adulta usando células-tronco em um tubo de plástico esterilizado, empreendida por uma equipe de cirurgiões de Baltimore


. Um projeto de prazo mais curto envolveria a produção de fatias de fígado para testes de medicamentos, o que permitiria que cientistas testassem facilmente coisas como dosagens variáveis de medicamentos, e a criação de tecidos para testes cirúrgicos. A Organovo teria de produzir quantidade significativa de material em suas impressoras, nesses dois casos. Murphy disse que trabalhar com a Autodesk, que já trabalhou extensamente no segmento de impressoras 3D, oferecerá à sua empresa melhor compreensão de como desenvolver software 3D, o que ajudará a Organovo e outras companhias a projetar tecidos tridimensionais melhores. A Autodesk, por sua vez, quer simular de que forma objetos tridimensionais não vivos são criados, para que possa melhorar suas operações básicas. "Se você projeta um chassi de automóvel, o projeto não se altera", diz Carlos Olguin, que comanda o grupo de software biológico, nanodimensional e programável da Autodesk. "A impressão biológica envolve a montagem autônoma de coisas como células-tronco. É um paradigma de design diferente que pode ter grande efeito sobre coisas como protótipos em escala maciça". "Porque que a biologia está se tornando uma disciplina mais madura em termos de engenharia, queremos encontrar muito mais parceiros", ele disse. As empresas não estão pagando uma à outra pela colaboração, e duas equipes de cerca de quatro pessoas, uma de cada companhia, trabalharão juntas em no que Olguin definiu como "primeira fase" do projeto. 



O crime de ser pobre








Maria, como tantas Marias e Josés, nasceu numa família humilde e trabalhadora da zona rural de São José.

Ainda criança trocou as bonecas e brincadeiras da infância pela enxada e pela lida da casa para ajudar a família.

Quando ainda era mocinha, viu a tecnologia chegar ao campo prometendo milhões de vantagens e facilidades, mas o que ela não sabia, era que tanta tecnologia, dispensou da lida o trabalho dela e de toda a família que se viram obrigados a vir pra cidade.



Na cidade, como moça honesta, trabalhou de empregada doméstica na casa da antiga patroa da fazenda, que lhe dava uma renda modesta, comida e um quartinho no fundo do fundo do apartamento de último andar.



Como ganhava bem pouco e o trabalho era muito, nunca teve oportunidade de estudar. Sabia das letras o básico para pegar um ônibus e fazer as compras na feira, e da matemática apenas a dividir pois nunca tivera oportunidade prática de somar.



Aos domingos, seu único dia de folga, ia até o parque Santos Dumont ver os patos nadarem, e lá conheceu João, moço que parecia direito e que prometeu com ela casar. E assim João vendendo-lhes sonhos que não tinha intenção de entregar, fez-lhe um filho, que não assumiu, mas sumiu.



Maria, brava guerreira, trabalhou na faxina e na cozinha da casa da patroa até o dia de dar a luz e viveu com seu filho no quartinho dos fundos até completar-se o período legal que resguarda seus direitos trabalhistas, mas que vencidos, foi sumariamente despedida pela patroa, mulher muito religiosa que frequentava eventos de caridade em clubes de serviço, que não admitia mãe solteira em seus domínios.



E na rua, sem ter para onde ir, Maria alugou com o dinheiro que recebeu de sua indenização, um quartinho num cortiço escondido entre os labirintos da região central, donde saía para oferecer serviços de faxina e de diarista para as madames da região.



E trabalhando noite e dia para garantir o sustento de sua família, Maria foi se acabando de tanto trabalhar sem que o dinheiro fosse suficiente para as despesas que só cresciam, até que chegou ao ponto de ter de optar entre pagar o aluguel, a cada dia mais e mais caro, ou dar de comer ao seu filho.



Sem ter alternativa, Maria foi morar com seu filho numa ocupação de terras atrás dos pinheirinhos no fundo da zona sul, onde contando com a solidariedade de outros tantos que, como ela, dividiam uma vida à beira da miséria, ergueu um barraquinho, onde podia se esconder do calor e do frio.



Sem ter a grande despesa do aluguel que consumia quase tudo que ganhava, Maria pode dar uma vida melhor ao seu filho. Pode lhe dar melhor refeição, roupas novas, até uma televisão para se distrair da solidão. E assim, sua vida começou a melhorar e pode enfim respirar um pouco numa vida tão sofrida.



Foi quando conheceu Pedro, o pedreiro, que com ela se ajuntou e formaram uma família que um tempo depois, deu espaço para mais dois novos irmãozinhos. Com muito esforço, Maria e Pedro, iam juntando o pouco que sobrava do que ganhavam para transformar aquele velho barraquinho de madeira e papelão, numa casa de alvenaria, na qual Pedro dedicava todos os seus fins de semana, afim de garantir um teto melhor para seus filhos.

Maria, além de fazer as faxinas, aprendeu a costurar, e fazia uns bicos, com os quais conseguiu juntar um dinheirinho para comprar um tanquinho para se matar menos no tanque de roupas. E assim, como muito sacrifício, iam progredindo, os filhos crescendo numa família feliz.



E tudo caminhava para um belo fim, até que numa madrugada de domingo, num 22 de janeiro, a Polícia Militar reuniu um exército de dois mil homens, helicópteros, bombas e afins e pôs abaixo, todo o sonho e sacrifício de anos à fio.



Arrancados à força de sua casa com as roupas do corpo à botinadas, agarrados aos seus filhos, viram ruir não só os seus sonhos, mas também de todos os seus amigos e vizinhos. Duma hora para outra, seus filhos não podiam mais sonhar nem brincar. A sua casinha, a tevê, a máquina de costura e o tanquinho foram todos demolidos pelos tratores do sistema.



Coube-lhes morarem espremidos num colchão em um abrigo improvisado da prefeitura, amontoados feito gado confinado à espera de comida e da esperança perdida de quem não sabe por onde recomeçar a vida, deitada fora para garantir mais uma vez, os lucros do patrão.



Suas crianças, cujos olhos perdidos buscam o brilho que tinham em meio ao entulho de desgraças criadas pela “força da lei” como que sem entender, procuram saber porque nascer pobre nessa terra é viver à margem da lei. Culpados por nascer, por uma sociedade que em suas paróquias condena o aborto, para essas crianças, essas Marias, Pedros, Joãos e Josés, Pinheirinho não simboliza mais as alegrias do Natal, mas a falência de uma sociedade que coloca o capital acima do direito de viver



Fouad Abbas

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Quantos passarão fome nesta ceia de Natal? (Sim, culpa é um sentimento cristão)



Leonardo Sakamoto






Maria deu à luz sob o olhar insuspeito de uma vaca e um jegue – figurante sempre presente nessas ocasiões há quase dois mil anos. José acompanhava a cena de perto, amparado pelas paredes de barro e um cigarro de palha. A fumaça esbranquiçada fugia pela porta e fundia-se à paisagem queimada de sol. E a pele do bebê à lavoura, que morreu ainda no pé por carência d`água. Mal presságio… Ao contrário da outra criança – do outro José com a outra Maria – não recebeu reis, muito menos presentes. Compartilhavam o fato de seu destino já estar escrito.

Os anos se passaram e ela cismou em ficar do mesmo tamanho. Talvez por causa da água e da comida. Ou da falta de ambos. Certo mesmo é que adoeceu. O pai, desesperado, correu de um lado para o outro e levou-a para se tratar. Diarréia, olhar longo, profundo, perdido. Os doutores fizeram o que podiam e mandaram-na de volta para casa. Naquela tarde, rastejou pelo chão da sala, agonizando. Maria avisou ao marido que a criança estava indo embora. Mas sabiam que de nada adiantaria, pois há tempos a fome vinha comendo-a por dentro. Então, José, resignado, foi à cidade fazer a única coisa que estava ao seu alcance: pedir uma caixão emprestado, prática comum por aquelas bandas.

Já trouxe esta história antes, em outro Natal. Mas a pedido de leitores, posto novamente, atualizando as informações. Particulamente, não gosto de recontá-la, mas parece que a vida não se importa de repeti-la. Tanto que a cena se reproduziria mais cinco vezes na família Bezerra (que tive a oportunidade de conhecer durante uma reportagem anos atrás). Outros personagens, mesmo roteiro.

Assim como eles, muitos Josés e muitas Marias enterraram a fome de seus filhos pelo Nordeste brasileiro. No rádio e na TV ainda chegam notícias de que o motivo disso tudo são as secas, que castigam o sertão de tempos em tempos, como a que assolou a região este ano.

Mas os simples cordéis, pendurados nos varais das feiras livres nos finais de semana, contam mais a verdade. Remexendo neles, achei que exemplifica: “Doutor, vixe, água não é o problema! / Aqui com a seca e com jeitinho nós se arresolve / O que dói mesmo e é difícil de entender / É a falta de terra, disso ninguém se comove / Falta não, me corrijo antes de tudo / Tem muita por aí, mas é do coroné o seu uso”.

De acordo com o relatório “O Estado da Segurança Alimentar no Mundo”, lançado este ano pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida) e pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA), o Brasil reduziu o número de pessoas subnutridas de 23 milhões (1990-1992) para 13 milhões (2010-2012). Nos três últimos anos, a queda foi de 15 para 13 milhões.

Quase 870 milhões de pessoas (uma em cada oito almas do planeta) estão sofrendo de desnutrição crônica de acordo com as Nações Unidas.

Os programas sociais de distribuição de renda e suas ações correlatas, programas de Saúde da Família, além das atividades de organizações da sociedade civil como a Pastoral da Criança, melhoraram a fome por aqui. Sem contar a geração de empregos e a própria estabilidade econômica. A quantidade de pessoas em situação de inseguração alimentar caiu, mas ainda temos 13 milhões de subnutridos – mais do que a população do município de São Paulo.

A cantilena é antiga, mas garantir terra e, principalmente, condições de produção, com apoio técnico, irrigação e financiamento, e facilitar o escoamento das mercadorias é uma das soluções poderosas não pontuais para o problema na região rural. Sem contar que isso ajuda a garantir mais alimentos na mesa do brasileiro – uma vez que a pequena agricultura familiar é responsável por boa parte dos produtos in natura que consumimos. Hoje a maior parte dos recursos e das prioridades ainda passa longe desse pessoal, por mais que a atenção dada eles tenha crescido nos últimos tempos.

O problema é que tanto na história cristã quanto no caso de José e Maria descrito acima, do sertão de Alagoas, as coisas aconteceram como previsto. A diferença é que não é tão difícil reescrever o fim das histórias curtas, que se encerram precocemente, como as do segundo caso. Avançamos, mas precisamos fazer a parte que falta para que a história mude de vez e casos de desnutrição infantil seguidos de morte não ocorram.

Essas famílias podem até ser ignoradas pelo “céu”, que não manda a chuva, mas se estrepam mesmo é com a ação direta do pessoal de carne e osso (que está de olho em suas terras ou sua força de trabalho), a inação do Estado e a complacência de muitos de nós. Adoramos culpar as velhas oligarquias nordestinas, mas esquecemos que elas deram sustentação para todos os governos desde redemocratização. Sem contar o fato de que o sul Maravilha lucra sim com essa estrutura de exploração. Ou você acha que o seu tanque de etanol é realmente limpo e barato com esse exército de trabalhadores rurais temporários superexplorados que se esfolam na cana aqui e ali?

Perdoem-me. O objetivo deste texto não era fomentar a culpa em um dia de festas – apesar de ser um sentimento bastante presente entre os cristãos e que não leva a lugar nenhum. Mas lembrar que comemorar significa também “lembrar junto”. Ter em mente que nossa caminhada é longa, mas não fará lá muito sentido se chegarmos lá sozinhos.

Enfim, Feliz Natal às mulheres e homens que não ficam apenas na boa vontade.

Humor: Depois do fim do mundo

Vamos dar os parabéns a quem realmente merece


sábado, 22 de dezembro de 2012

Obesos desnutridos: fome e obesidade estão ligadas à pobreza



Parece contraditório, mas tanto a fome como a obesidade são problemas relacionados à pobreza e alimentação com falta de nutrientes necessários. 900 milhões de pessoas passam fome no mundo e, ao mesmo tempo, planeta vive uma epidemia de obesidade.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

4 mitos sobre o fim do mundo



Será que os Maias imaginavam que o papo sobre mudanças causaria esse alvoroço todo? Eles nunca falaram em fim do mundo. Nada de asteroides gigantes ou planetas se chocando contra a Terra. Nada. É só o fim de uma era – e o início de outra. Sem sinal nenhum deapocalipse.

Para desmistificar as teorias que rolam pela internet, o cientista da Nasa, Don Yeomans, publicou um vídeo sobre o assunto. Dá uma olhada na explicação que ele deu para os mitosabaixo.

1. O sol vai nos matar!

Vai não. Dizem que o sol está trabalhando a todo vapor, entrando numa fase de atividade máxima. É verdade. Só que isso acontece com frequência: a cada 11 anos, o sol chega ao nível máximo de atividade. Aí aumentam os riscos de tempestades e explosões solares. E se numa dessas, a explosão voar longe e atingir a atmosfera terrestre, pode ser que aconteça uma pane nos sistemas de telecomunicações.

Mas isso não vai acontecer, garante a Nasa. Segundo eles, o sol já esteve mais forte em outras vezes. E nada aconteceu.

2. Os polos magnéticos da Terra vão se inverter

O Sul vai virar Norte, e o Norte vai virar Sul. Isso também acontece, às vezes, mas não é do dia para a noite – graças à Lua, que mantém a rotação da Terra estável. Leva milhares de ano para que os polos sejam invertidos. A última troca aconteceu há 780 mil anos. E deve demorar mais alguns milhares de ano para isso acontecer novamente.

3. O Planeta X vai colidir com a Terra

Dizem que o Planeta X, conhecido também como Nibiru, está em rota de colisão com a Terra. E ele deve chegar aqui amanhã, em plena sexta-feira. Mas a Nasa garante que isso não vai acontecer. “Se houvesse algo, nós teríamos visto isso há muitos anos”, explica Don Yeomans.

4. Haverá um alinhamento dos planetas

A Nasa também garante que isso não passa de balela. Mesmo se houvesse não haveria nenhuma mudança drástica nas marés – só o Sol e a Lua podem fazer isso. Aliás, isso já aconteceu outras vezes, em 1962, 1982 e 2000. Nada mudou.

Deputados de SP vetam lanche com brinde; norma precisa ser sancionada por governador



A Assembleia Legislativa Paulista (Alesp) aprovou dois projetos de lei que restringem a publicidade de alimentos a crianças e proíbem a venda de lanches com brindes ou brinquedos. Para entrar em vigor, as normas têm de ser sancionadas pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Se aprovadas, as leis devem atingir principalmente propagandas e promoções de redes de fast food que vendem combinados de hambúrgueres e refrigerantes acompanhados de brinquedos.




Projetos para limitar a oferta de brindes na venda de lanches infantis tramitam na Alesp pelo menos desde 2007. Um dos aprovados, o PL 1.096 de 2011, do deputado Alex Manente (PPS), proíbe a venda de alimentos com brinquedos ou brindes. E prevê multa, em valor a ser definido.

O PL 193 de 2008, do deputado Rui Falcão (PT), impede o uso de personagens e celebridades infantis na propaganda e brindes associados à compra. E restringe os horários para propaganda no rádio e na TV de alimentos e bebidas "pobres em nutrientes, com alto teor de açúcar, gorduras saturadas ou sódio". Eles ficariam impedidos de serem veiculados das 6 às 21 horas. E totalmente proibidos em escolas.

Manente e Falcão amparam suas argumentações no Código de Defesa do Consumidor e no combate à obesidade infantil. Um dos argumentos é de que a criança "não completou sua formação crítica e não possui capacidade de distinção e de identificação do intuito lucrativo e apelativo da promoção".

Questionados pelo jornal O Estado de S. Paulo, Bob’s, McDonald’s e Burger King afirmaram que cumprem a legislação vigente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.




UOL

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Brasil produz medicamento para tratamento de câncer



O Brasil passa a produzir um medicamento para o tratamento contra o câncer pela primeira vez. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou na manhã desta quarta-feira (19) o recebimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) do primeiro lote nacional do Mesilato de Imatinibe, indicado para o tratamento de leucemia mieloide crônica e de estroma gastrointestinal (tumor maligno no intestino).






A produção será feita pelos laboratórios públicos Instituto de Tecnologia em Fármacos/Farmanguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e Instituto Vital Brazil (da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro), em parceria com cinco empresas privadas. "O Brasil só tem condições de produzir um medicamento como esse e atrair o investimento de empresas nacionais porque somos um dos únicos países com mais de 100 milhões de habitantes a buscar atendimento universal e gratuito para todos", disse Padilha.

O acordo prevê a transferência de tecnologia para fabricação e distribuição do medicamento pelos próximos cinco anos. Para este período, o Ministério da Saúde estima que a iniciativa gerará uma economia de R$ 337 milhões ao SUS. A medida beneficiará cerca de 8 mil pessoas. A previsão é de que em 2013 sejam entregues ao SUS cerca de 4 milhões de comprimidos do medicamento.





Estadão

Assembleia reajusta salário do governador de SP



A Assembleia Legislativa aprovou na última segunda-feira (17) reajuste de 10,3% no salário do governador Geraldo Alckmin (PSDB), elevando-o dos atuais R$ 18.725 para R$ 20.662. O acumulado da inflação, medida pelo IPCA, desde o último aumento recebido pelo governador, são os mesmos 10,3%. A elevação, se sancionada pelo governador, provocará efeito cascata nas contas do Estado porque o salário de Alckmin é o teto do funcionalismo estadual.



Caso seja sancionada, a medida passa a valer a partir de janeiro - Alckmin tem 15 dias para decidir sobre a sanção. A proposta foi apresentada pela Mesa Diretora da Casa no dia 12 e contou com o aval da bancada governista na Assembleia, que segue a orientação da Casa Civil. Tramitou em regime de urgência.



O jornal O Estado de S. Paulo apurou que a medida foi negociada pelo então chefe da pasta, Sidney Beraldo, com o presidente da Assembleia, Barros Munhoz (PSDB). De acordo com parlamentares, um estudo foi feito pela Casa Civil para embasar o projeto. O governo, no entanto, nega ter se envolvido no tema. Também não informou qual o impacto da decisão no orçamento estadual, alegando que análises serão feitas a partir de agora.



Em nota, o governo do Estado afirmou que o projeto "chegou à Casa Civil nesta terça-feira (18) e foi encaminhado para as secretarias de Planejamento e Desenvolvimento Regional, Fazenda e Gestão Pública, que emitirão pareceres para subsidiar a decisão pela sanção ou pelo veto". A Assembleia não se pronunciou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo




Fonte

Contra o armamentismo



Não gosto da ideia de que todos possam andar armados ou terem armas em casa para "defesa pessoal". No nosso país, atualmente, para portar uma arma de fogo o cidadão precisa comprovar que realmente corre algum risco e/ou que precisa de uma arma constantemente (veja o que diz a lei aqui). Estou ciente de que no Brasil morrem mais pessoas do que nos EUA com armas, apesar de aqui elas serem mais restritas que lá, mas os motivos da violência no Brasil são outros, como mostra a pesquisa abaixo:



Para o sociólogo Guaracy Mingardi, ex-secretário de Segurança de Guarulhos (SP) e atual assessor da Comissão Nacional da Verdade, "Brasil e EUA tem culturas diferentes de violência".

"A principal questão é a Justiça. Nos Estados Unidos a probabilidade de levar um homicida para a prisão é muito maior que no Brasil", afirma. Segundo ele, a impunidade abre caminho para a violência no país.

A natureza dos crimes também é diferente. "No Brasil, a violência interpessoal, que engloba briga de bar, de vizinho, marido e mulher, responde por mais da metade das mortes", diz.

Para José dos Reis Santos Filho, sociólogo e professor da Unesp de Araraquara, existe uma cultura de violência no país.

"No Brasil ainda há a tendência de se resolver as coisas de maneira imediata, ir rápido às vias de fato", diz.

"Nos Estados Unidos, a ofensa à integridade física é um tema sensível", diz, observando que é possível com muito mais facilidade conseguir indenizações na Justiça em casos de agressões.



Já temos brigas e mortes em discussões banais e de trânsito hoje em dia, com a restrição de armas, provavelmente teremos mais ainda em um cenário onde a posse e/ou o porte de um revólver seja mais fácil. Precisamos sim de uma polícia mais preparada, eficiente e equipada, assim como leis mais duras contra todos os tipos de crimes. Transformar o país em um grande velho-oeste, onde cada um anda com seu revólver na cintura não é a solução. Isto sem contar os inúmeros acidentes com arma de fogo que acontecem no Brasil e no mundo.

Além de tudo, financiada pela indústria das armas, a direita brasileira criou uma tese surtada e conspiracionista de que "estão querendo desarmar a sociedade para dar um golpe comunista". Bobagem. Ter arma em casa não deixa ninguém seguro. Boa parte das armas legalizadas no Brasil vão parar nas mãos de bandidos, reagir a um assalto aumenta as chances da pessoa ser baleada e ainda temos os inúmeros acidentes domésticos envolvendo crianças e armas (veja um exemplo disto aqui).

Notícia:
"O número de mortes ocorridas durante assaltos cresceu quase 20% no ano, segundo as estatísticas oficiais de maio divulgadas pela Secretaria de Estado da Segurança Pública.

Segundo as estatísticas, os latrocínios pularam de 119 casos nos primeiros cinco meses de 2010 para 141 casos no acumulado deste ano, em igual período.

Esse é um tipo de crime considerado pela polícia um dos mais difíceis de combater porque não são, em regra, planejados pelo bandido.

São fruto, na maioria das vezes, da reação da própria vítima durante um roubo."


A indústria armamentista vende uma ideia falsa de que basta ter uma arma para ser o herói durante o assalto, o que é falso, levando em conta que até policiais treinados costumam morrer ao reagir a um ladrão (veja um exemplo aqui). Pesquise na internet pelos termos "policial morre ao reagir a assalto" e vai encontrar diversas histórias trágicas. Os casos de sucesso de pessoas que reagiram armadas à assaltos até existem, mas são minoria e dão uma falsa impressão de que tudo é simples porque as histórias são surpreendentes.

Estatísticas:


Segundo o Instituto Brasileiro de Ciências Criminais e a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, pessoas que andam armadas têm, estatisticamente, probabilidade 56% maior de ser feridas ou mortas.

Dois segundos é o tempo máximo que uma pessoa tem para reagir, armada, a um assalto. Depois disso, é quase certo que saia ferida ou mesmo morta. A não ser policiais altamente treinados ou mocinhos de filmes de caubói, é impossível encontrar alguém com tamanha destreza.

O bandido tem a seu favor o efeito surpresa, além de uma experiência muito maior no manuseio de armas.

O Brasil tem a segunda maior taxa mundial em acidentes com armas, com 1200 vítimas anuais.

Em São Paulo, 12 000 armas são roubadas anualmente e reforçam o arsenal dos bandidos.

No Rio, 30% dos homicídios decorrem de motivos fúteis: briga de trânsito, de namorados e outros nos quais a arma disponível transforma uma discussão tola em fatalidade.

Sobre a questão dos EUA, onde há uma cultura armamentista e acontecem anualmente várias chacinas, como a recente tragédia onde 28 pessoas foram mortas na escola em Connecticut, se não é possível proibir a venda de armas para civis devido à Constituição americana, deviam ao menos restringir a venda de submetralhadoras e outros tipos de armas mais letais e automáticas para civis. Também é um descalabro propor que professores tenham armas nas escolas, como fez um deputado norte-americano. Eu não gostaria de colocar meu filho em uma sala de aula onde alguém estivesse armado. 

Seria interessante que as escolas tivessem máquinas de raio-x nas entradas e o acesso à escola fosse rigorosamente controlado, além de seguranças para proteger os alunos. Na recente tragédia dos EUA, a diretora abriu a porta para o atirador, pois conhecia-o a muito tempo. Este tipo de coisa não pode acontecer em uma escola, quanto mais em um país onde estranhos entram em escolas e matam todo mundo.

Talvez em alguns países sem tantas disparidades sociais e uma população com uma forte e antiga cultura de armas, como Canadá e Suíça (nem vou mencionar os EUA, que possui esta cultura mas ao mesmo tempo vivencia constantes massacres), não seja tão arriscado para a sociedade ter uma arma em casa, mas no Brasil, com uma cultura de violência o costume do " acerto de contas" tão forte, sobretudo pela certeza da impunidade, esta não é uma ideia viável.


Propaganda de armas em jornal norte-americano, na página que anuncia a chacina da escola de Connecticut.

Recomendo também este artigo em inglês, que derruba um a um os argumentos dos armamentistas, como a falácia de querer comparar faca com revólver e outras coisas. Se precisar, use o Google tradutor.
País mais armado do mundo, EUA registram 34 mortes por armas de fogo todos os dias

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Receita permite regularizar CPF pela internet



Quem estiver com o CPF (Cadastro de Pessoa Física) irregular poderá por a sua situação em dia pela internet. O serviço foi disponibilizado pela Receita Federal e funcionará ininterruptamente.

Antes, quem tivesse problemas em seu cadastro precisava se dirigir a uma unidade de atendimento do Correios, Banco do Brasil ou Caixa Econômica Federal e solicitar a regularização. O serviço, que passou a ser gratuito, tinha um custo de R$ 5,70.

A regularização está disponível no site na aba "Cidadão", na parte de "Serviços", onde o interessado deve clicar na opção "Cadastro".

Desde agosto, é possível fazer a inscrição no CPF pela internet, apenas com o título de eleitor.

Folha

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Documentário - O Riso dos Outros (Pedro Arantes)

Qual seria o limite do humor? Este documentário aborda o tema, entrevistando vários humoristas polêmicos, feministas, deputados etc.


 

Mulher paralítica mexe braço robótico através do pensamento




Um braço robótico controlado pelo pensamento. O que parecia cena dos mais inventivos filmes de ficção científica ocorreu no Centro Médico da Universidade de Pittsburgh, dos Estados Unidos. Jan Scheuermann, uma mulher de 52 anos que está paralisada do pescoço para baixo há 13 anos devido a uma doença degenerativa no cérebro, recebeu a prótese e já consegue pegar objetos e movê-los de lugar.
O nível de agilidade do suporte, segundo os cientistas responsáveis pelo procedimento, é o que mais perto se chegou, até o momento, de um braço normal. A operação a deixou com uma capacidade de controle e fluidez jamais vista em cirurgias deste tipo, alegam.
Foram semanas de treinamento até Scheuermann conseguir dominar o controle da mão. Conseguiu após dois dias. Com o tempo, passou a pegar objetos, orientá-los e movê-los com uma taxa de sucesso de 91,6%. A velocimento aumentou com a prática.
Para chegar ao resultado, os pesquisadores implantaram dois dispositivos de microeletrodos no córtex motor do lado esquerdo. É a parte do cérebro que influencias os movimentos. Os cientistas usaram uma técnica de escaneamento do órgão chamada ressonância magnética funcional para encontrar a parte exata que se acendia após a paciente ser orientada a mexer o membro inutilizado.
Após este passo, os eletrodos foram conectados à mãos robótica através de um computador com um algoritmo complexo que traduzia os sinais que imitam a forma que um cérebro intacto controla membros saudáveis.

— Estes eletrodos são dispositivos notáveis por serem muito pequenos — explica Michael Boninger, um dos autores do estudo.
O principal avanço, segundo Boninger, é a maneira como o algoritmo opera. A tradução de sinais do cérebro tem sido um dos maiores desadios para que a mente possa controlar próteses.
— Agora não há mais limite para decodificar o movimento humano — disse. — A novidade se tornar ainda mais complexa quando você trabalha em peças como uma mão, mas eu acho que, uma vez que você pode influenciar o movimento desejado no cérebro, então as questões sobre como isso pode acontecer ganham diversas possibilidades de resposta.
A conexão é feita através de um fio entre a cabeça da paciente e a prótese. Os pesquisadores já planejam, porém, incorporar a tecnologia sem fio para eliminar a necessidade.
Acreditam também que um circuito sensorial poderia ser desenvolvida para dar um retorno ao cérebro. A novidade permitiria que o usuário conseguisse fazer a diferença entre superfícies quentes e frias, ou lisas e ásperas.


Para Jan Scheuermann, a experiência foi transformadora.
— Renovou o seu propósito de vida — disse Boninger. — No primeiro dia em que conseguiu mover o braço, havia um sorriso de alegria. Podia pensar sobre a movimentação de seu pulso e algo acontecia.
Outros testes já haviam permitido a humanos escreverem através do pensamento. A nova operação, porém, é considerada um passo significativo no avanço da tecnologia de próteses controladas pelo cérebro. No mês passado, pesquisadores na Suíça usaram eletrodos implantados diretamente na retina para permitir que um paciente cego conseguisse ler.
O desenvolvimento das conexões entre cérebro e máquina apresenta uma evolução rápida e cientistas preveem que a tecnologia poderá eventualmente ser usada para ignorar danos nos versos e despertar os músculos paralisados de uma pessoa. Enquanto o momento não chega, a ciência se preocupa com exoesqueletos robóticos que permitem a paraplégicos e quadriplégicos voltarem a andar.
— A interface entre cérebro e máquina é um feito notável em tecnologia e biomedicina — comemou Grégoire Courtine, do Instituto Federal de Tecnologia Suíco, que não esteve encolvido no estudo, mas fez comentários na revista científica “Lancet”, onde foi publicado. — Embora muitos desafios existam pela frente, esses tipos de sistemas estão rapidamente se aproximando do ponto de uso clínico.

O Globo


Como fazer Nutella em casa

domingo, 16 de dezembro de 2012

Medo do fim



Marcelo Gleiser-Folha de São Paulo





Como pessoas inteligentes creem numa besteira dessas, após centenas de profecias apocalípticas na história? 

SEGUNDO AS profecias que andam aterrorizando uma boa fração da população mundial, esta será minha última coluna. Sexta-feira, dia 21, o mundo acaba. Venho recebendo dezenas de mensagens de pessoas visivelmente preocupadas, achando que desta vez é pra valer, que não temos como escapar.


Leitores, podem se acalmar. Garanto que sexta-feira, dia 21, será apenas mais um solstício de verão, o dia mais longo do ano. No sábado de manhã, você estará tomando seu café tranquilamente, com um sorriso nos lábios, convencido de que essa história de profecia de fim de mundo é mesmo uma bobagem. Tudo será devidamente esquecido e a vida continuará como antes. Pelo menos, até a próxima profecia.


No caso dessa, o calendário maia recomeça a cada 13 "baktuns", e cada ciclo tem 5.126 anos. O calendário maia foi iniciado no dia 13 de agosto de 3114 a.C. É apenas o fim de um ciclo e o começo de outro, típico de culturas que acreditam num tempo circular, ao oposto da nossa, na qual o tempo é linear, com apenas um começo e um fim.


Nenhum tablete de barro ou papiro misterioso prevê o fim do mundo. Ao contrário, os pouquíssimos documentos que sobreviveram à dilapidação tropical e ao fanatismo dos padres espanhóis, que queimaram tudo o que encontraram, não oferecem qualquer indicação de fim de mundo.


O mesmo ocorre com a ciência. Várias causas foram oferecidas para provocar o fim: a reversão dos polos magnéticos da Terra, a colisão com um asteroide, instabilidade solar, o planeta Nibiru, alinhamento galáctico etc. A Nasa preparou respostas para todas essas "ameaças" em seu portal e em um vídeo. (Se você entende inglês, eis o link do video:http://www.youtube.com/watch?v=QY_Gc1bF8ds) A história do planeta Nibiru, por exemplo, foi inventada pela médium americana Nancy Lieder, que diz ter um implante na cabeça que permite a ela se comunicar com alienígenas do sistema planetário Zeta Reticuli, a 39 anos-luz de distância.


Como milhões de pessoas inteligentes acreditam numa besteira dessas e se esquecem de que o mundo ainda não acabou, mesmo após centenas de profecias apocalípticas no decorrer da história?


Entre outras coisas, o medo do fim do mundo reflete nosso medo de perder o controle da vida, do nosso destino. Reflete o medo ancestral, encravado em nossa memória coletiva e reconfirmado todos os anos em dezenas de desastres cataclísmicos, de que a natureza é muito mais poderosa do que nós e tem o poder de nos aniquilar a qualquer instante.


Se nos séculos passados o fim do mundo refletia a ira divina ou a chegada da ressurreição, hoje, com os avanços da ciência, as causas são fenômenos cósmicos devastadores. Mas, como explico em meu livro "O Fim da Terra e do Céu", a simbologia é sempre a mesma: o fim vindo dos céus, sem que possamos nos defender, vítimas de nossos pecados ou de nossa fragilidade.


Mas não precisa ser assim. Temos um poder enorme para nos defender de medos ancestrais e infundados: a razão. Nossa compreensão da natureza não nos traz apenas celulares e DVDs mas também a certeza de que o conhecimento é a melhor forma de liberdade.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Custo de produção no Brasil é o menor do mundo e margem é o triplo dos EUA




– Estudo do Sindipeças revela que o custo de produção no Brasil é de 58% do preço final do carro, contra a média mundial de 79% e chega a 91% nos EUA.
– Fabricantes de autopeças revelem em Audiência Pública que o Lucro Brasil é de 10%, contra 5% no resto do mundo e 3% nos EUA.

A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado realizou na semana passada em Brasília audiência pública para discutir os altos preços dos carros no Brasil, com a presença de representantes da Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, do Ministério do Desenvolvimento, do Ministério Público Federal, do Sindipeças, o sindicato dos fabricantes de autopeças e deste jornalista.

A série de reportagem falando sobre o Lucro Brasil feita no ano passado – e a repercussão do assunto na mídia – motivou a convocação da audiência, conforme a senadora Ana Amélia, do PP do Rio Grande do Sul, responsável pela iniciativa.

A parlamentar lamentou a ausência da Anfavea, a associação dos fabricantes, que foi convidada, mas não compareceu.

Todos os expositores colocaram a questão dos altos preços do carro praticado no Brasil comparados com outros países: tanto países do primeiro Mundo, Estados Unidos, Europa e Japão – quanto em relação aos nossos vizinhos Paraguai e Argentina.

O exemplo do Corolla foi o mais citado: o carro custa US$ 16,2 mil, nos Estados Unidos, US$ 21,6 mil na Argentina e US$ 28,6 mil no Brasil.

O representante do Ministério Público, Antonio Fonseca, pediu ao Senado a revogação da lei de Renato Ferrari, que regulamenta a distribuição de veículos. Disse que o setor não precisa de regulamentação que essa lei provoca o oligopólio, prejudica a livre concorrência e cria reserva de mercado em regiões do País, o que contribui para o aumento do preço final do carro.

Mas foi o representante do Sindipeças, Luiz Carlos Mandelli, quem apresentou as informações mais contundentes em relação à formação do preço do carro no Brasil. Segundo o estudo apresentado pelos fabricantes de autopeças aos senadores, a margem de lucro praticada no Brasil é a maior do mundo, 10% sobre o valor ao consumidor, enquanto a margem média mundial é de 5% e nos Estados Unidos o lucro é de 3%.

Segundo a entidade, o custo de produção do veículo no Brasil é menor do que em qualquer parte do mundo. Esse custo, que inclui matéria prima, mão de obra, logística e publicidade, entre outros (que as montadoras chamam de Custo Brasil) é equivalente a 58% do valor final do carro. A média mundial é bem maior, de 79%, e nos Estados Unidos esse custo sobre para uma faixa entre 88% e 91%.

Os impostos seguem na mesma proporção. No Brasil o imposto sobre o carro é de 32%, a média mundial é 16% e nos Estados Unidos varia de 6% a 9%.

As montadoras argumentam que a margem é maior no Brasil por causa no custo do capital. Nenhum empresário vai colocar o seu capital num investimento de risco ou de baixo rendimento para ganhar 6% ao ano, ele deixa aplicado na poupança, disse uma fonte dos fabricantes, acrescentando que, se o custo do capital for levado em conta, a margem de lucro do Brasil e dos Estados Unidos ficaria equivalente.

O estudo indica ainda que a margem de lucro das empresas de autopeças de capital fechado, ao contrário, é menor no Brasil em comparação com o resto do mundo. Neste ano, o lucro foi de 4,8% e de 5,8% das empresas de capital aberto, contra 7,2% das empresas no resto do mundo.

Em estudo que comparou os anos de 2009 a 2012, apenas o primeiro ano registrou que o Brasil superou o resto do mundo no lucro com o setor: 4,2% das empresas com capital fechado e 5,0% com capital aberto, enquanto no resto do mundo foi registrado lucro de apenas 1,3%.

O Senado deve convocar novas reuniões para dar continuidade à discussão do assunto.

UOL

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A maconha faz parte da armadilha, é um atentado contra todos



A pretensa tendência de liberalização da maconha é um atentado contra todos. As drogas, inclusive a maconha, não devem ser nem sequer descriminalizadas. O seu uso pessoal extrapola as liberdades da intimidade e da vida privada das pessoas, por ser questão de saúde pública.


De fato, é certo que o usuário de drogas não é um bandido.Antes de tudo, é vítima. A sociedade atual, voltada ao consumo material e às mídias massificadoras, sujeita as pessoas à desintegração das relações humanas e familiares, bem como ao vazio de sentido, propósitos e ideais.





Os antropólogos falam da era do vazio, da era da decepção, da sociedade líquida, da antropologia da solidão. Para o desespero de Fernando Pessoa, se depender da sociedade atual, a alma será pequena.


Na pequenez da alma, a terrível armadilha moderna, que está à espreita das pessoas, em especial dos jovens e mesmo das crianças: o uso pessoal de drogas, que joga o ser humano numa espiral para baixo, abrindo as portas da dor e da ruína.


A droga acabou com as pessoas e com seus cérebros, arruinou sua dignidade, capturou suas almas, as conduziu para a criminalidade. No fim do poço, transformou-as naqueles zumbis da cracolândia, em condições infra-humanas.


Dói só de pensar nas crianças recém-nascidas, filhas das mães do crack, sofrendo crise de abstinência e já com sequelas gravíssimas.


Errado dizer que a a maconha não faz parte desta armadilha. Faz.


Está comprovado que ela não é inofensiva. Aliás, o Levantamento Nacional sobre Drogas de 2010 é alarmante e demonstrou que tem relevância estatística o uso de drogas por crianças a partir de dez anos. Mostrou também que quem usa uma droga geralmente acaba usando qualquer outra.


Não há humanismo em tolerar o uso pessoal de drogas. Ser indiferente ao uso próprio de drogas e deixá-lo ao critério da opção pessoal de cada um, especialmente por criar fácil acesso a jovens e crianças, é ser indiferente à saúde pública e na prática a todas essas vítimas que entregaram a sua dignidade.


Inegável que a capacidade de discernimento do usuário fica prejudicada -e não é ele, por si, que terá lucidez e força para pedir ajuda. Há quem defenda que se deve deixar as pessoas chegarem ao fundo do poço. Mas não dá para se omitir.


Para piorar, o usuário de drogas acaba sendo refém do traficante e, ao fim e ao cabo, financia e contribui para a indústria do tráfico, na condição de consumidor final. Crime, violência e morte, tudo isso escrito pelo vermelho do sangue das vítimas, está intimamente relacionado ao império das drogas.


Assim, o problema do uso próprio de drogas nunca é íntimo e privado, ainda que o consumo seja pessoal, íntimo e privado. É um problema grave e deve ser prioritariamente enfrentado pelas autoridades, com profundo respeito e consideração pelas famílias e vítimas desse mal.


Isto é, mesmo o uso pessoal, íntimo e privado das drogas é um problema coletivo de saúde pública que merece resposta penal. Logo, não é o caso de descriminalizar. Não para vigiar e punir, como diria Foucault, mas para cuidar e desintoxicar, ainda que compulsoriamente.


Significa que os usuários não deviam ser colocados na cadeia, muito pelo contrário, como problema de saúde pública, a resposta penal para o uso pessoal das drogas deve ser, como é, o encaminhamento para compulsório tratamento médico e desintoxicação.


RICARDO SAYEG, 45, advogado, é professor livre-docente de direito econômico da PUC-SP. É também coordenador de doutorado e mestrado e líder do grupo de pesquisa do capitalismo humanista

Folha de São Paulo

Viva a privataria: 30 hs sem luz em Porto Alegre









Moradores do bairro Humaitá, na zona Norte de Porto Alegre, realizam um protesto na manhã desta quarta-feira por causa da falta de luz que atinge a região desde a madrugada de terça-feira, após o forte temporal que atingiu a Capital. De acordo com o 11º Batalhão de Polícia Militar (BPM), cerca de 50 pessoas estão concentradas na rua Frederico Mentz, próximo a Arena do Grêmio.

O ato começou pacífico, por volta das 10h. No entanto, horas depois, os manifestantes formaram uma barricada – atearam fogo em objetos – para chamar a atenção para o problema na rede elétrica.

Segundo informou o 11º BPM, uma viatura está no local para evitar que o protesto cause transtornos. A corporação afirmou ter entrado em contato com a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) para relatar sobre a manifestação.


Bandeirante Energia demora para restabelecer eletricidade-de novo



Acabou a luz em minha casa, em decorrência de uma forte chuva, por volta das 18:00 horas de ontem, 11 de Dezembro. A energia só foi restabelecida  nesta madrugada, por volta de meia-noite, de maneira intermitente.


Não é a primeira vez que isto acontece. Será que a rede elétrica é tão frágil que basta cair uma chuva um pouco mais forte e o fornecimento de energia é interrompido? Talvez a rede que abastece minha casa seja mal-projetada ou tenha alguma fragilidade ainda não detectada, pois a rua em frente a minha raramente tem fornecimento é interrompido em decorrência de uma tempestade.Tem algo de errado aí. Espero que a Bandeirante Energia verifique com mais constância suas redes de distribuição de energia elétrica, para evitar que os consumidores, que pagam suas contas em dia, tenham a energia cortada por causa de qualquer chuva. Ou quando isto ocorrer, que ela não demore quatro horas para voltar.
Talvez esteja na hora das empresas de fornecimento de energia abandonarem de vez o cabeamento aéreo da transmissão de energia e adotarem os cabos subterrâneos, como já ocorre em diversas cidades.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Distorções e manipulação na cobertura da Folha de S.Paulo

Escombros do Pinheirinho. Foto-Aurelio Moraes


Por Beatriz Mayara Bevilaqua


A remoção forçada dos moradores da Comunidade Pinheirinho, em São José dos Campos, resultou em denúncias de abuso de autoridade no local e violação de direitos humanos. Além disso, houve um claro cerceamento à liberdade de imprensa, ocorrido quando não foi permitido o livre acesso ao local.

A reintegração teve início na madrugada do dia 22 de janeiro de 2012. Foram empregados mais de 220 viaturas, 40 cães, 100 cavalos e 300 agentes da prefeitura local para apoio psicológico e social da população. A Comunidade estava localizada na zona sul da cidade de São José dos Campos. O município pertence ao estado de São Paulo, mesorregião do Vale do Paraíba e fica a 94 km da capital paulista.

A desocupação no Pinheirinho é um exemplo de tentativa de criminalização das periferias pela imprensa, com reflexo na opinião pública. Trata-se de um assunto de relevância para a compreensão de um dos maiores massacres ocorridos na região do Vale do Paraíba.

A Comunidade

De acordo com os dados de pesquisa de Andrade (2010, p.73) a data de fundação de Pinheirinho é de 25 de fevereiro de 2004. Inicialmente havia aproximadamente 240 famílias e até 2010 o acampamento ficou oito vezes maior. O terreno pertence a uma massa falida da Selecta S/A, que tem como proprietário o investidor Naji Nahas conhecido nacionalmente por irregularidades praticadas no mercado financeiro.

Segundo relatório do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe – São Paulo) em 2012 já havia mais de 1.500 famílias morando no bairro. Durante todo o período em que a população viveu em Pinheirinho esta conheceu várias formas de preconceitos por parte do setor público municipal. Andrade (2010, p. 76) cita em sua dissertação de mestrado, realizada entre os anos 2008 e 2010, depoimentos de algumas moradoras da Comunidade:

Pergunta: Qual a diferença de morar aqui e de morar lá fora?

“[...] se não tiver médico num lugar, a gente não pode ir num outro postinho. Nos outros bairros também já não aceitavam o Pinheirinho, quer dizer, tipo assim, uma discriminação, né? A gente sofre este tipo de coisa. [...] E os lugares que a gente vai as pessoas falam: ‘Por que você usa luz assim?’ ‘Por que você usa água assim?’ ‘Por que você está lá naquela terra?’ Eles não entendem a situação da gente” [Cláudia].

Meus filhos estudam em escola do Estado, porque na da prefeitura não pega. [...] Eles alegam que a gente não tem uma conta de luz, uma conta de água ou de telefone. [Juliana]

Pergunta: Nos postinhos tem problema?

“Eles não pedem para chamar a gente, não olham na cara da gente. Ainda mais quando é de Pinheirinho. Chega no pronto-socorro aqui, os médicos: O que é aquilo, ali? Com aquela cara, olhando. Aí [ pergunta]: ‘Onde você mora?’ [ resposta:] ‘Pinheirinho’. Aí que demora mesmo!”[Raquel].

Segundo o relatório “A voz das Vítimas”, produzido pelo Condepe (2012), na véspera da reintegração de posse do terreno, dia 21 de janeiro (sábado), houve uma concessão de um prazo de 15 dias fixada em juízo para a negociação entre o governo estadual e federal de uma proposta de políticas públicas integradas entre o município de São José dos Campos, o governo do estado de São Paulo e a União para uma solução fundiária e habitacional para a ocupação. Com isso a Assembleia dos Moradores festejou naquele mesmo dia a suspensão da liminar de reintegração de posse. No dia 22 de janeiro o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) validou a desocupação através de uma liminar emergencial. A ordem expedida pela juíza Márcia Faria Mathey Loureiro manteve a desapropriação do terreno.

Reintegração de posse

Segundo nota divulgada em 22 de janeiro de 2012 pelo Centro de Comunicação Social da Polícia Militar ao todo foram encaminhados ao local mais de 2 mil policiais militares. Foram empregados mais de 220 viaturas, 40 cães, 100 cavalos e 300 agentes da prefeitura local para apoio psicológico e social da população. Também foram utilizadas duas aeronaves Águia da Polícia Militar. Segundo a nota foram detidas 16 pessoas e não houve mortes, nem feridos (Polícia Militar-SP, 2012c).

No dia 23 de janeiro uma outra nota foi divulgada pela PM. A nota esclarece que “a integridade física das pessoas norteou a estratégia para cumprimento da determinação judicial” (Polícia Militar-SP, 2012b). O mesmo texto explica que a PM “agiu com o objetivo de restabelecer a ordem pública” e fez uso “ de técnicas não letais”. Segundo números registrados no site da polícia militar “até às 18h de 23 de janeiro de 2012 foram apreendidas duas armas de fogo, 1.100 invólucros de maconha e 388 pinos para embalar cocaína, também foram localizadas três bombas caseira.” A PM também disponibilizou em seu site um infográfico para compreender a operação em Pinheirinho (Polícia Militar-SP, 2012a).

O líder da comunidade, Valdir Martins, em entrevista concedida à autora deste trabalho, deu sua versão dos fatos e fez denúncias contra a PM de São Paulo:

Aquele vídeo divulgado na internet de um senhor sendo espancado pela PM, ele morreu de traumatismo craniano. A polícia está sendo processada. Duas meninas foram estupradas no acampamento, um rapaz foi estuprado com um cabo de vassoura pela tropa de choque [...].

Foram mais de 600 processos contra o estado de São Paulo por abusos policiais denunciados e desrespeito à população de Pinheirinho. Várias entidades defensoras de direitos humanos questionaram a legitimidade da decisão judicial. O jornalista Aurélio Moraes, do Jornal Nossa Jacareí publicou um vídeo   na Internet em 14 de janeiro de 2012 mostrando de que maneira os moradores vinham tentando regulamentar o terreno junto a prefeitura e a tensão no local dias antes da reintegração. (MORAES, 2012). Alguns veículos de comunicação, como a própria Folha de S.Paulo denunciaram a Polícia Militar (PM) como cerceadora da liberdade de imprensa, ocorrido quando não foi permitido o livre acesso ao local de reintegração, bem como aos alojamentos da prefeitura. Por outro lado, uma comissão especial da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil de São José dos Campos aprovou a operação militar no caso Pinheirinho. O relatório divulgado em junho de 2012 pela 36ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil de São José dos Campos descartou violação dos direitos nas condutas da Polícia Militar, da prefeitura e da Justiça na reintegração de posse do Pinheirinho. O documento afirma que “os números nos permitem afirmar com tranquilidade que inexistiu violação dos direitos humanos na conduta geral da Polícia Militar.” O relatório se contrapõe à investigação do Condepe, que denunciou violações aos direitos humanos em março de 2012 (ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL, 2012).

O relatório também afirma que “A exploração política e econômica praticada pelos líderes do movimento contra a população carente que se instalou no Pinheirinho pode ser outra importante causa do problema, se não a principal”. Eles acusam líderes da Comunidade, como Valdir Martins, o Marrom, de vender terrenos dentro do Pinheirinho e lucrar com a comercialização dos lotes. No mesmo relatório defendem a juíza Márcia Faria Mathey Loureiro, que autorizou a reintegração de posse. “O feito obedeceu ao devido processo legal e os réus tiveram direito à mais ampla defesa e toda sorte de recursos” (ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL, 2012).

Pinheirinho, dias antes da desocupação. Foto-Aurelio Moraes


Em entrevista, o líder da Comunidade Pinheirinho, Valdir Martins, se defende da acusação e comenta o relatório divulgado pela 36ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil de São José dos Campos (OAB).

Na verdade nunca houve a comercialização de lotes lá dentro. Esse presidente da OAB de São José dos Campos já foi pré candidato a prefeitura da cidade. Ele é do partido do PSDB e fez uma função para o partido que mandou me acusar sem fundamento... Nunca existiu essa comercialização! (MARTINS, 2012).

Na madrugada de 22 de janeiro de 2012 dois mil policiais militares realizaram a reintegração de posse, mas somente na noite do dia 25 de janeiro a polícia concluiu a reintegração. O portal de notícias R7 denunciou em 27 de janeiro de 2012 as condições dos abrigos superlotados. Uma das ex-moradoras de Pinheirinho criticou na entrevista a bolsa aluguel que o Governo do Estado prometeu oferecer aos desabrigados. Na opinião dela a bolsa é insuficiente para uma família de 10 pessoas como a dela, sendo duas portadoras de necessidades especiais (BARBEIRO, 2012).

O líder da comunidade, Valdir Martins, disse que a supervalorização do terreno foi a principal causa da reintegração de posse. Ele também explicou o que representou a perda do terreno para os ex-moradores:

“Para desocupar uma casa leva-se 48 horas, em Pinheirinho em 72 horas eles desocuparam 1.843 casas. Para o rico propriedades são fazendas, iates e apartamentos, para o pobre propriedade às vezes é o próprio filho, o próprio marido, uma foto, uma cadeira, uma mesa. E agora quem vai devolver isso? Uma mãe disse para mim: Marrom, a única coisa que eu tinha de valor não era a casa, a casa eu construo outra, eu tinha um DVD do meu único filho que morreu aos 8 anos, agora eu nunca mais poderei vê-lo. As pessoas perderam mais que casas, perderam coisas pessoais, intimidade, aquele presente que o avô deixou. É comum você encontrar no terreno ainda fotos, cartas [...] 90% perdeu absolutamente tudo. O que houve em pinheirinho foi um estupro social, um crime, um massacre! [...]” (MARTINS, 2012).
A Polícia Militar do estado de São Paulo deixou uma mensagem final sobre o caso Pinheirinho no site da instituição da PM e explica que “em seus 180 anos de existência, sempre trabalhou em consonância com o ordenamento jurídico. E acrescenta que “sua atuação se baliza por três princípios básicos: respeito integral aos direitos humanos, filosofia de polícia comunitária e gestão pela qualidade. Por fim, conclui: “Seu único escopo é o respeito ao cidadão, ao povo brasileiro e às instituições democráticas. E assim continuará, sempre.”

Repercussão Internacional

O jornal britânico Guardian fez críticas ao governo brasileiro por meio de um artigo publicado em 24 de janeiro de 2012. O artigo também questionou a cobertura da grande imprensa e afirmou que os veículos só deram atenção ao caso quando houve repercussão nas redes sociais. O jornal critica as ligações históricas dos jornais brasileiros ao poder político e enfatiza que a imprensa do Brasil falou de Pinheirinho em “tons suaves”, como por exemplo manchetes destacando uma van de uma TV incendiada e uma menor atenção para as casas que foram perdidas pelos moradores (NUNES, 2012).

O processo judicial em torno da posse do terreno é antigo e deve se prolongar em muitas questões. O defensor público Jairo Salvador, de São José dos Campos, em entrevista concedida para o Jornal do Brasil em 1º de fevereiro de 2012, afirma que não há precedentes brasileiros do caso. “O Pinheirinho é só mais um capítulo do extermínio da pobreza, de uma cidade que quer se vender como perfeita. Não tem lei em São Paulo. É só ter força. Cada um cumpre o que quer”. (PSOL..., 2012).

O pesquisador e antropólogo Inácio de Carvalho Dias de Andrade - que conviveu por três anos na Comunidade Pinheirinho, em depoimento à autora deste trabalho, afirmou que a força policial teve respaldo da grande imprensa.

A grande mídia tem um enorme poder em pautar os debates públicos seja pela abrangência de seus meios ou pelo impacto que pode causar, no entanto, tanto no caso do Pinheirinho como o da Cracolândia, ela se ausentou de discutir em profundidade o assunto, suas causas ou outras soluções possíveis. Isso acontece tanto com grandes veículos que pretendem passar uma aura de imparcialidade para o leitor, como aqueles, mais honestos, que assumiram alguma posição nesses casos. Mas o fato é que, passado todos esses meses, eu não vi nenhuma maior discussão ou questionamento sobre o destino ou situação daqueles moradores despejados. O caso paulista é exemplar, mas também poderíamos traçar analogias aqui com outras ações parecidas no Brasil que não recebem atenção devida nos noticiários. Existem obras para a Copa do Mundo no Brasil inteiro nas quais os mesmos problemas vêm ocorrendo. Mesmo o caso da Hidroelétrica de Belo Monte parece abandonado sem alguma discussão aprofundada pelos diversos setores da população. No entanto, para que esse discurso midiático possa ganhar força, ele precisa contar com respaldo discursivos da sociedade, tais como a associação fácil de pobreza a desorganização (ANDRADE, 2012.)

A cobertura da Folha de S.Paulo

As notícias coletadas entre os dias 23 e 30 de janeiro chamam atenção, inicialmente, por dois aspectos: em primeiro lugar pelo excesso de declaração de autoridades locais e nacionais, e em segundo pela pouca “voz” dada aos moradores durante a cobertura jornalística.

Logo no primeiro dia de cobertura da reintegração, segunda-feira, 23 de janeiro de 2012, observamos o uso de definidores primários na cobertura da Folha de S.Paulo. Apenas fontes oficiais deram declarações sobre o ocorrido na chamada de capa do jornal: Polícia Militar (PM), assessor da presidência e “planalto”. As pessoas descritas, todas em cargos institucionais, funcionam como definidores primários, legitimando a informação. Isso porque, como lembra Hall (Hall et. al. apud PENA, 2004, p.178) as primeiras fontes a serem ouvidas sobre um determinado assunto é que vão pautar o debate que será feito em torno desse mesmo assunto na sequencia. Nesse sentido eles definem a angulação e o tom do debate que segue. As fontes oficiais, portanto, possuem grande influência na construção da notícia e refletem a pressão exercida dentro das redações. Além disso refletem a posição editorial, ideológica e política em defesa do proprietário.

Observamos também a referência negativa aos moradores da comunidade. “Moradores incendiaram carros e atiraram pedras contra policiais militares [...]”. A foto da manchete traz uma mensagem sobre a ação policial: a imagem mostra um PM retirando uma mulher com uma criança de colo da área de confronto o que remete a ideia de proteção por parte da polícia. O comportamento da cobertura jornalística revela como os fatos são construidos subjetivamente. A foto Manchete também revela isso. Segundo o próprio Manual da Folha de S.Paulo “uma boa foto pode ser mais expressiva e memorável que uma excelente reportagem”.

A matéria do dia 23 de janeiro, da página C1, com o título “Retirada de famílias deixa rastro de destruição em São José dos Campos” afirma no corpo do texto que carros foram incendiados por moradores. “Seis veículos foram incendiados por moradores, dois deles pertencentes a empresas de comunicação que acompanhavam a ação.” O texto não inclui depoimentos dos moradores confirmando esta acusação. O fato de não trazer a outra versão, mostra o descumprimento do próprio Manual da Folha de S.Paulo, que diz que quando uma informação é ofensiva a uma pessoa, o jornal deve ouvir o outro lado e publicar as duas versões com “destaque proporcional”. O Manual também diz que quando houver publicação de um texto sem ouvir o outro lado, o jornal deve tentar ouvir a fonte no dia seguinte sobre o mesmo assunto.

Enquanto o jornal prioriza o depoimento do comandante da polícia nos primeiros parágrafos, o advogado que representa os moradores, Antonio Donizete Ferreira, aparece ao final do texto com uma declaração superficial do ocorrido no dia. Mais uma vez observa-se a preferência dada aos definidores primários na cobertura do tema.

Na terça-feira, 24 de janeiro de 2012, a Folha traz alguns depoimentos de ex-moradores de Pinheirinho e revela que alguns querem voltar para sua terra-natal. Em seguida a reportagem informa que a prefeitura oferece passagens para quem quiser voltar e que pelo menos 30 aceitaram. Isso representa 0,3% dos 10 mil moradores de Pinheirinho, o que estatisticamente é um número muito pequeno. O jornal generaliza uma situação a partir de uma pequena parcela.

Uma nota que evidencia a prioridade por definidores primários está localizada na página C1 com o título “Decisão do TJ é correta, dizem especialistas”. O texto desta mesmo edição, 24 de janeiro de 2012, defende a ideia de que o procedimento de reintegração no Pinheirinho foi o correto e para comprovar isso a reportagem consulta “especialistas sobre o tema”. A matéria também diz que a PM agiu corretamente em obedecer aos magistrados estaduais. A matéria consiste em entrevista com o professor de direito constitucional da PUC André Ramos Tavares e o advogado Gustavo Rene Nicolau que confirmaram que dificilmente a competência do caso à justiça estadual seria revertida. Analisando esta matéria, podemos remeter ao pensamento de Francisco José Karam (2004) que diz que a objetividade e a subjetividade estão intimamente relacionadas no jornalismo. Podemos observar aqui que a ideia de objetividade é quebrada pelo fato do jornal ter escolhido um especialista que estivesse de acordo com aquilo que o jornal defende. O Manual da Folha estabelece que o cruzamento de informação é obtido cruzando várias fontes para uma informação. “Qualquer informação de cuja veracidade não se tenha certeza deve ser cruzada.” Ou seja, se a Folha quisesse estabelecer um debate dentro dos marcos da objetividade, esta poderia ter ouvido mais especialistas, inclusive com pontos de vista diferentes.

No mesmo dia 24 de janeiro de 2012, o jornal britânico Guardian, citado no segundo capítulo deste trabalho, publicou um artigo com críticas ao governo brasileiro. O artigo questionou a cobertura da mídia e enfatizou que a imprensa do Brasil falou de Pinheirinho em “tons suaves”. A Folha de S.Paulo repercutiu uma breve nota sobre a crítica do jornal britânico três dias depois, em 27 de janeiro. Karam ( 2004) afirma que “não há um fato e várias opiniões e julgamentos, mas um mesmo fenômeno e uma pluralidade de fatos, conforme a opinião e o julgamento.”

Olien, Tichenor e Donohue, são citados por Traquina (2001, p.125). Escrevem os autores: “A reportagem inicial de um contramovimento no sistema será geralmente cética se não hostil, e o problema será definido de acordo com as suas ramificações para as relações de poder existentes”.

Na quarta-feira, dia 25 de janeiro, a matéria da página C4, “Retirada de famílias ignora ação social”, traz entrevista com a defensoria pública do Estado. Segundo a defensoria o atendimento dado aos ex-moradores é precário e foram encontradas pessoas abrigadas próximas a viveiro de pombos e fezes de animais. Alguns sem-teto, segundo a reportagem, preferiram se abrigar em uma igreja. Além disso alguns ex-moradores disseram que suas casas foram demolidas antes que pudessem pegar seus pertences. A matéria se refere aos ex-moradores, mas não acrescenta uma fala de qualquer um deles. Para Felipe Pena (2005) a decisão de publicar algo ou não depende principalmente de uma política empresarial.

Uma outra nota desta quarta-feira, 25 de janeiro, afirma que os sindicatos lideram a resistência que restou no local. A palavra “invasão” é presente em praticamente todas as matérias informativas analisadas neste trabalho. A palavra, possui o sentido de ilegalidade e denota juízo de valor por parte do jornal.

A matéria diz que “grupos de esquerda estão presentes no Pinheirinho desde o início da „invasão? em 2004, e seus líderes sempre foram respeitados como porta-vozes da comunidade.” Podemos observar aqui que “partidos de esquerda” seria uma forma de retirar a legitimidade do movimento dos moradores, já que estaria a serviço de um partido que luta pelo poder e quer desgastar quem está no poder.

Na quinta-feira, dia 26 de janeiro de 2012, a foto da capa da Folha chama atenção: o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, cercado por manifestantes e protegido por um segurança. O texto da chamada de capa do Caderno Cotidiano C1 diz que cerca de 800 manifestantes atiraram pedras e ovos contra o prefeito na saída da missa pelo aniversário da cidade de São Paulo. O protesto era contra as ações da PM na Cracolândia e Pinheirinho. Segundo a Folha, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, não compareceu e o prefeito da cidade, Gilberto Kassab lamentou o ocorrido. O repórter não entrevistou qualquer manifestante. Com base nos autores Chomsky e Herman (1997 apud KARAM, 2004, p. 235) o consenso seria produzido por uma elite a qual é detentora de várias empresas e possui influência tanto em instituições públicas quanto privadas vinculadas ao poder político e econômico. A promessa da imprensa liberal de ser porta voz da democracia fica comprometida, pelo fato de não ter sido dado espaço para que o “outro lado” falasse, novamente o jornal não cumpre o próprio manual.

Nesta edição do dia 26 de janeiro, na página C4, a Folha entrevistou o pedreiro Severino Antonio de Jesus Silva e o ajudante de transportes Jamerson Conceição dos Santos. Além disso o jornal denunciou o descaso da prefeitura por não enviar caminhões, ambulância, nem agentes de trânsito para organizar uma caminhada dos ex-moradores por um trajeto de 4km até um abrigo da prefeitura. Uma mulher grávida desmaiou, mas segundo a reportagem, foi socorrida por um policial militar.

Na página C5 encontramos uma matéria sobre a polícia ter restringido o acesso da imprensa durante a operação. Mas esta matéria não tem chamada de capa e tampouco é destaque de página. O discurso de ações isoladas como coletivas e a falta de destaque noticioso sobre o cerceamento à liberdade de imprensa durante a reintegração de posse, comprometem a falta de isenção do jornal por meio da ocultação de fatos relevantes para a contextualização do episódio Pinheirinho.

Na sexta-feira, 27 de novembro de 2012, a Folha não fez chamada de capa sobre o assunto. No entanto, no caderno Cotidiano, há uma página inteira falando sobre a reintegração. Uma das matérias entrevista a relatora especial da ONU para o direito à moradia adequada, Raquel Rolnik. Ela criticou as autoridades brasileiras pedindo explicações sobre o caso.

No sábado, dia 28 de janeiro de 2012, novamente a Folha não fez chamada de capa sobre Pinheirinho. Há apenas uma matéria na página C7 com o título “Prefeito diz que vai priorizar desabrigados”. Começamos a observar que a pauta sobre Pinheirinho já não está mais em relevância como no primeiro dia da cobertura. O pesquisador Inácio de Carvalho Dias de Andrade em entrevista concedida para este trabalho conclui “Mas o fato é que, passado todos esses meses, eu não vi nenhuma maior discussão ou questionamento sobre o destino ou situação daqueles moradores despejados” (ANDRADE, 2012).

Na edição de domingo, dia 29 de janeiro de 2012, a Folha coloca abaixo da dobra uma chamada de capa com uma entrevista com o ex-dono de Pinheirinho. Segundo o próprio site da Folha, o número de tiragem neste dia é de 320.504 exemplares, enquanto nos dias úteis 292.251 exemplares. Ou seja, a reportagem de domingo tem muito mais leitores (Folha de S.Paulo, 2012).

Na página 4 do caderno 2 encontramos a entrevista com Benedito Bento Filho. Segundo ele Pinheirinho era um jardim antes da “invasão” dos antigos moradores. Ele diz: “Antes de ser invadido pelos sem teto, aquilo era lindo, um verdadeiro jardim”.

A reportagem com Benedito Bento Filho, o homem que vendeu a terra a Naji Nahas, ocupa toda a página do caderno 2. Benedito defende Naji Nahas afirmando que o empresário é um amigo e um homem muito “digno” e critica as lideranças dos sem teto. No texto, porém não há qualquer depoimento com um ex-líder ou ex-ocupante do terreno para gerar um debate sobre o tema.

O Manual da Folha diz que “nunca participa de campanhas para enaltecer ou desacreditar pessoas nem serve a interesses particulares de partido político, grupo ou tendência ideológica”. Silveira (2004) no entanto reforça a ideia que a imprensa funciona como um instrumento político da classe dominante para manter o status quo. Nas palavras do próprio autor “ [...] a produção de notícias trata os fatos como mitos, evita uma leitura crítica sobre a realidade e busca silenciar os grupos não conformistas, transformando a imprensa num meio de manipulação ideológica.”

Considerações finais

Foram identificados elementos de criminalização social e manipulação da informação por parte do jornalFolha de S.Paulo. O uso de autoridades como definidores primários reflete a pressão exercida dentro das redações, além de transparecer a posição editorial, ideológica e política em defesa do proprietário. O discurso de ações isoladas como coletivas e a falta de destaque noticiosa sobre o cerceamento à liberdade de imprensa são outros exemplos de manipulação.

Este trabalho nasceu de uma perturbação: de que maneira a Folha fez a cobertura do Caso Pinheirinho? Que fontes o veículo utilizou para as reportagens ? O jornal privilegiou algum lado? E o histórico de denúncias de estupro, abuso de autoridade no local e violação de direitos humanos foram pautados pelo veículo? A criticidade na cobertura do jornal foi aquém do que se esperava.

Foi percebido que os ex-moradores tiveram pouco destaque nas reportagens, as fontes oficiais são usadas prioritariamente durante toda a cobertura do jornal. Algumas acusações foram feitas aos ex-moradores sem ao menos escutá-los. A Folha descumpriu com o próprio Manual quando afirma que o veículo deve ouvir e publicar as duas versões com “destaque proporcional”. Até mesmo o jornal britânicoThe Guardian questionou a cobertura da grande imprensa brasileira e afirmou que os veículos só deram atenção ao caso quando houve repercussão nas redes sociais. O jornal disse que a imprensa do Brasil usou “tons suaves” para reportar o Caso Pinheirinho.

A cobertura informativa da Folha não mostrou os dois lados proporcionalmente, principalmente quando permitiu na edição do dia 30 de janeiro, edição de domingo e de maior peso, uma página inteira para um ex-proprietário do terreno, Benedito Bento Filho. A página , do caderno 2, destaca sua fala quando diz que o terreno era um jardim, antes da “invasão” dos sem-teto.

O próprio uso da palavra “invasão” e não “ocupação” também revela parte da ideologia do veículo. A palavra, possui o sentido de ilegalidade e denota juízo de valor por parte do jornal. As fotos de manchete também trouxeram mensagens ideológicas da Folha, como a da capa no primeiro dia de cobertura.

Somos assim levados a questionamentos sobre a cobertura informativa da Folha de S.Paulo envolvendo reintegrações de posse e movimentos sem-teto no país. O veículo seguiria o mesmo padrão jornalístico do Caso Pinheirinho com outros casos relacionados?